clube   |   doar   |   idiomas
A melhor maneira de combater a atual carestia: reabrir todas as economias
Entenda o que realmente causou o colapso das cadeias de suprimento

Ao redor do mundo, o assunto econômico em voga é a disparada dos preços. 

Nos EUA, a taxa acumulada em 12 meses dos preços dos bens de consumo é de 4,2%, a maior desde 2008.

No Brasil, como previsto aqui ainda no ano passado, o IPCA acumulado em 12 meses está em 8%, muito acima do teto da meta do Banco Central, que é de 5,25%.

Mesmo na Alemanha, os preços no atacado assumiram uma aceleração exponencial e se aproximam dos 6% em 12 meses — uma enormidade para os padrões alemães.

No Canadá, este mesmo indicador saltou para 15%, o maior valor desde a estgflação da década de 1970.

Ou seja, o fenômeno agora é realmente mundial. 

Há duas causas: do lado da demanda, como medida adotada pelos governos para combater a pandemia de Covid-19, houve um acentuado aumento na oferta monetária ao redor do mundo (algo já exaustivamente debatido e demonstrado por este Instituto); do lado da oferta, houve um colapso das cadeias de suprimento. 

Cadeias rompidas e o modelo just-in-time

Uma recente reportagem da Bloomberg explica tudo:

Um ano atrás, à medida que a pandemia saía devastando um país atrás do outro, e as economias colapsavam, os consumidores entraram em pânico e saíram comprando itens essenciais, para se estocarem.

Hoje, na recuperação, quem está comprando furiosamente para se reestocarem são as empresas.

De produtores de colchões a fabricantes de automóveis, passando por fabricantes de papel-alumínio, todos estão comprando mais materiais do que precisam para tentar manter sua fatia de mercado e sobreviver à alta velocidade em que a demanda por bens está se recuperando. Todos estão com medo de ficarem sem estoques.

Este frenesi está esticando as cadeias de suprimento até o limiar de seu ponto de quebra. Desabastecimentos, gargalos nos transportes e aumentos de preços estão próximos dos maiores níveis da memória recente. 

Tudo isso está aumentando as preocupações de que uma economia global superaquecida irá aditivar a inflação de preços.

Cobre, minério de ferro e aço. Milho, café, trigo e soja. Madeira, semicondutores, plástico e papelão para embalagens. Seus preços, em dólares, explodiram. Aparentemente, o mundo está vivenciando uma escassez destes produtos. "Escolha o item que você quiser, e ele estará em falta", disse Tom Linebarger, CEO da Cummins Inc., empresa fabricante de motores e geradores. As empresas que compram estas matérias-primas estão "tentando comprar tudo o que conseguem, pois veem que a demanda está alta", disse Jennifer Rumsey, presidente da Columbus, empresa sediada no estado de Indiana. "Acreditam que esta situação irá se estender até o próximo ano".

A diferença entre este grande aperto de 2021 e outras restrições de oferta que ocorreram no passado é a magnitude desta, e o fato de que não há nenhum fim à vista. Pequenas ou grandes, praticamente nenhuma empresa escapou. 

A Girteka Logistics, que possui a maior frota de caminhões da Europa, relata não estar conseguindo encontrar peças de reposição e nem atender à demanda. A fabricante de energéticos Monster Beverage Corporation, sediada em Corona, Califórnia, está tendo de lidar com uma escassez de latas de alumínio. A MOMAX Technology Ltd., sediada em Hong Kong, está adiando a fabricação de um novo produto porque não há semicondutores disponíveis no mercado. […]

No início de maio, o Índice de Commodities da Bloomberg alcançou o maior nível desde 2011. Um grande motivo para esta disparada das commodities é o fato de a economia dos EUA estarem se recuperando mais rapidamente do que as do resto do mundo. A evidência disso está literalmente flutuando no litoral da Califórnia, onde várias dezenas de navios porta-contêineres estão esperando uma vaga em qualquer porto — de Oakland a Los Angeles — para desembarcarem suas cargas.

A maioria destes produtos está vindo da China, cujos números divulgados pelo governo na semana passada mostram que os preços no atacado, em abril, subiram à maior taxa desde 2017, aumentando a evidência de que as pressões de custo nas fábricas daquele país podem ser repassadas aos varejistas e a outros consumidores fora do país.

Não obstante o tom um tanto alarmista da reportagem, o que estamos presenciando é simplesmente um abalo temporário em um fenômeno que já estamos vivenciando há uma geração: o modelo de fabricação e entrega just-in-time foi inesperadamente afetado por este cisne negro da Covid-19. 

Felizmente, é algo pontual.

Ao redor do mundo, os custos de estocagem foram reduzidos enormemente com a informatização e automação dos processos. A Walmart se tornou famosa por isso. As montadoras japonesas também. Com a informatização e a automação, os estoques — que representam um alto custo de produção — são mantidos nos níveis mínimos necessários. 

E então, em raras ocasiões, quando surge uma demanda inesperada no mercado, não há estoques suficientes para atender essa demanda. Ato contínuo, as empresas começam a se proteger. Elas passam a comprar mais do que realmente precisam e podem utilizar no momento. Elas têm de tentar reduzir seu risco.

Olhando em retrospecto — o que é sempre mais fácil —, eis o que aconteceu:

Temerosas de que 2020 seria um replay do colapso econômico de 2008-09, e também por causa dos lockdowns, várias fabricantes reduziram a produção e a capacidade instalada. O objetivo era reduzir estoques (que são um custo), pois se imaginava que, com o colapso econômico, as vendas de bens de consumo iriam desabar.

Só que, em vez de caírem, as vendas de bens duráveis como automóveis, móveis, motos e banheiras de hidromassagem aumentaram a taxas não vistas há décadas, graças a toda aquela expansão da oferta monetária.

No Brasil, por exemplo, em outubro de 2020, as vendas no varejo cresceram 8,4% em relação a outubro de 2019. As varejistas bateram recorde de receitas, ao mesmo tempo em que a produção nas fábricas caía 20% ao ano, graças aos lockdowns iniciais.

Porém, em vez de agressivamente aumentarem os cronogramas de produção após reabrirem as fábricas e adotarem todos os protocolos de segurança e saúde, as indústrias compreensivelmente permaneceram cautelosas. Várias mantiveram seus estoques de bens finais e de insumos em um mínimo.

Consequentemente, os pedidos se tornaram maiores do que os estoques e o cronograma de produção. Isso criou escassez e pressão nos preços

Do lado dos consumidores, as coisas não foram diferentes. Sem poderem gastar com lazer, férias, eventos esportivos, viagens, jantares em restaurantes e outras experiências, os consumidores passaram a gastar com reformas da casa, compra de carros novos e usados (as vendas bateram recordes no Brasil), novos smartphones, videogames, brinquedos e bicicletas. 

Nos EUA, o gasto com estes itens recreativos subiu mais de 25%, na média, durante a pandemia. A demanda por imóveis alcançou níveis não vistos desde 2006, no auge da bolha imobiliária, à medida que as taxas de juros historicamente baixas, as medidas de distanciamento social e a adoção do home office estimularam as famílias a procurar novas casas ou reformar suas atuais.

Não é nenhuma surpresa, portanto, que a explosão da demanda em conjunto com uma restrição na oferta — não só de bens finais, como carros, banheiras, sofás e móveis em geral, mas também de componentes, peças de reposição e matérias-primas utilizados em sua fabricação — tenha gerado desabastecimento e alta de preços. 

A escassez de insumos exacerbou o problema ao inibir o aumento da produção, levando a pedidos acumulados e mais pressão nos preços.

Nos EUA, a escassez mundial de semicondutores restringiu a produção de automóveis. Com menos carros novos nas concessionárias, os preços dos carros usados subiram 10% apenas em abril, ao passo que as tarifas de aluguel de carros subiram 16% (estão 50% mais caras em relação a antes da pandemia). 

A escassez de plásticos e resinas gerou um grande atraso nas entregas de móveis. Os preços da madeira triplicaram desde junho passado à medida que a demanda por construção residencial é maior que a capacidade das serrarias. 

Para completar, a obstrução do canal de Suez por seis dias intensificou tudo isso.

No Brasil, a indústria relata que a escassez de insumos está em nível recorde, como mostram estes gráficos do jornal Valor Econômico:

Captura de Tela 2021-05-27 a`s 15.13.33.png

Captura de Tela 2021-05-27 a`s 15.13.51.png

Hoje, as indústrias ao redor do mundo passaram a comprar mais insumos e matérias-primas para aumentarem seus estoques e atender a esta demanda. Isso está gerando uma enorme pressão nos preços das commodities.

Quando os estoque voltarem ao normal, e as fábricas e empresas pararem de aumentar seus estoques, esta redução da demanda tenderá a arrefecer os preços das commodities.

O desejável no curto prazo, portanto, seria acelerar este processo.

A solução: reabrir tudo

Neste contexto, um aumento da demanda por lazer, recreação, viagens, jantares, eventos esportivos e artísticos não só não seria um problema em termos de pressão inflacionária, como, ao contrário, seria a solução.

A forte queda observada nos gastos com estes itens durante a pandemia efetivamente financiou o aumento nas despesas dos bens duráveis.

À medida que os gastos voltarem a se normalizar, viagens, recreação, hotéis, saídas, cinemas, shoppings, jantares irão voltar a ocupar uma maior fatia do orçamento das famílias, levando a uma redução — ou mesmo um declínio — no consumo de bens duráveis, o que irá finalmente fornecer um espaço para as fábricas aumentarem a produção e fecharem o espaço que se abriu entre oferta e demanda.

Obviamente, a oferta monetária tem de parar de ser expandida pelos Bancos Centrais. No Brasil, felizmente, há indicativos de que isso já está acontecendo. Nos EUA, ainda não

Se a oferta monetária se estabilizar, aí sim o discurso de que a "inflação atual é transitória" realmente será correto. 

Para concluir

A explosão nos preços observada recentemente ao redor do mundo não está necessariamente ligada à reabertura de bares, restaurante e eventos esportivos, como muitos afirmaram. Ela está ligada ao grau em que fabricantes foram pegos de surpresa pela pandemia no ano passado. 

Isso é uma boa notícia, pois o problema pode ser temporário. À medida que os consumidores forem redirecionando seus gastos nos próximos meses, gastando menos com bens duráveis e mais com serviços, e as fábricas e empresas forem normalizando seus estoques, a inflação de preços realmente poderá se moderar.

Entretanto, caso a oferta monetária continue se expandindo ou caso haja novos lockdowns, tudo pode se perder.

Quem irá escolher, como sempre, serão os Bancos Centrais.


autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • 300esparta  27/05/2021 18:53
    Eu como lojista fiz o mesmo, estoquei o que pude de Maio 2020 até março 2021.

    Agora que acabou os 600 do governo, a demanda deu uma bela de uma caída, e já vejo fornecedores dando descontos, coisa que antes não existia mais.

    Mas mesmo assim, os produtos subiram em média uns 50% e agora alguns itens reduzem uns 5%....

    Vejo fornecedores de materias de contrução tb falando que acabou aquela demanda louca do ano passado e está tudo quieto, com alguns vendedores exigindo das fábricas alguma ação (vulto descontos) para ver se volta a vender.

    Mas não tem choro. Acabou o dinheiro (600), acabou o amor.

    Vai dar é uma bela parada diminuida daqui pra frente pelo que estou vendo escutando clientes/fornecedores.
  • Juliano  27/05/2021 18:54
    Muito obrigado pelas excelentes informações. Estava sentindo falta de um artigo como esse, que explicasse a súbita escassez e explosão nos preços das matérias-primas. Eu tinha dificuldade para entender a causa, porque as fábricas ao redor do mundo não estavam fechadas e nem os produtores de commodities pararam.

    Ótimo artigo.
  • Marcos  27/05/2021 19:02
    Sou da indústria química. A coisa correu o risco de parar por completo por falta de insumos.
  • Alexandre  27/05/2021 19:06
    Estava fazendo a construção de um muro, e tomei um susto com as dificuldades e preços dos materiais. Cidade de Itapecerica da Serra, grande SP. Ferro e cimento são os piores itens. Ferro em termos de encontrar e cimento em termos de preço.
  • Vinícius Lage  27/05/2021 19:17
    Trabalho na construtora da família. Preços estão nas alturas, algo que nunca foi visto. Estamos precisando programar todos os pedidos para não prejudicar os cronogramas das obras.

    Por outro lado, vendas à todo vapor e atualizações de tabela acima do INCC.
  • Pantaleão  27/05/2021 19:24
    Em minha região, no triângulo mineiro, o cimento subiu de 17 para 26 reais. Aço não entregam em menos de 40-60 dias. Faltam bitolas. Entre outras coisas. Mas o mercado voltou forte e estavam todos meio parados, portanto soma-se a demanda alta e estratégias de subida de preço.
  • Jader  27/05/2021 20:38
    Fui fazer a laje da garagem da minha casa e faltou ferro.
  • Henrique Batista  27/05/2021 20:44
    Também estava fazendo uma pequena reforma, e foi necessário ir em 5 lojas para achar cimento e telhas (Eternit). Falo de Blumenau-SC.
  • Pedro Lapenta  28/05/2021 00:35
    Também fiz reforma em casa. Pisos e outros materiais de acabamento, ou você aceitava o que tinha (na cor e no material disponível) ou aguentava 120 dias de espera. Preços de tijolos, cimento e ferro subiram demais, como outros falaram. Telha sanduíche teve uma semana que subiu 10%. Faltam materiais diversos e muito caros.
  • André C.  27/05/2021 19:07
    Tijolo em Manaus subiu 100% ano passado.
    O resto subiu 50%.
  • Vítor  27/05/2021 19:08
    Sou engenheiro civil e os valores dos insumos subiram muito nos últimos meses, eu destacaria os vergalhões de aço principalmente na medida de 10mm e 12.5mm que são os mais utilizados, cimento e perfis metálicos. Além do aumento nos preços os prazos de entrega estão muito altos.

    Acredito que no médio prazo os preços vão cair com a normalização da produção, porém não para o mesmo patamar anterior. Estamos sentindo uma melhora progressiva na construção e isso vai refletir nos preços dos insumos na minha opinião.
  • Dante  27/05/2021 20:37
    Tenho empresa de mineração de areia. Um dos insumos que mais utilizo, o aço (para tubulações, peneiras, chapas, etc..), teve um aumento de mais 50% e ficou em falta por muito tempo. Segundo a Gerdau, não havia matéria prima. Cimento e tijolo na mesma situação. Minhas vendas aumentaram 80%. Tivemos que aumentar os preços em 30%
  • Flávio  28/05/2021 00:43
    Industrial metal mecânica vem sofrendo com a falta de matéria-prima (aços planos e longos) e alta dos preços desde o início de agosto do ano passado. Os valores são reajustados semanalmente nas distribuidoras e as usinas já repassaram em torno de 30% de aumento.
  • Luís André  28/05/2021 00:38
    Na Construção Civil, inúmeros fornecedores ficaram sem material. Aço ficou em falta em todos os grandes distribuidores. Passaram a entregar em quantidades menores pra poder atender todos os clientes. Concreteiras com falta de cimento. Faltou também materiais básicos como pregos e arame.
  • Fernando Silva  27/05/2021 19:15
    No meu ramo, empresa de motores e materiais elétricos, tivemos falta de vários insumos, principalmente plástico e papelão. A oferta até que voltou, mas os preços estão pornográficos.
  • Tony  27/05/2021 19:32
    A indústria de cobre, como a Paranapanema, chegou a restringir pedidos, o que afetou o setor de refrigeração e o de fios e cabos, que além do shortage de cobre, sofre tbm com a falta de PVC. E lógico: o preços subiram mais de 50%.
  • Ramiro  27/05/2021 19:34
    Um conhecido meu trabalha fabricando aqueles copos plásticos para eventos, tava me contando ontem do aumento absurdo que houve na matéria prima. Exemplo, um copo que antes saía a 0,58 centavos, hoje não vale a pena se sair por menos de 0,95 centavos.
  • Bianco  27/05/2021 20:43
    Na minha empresa, até o fim de novembro passado, não conseguimos encontrar polietileno, polipropileno, acetato de polivinila, papelão, papel, etc… Só começou a melhorar em março agora...
  • David  28/05/2021 00:33
    Espuma ficou em falta no mercado de estofados no fim do ano... Quem comprou sofá em outubro do ano passado, só começou a receber em março desse ano.
  • Thiago Masukawa  28/05/2021 00:45
    Sim, para a indústria moveleira faltou espuma de poliuretano (ind. Química), madeira, MDF, alumínio, aço, poliéster, algodão. Oferta de matéria prima caiu e demanda subiu muito.

    Isso gerou redução de produtividade e alta nos custo.

    É mais fácil perguntar o que tem no mercado do que o que está em falta.
  • José Fibo  28/05/2021 00:30
    Continuo com os mesmo problemas em relação a embalagens. Papelão e isopor. A fila diminuiu mas os custos aumentaram.
  • Stalin  27/05/2021 19:10
    mises.org/wire/why-there-no-correlation-between-masks-lockdowns-and-covid-suppression
  • Lembrando...  27/05/2021 19:45
    sensoincomum.org/2021/04/30/em-fevereiro-de-2020-folha-disse-que-lockdown-nao-teria-efeito/
  • Bernardo  27/05/2021 19:14
    Minha mulher está grávida e fui comprar um berço Jequitibá. O mais barato estava R$ 4.200. O que eu queria estava R$ 6 mil. A justificativa dada foi o preço da madeira.
  • Brejeiro  27/05/2021 19:19
  • Márcio  27/05/2021 19:24
    É exatamente por isso que tem acabar com essa palhaçada de dinheiro farto e barato. Essa explosão na demanda é totalmente irreal. O Banco Central tem de voltar urgentemente aos seus sensos.
  • Anti-BC  09/06/2021 23:27
    O BC alguma vez teve "os seus sensos"?
  • Goiano  27/05/2021 19:26
    Geral acha que o agronegócio está nadando de braçada, mas a verdade é que a situação é complicada no campo. Fertilizantes e maquinários em falta. Fora outros insumos que já eram mais caros no campo (cimento, vergalhão e etc). Em falta ou com preço absurdo.
  • Wellington  27/05/2021 19:27
    Tá faltando pedras de paralelepípedo para pavimentação de ruas aqui no interior da Bahia. Ninguém encontra nada, e quem encontra tem que pagar preços absurdos.
  • Humberto  27/05/2021 19:30
    Cara, o trabalho de extração é degradante pra kct, não surpreende o cara abandonar a jazida enquanto tinha auxílio emergencial.
  • Tito  27/05/2021 19:29
    Tenho uma confecção e trabalho com tecido em TNT, o preço do metro dobrou, o pagamento para o fornecedor tem que ser a vista e muitos fornecedores sequer estão entregando, após o pagamento eles liberam para retirarmos o tecido na fábrica.
  • Renan Vieira  28/05/2021 00:29
    Meu pai que vende vestuário já ligou reclamando do preço.

    Meu tio que vende roupas de cama ficou até feliz no final do ano passado porque a empresa conseguiu fazer um estoque antes do caos, mas não resistiu por muito tempo. Precisou renovar o estoque e teve até que vender o fígado.
  • Gustavo A.  27/05/2021 19:33
    Poderíamos ter mais facilidade na abertura da economia se o boçal que comanda o país tivesse comprado vacinas...
  • Justo e Imparcial  27/05/2021 19:43
    1) A primeira vacina do mundo foi aplicada em dezembro de 2020, no Reino Unido.

    2) O Brasil é hoje um dos países que mais rapidamente vacina, à frente de toda a América Latina (com exceção do Chile) e dos Brics. Segundo dados divulgados pela própria imprensa, quem está realmente atrasado no cronograma são os governos estaduais.

    3) A reabertura da economia no Brasil não está diferente da da Europa, e nem da de estados democratas nos EUA.

    4) O país mais avançado do mundo em termos de vacinação é Israel. E nem mesmo lá Paulo Gustavo, de 43 anos, já teria sido vacinado em fevereiro, quando ele foi internado.

    5) Fora teorias da conspiração, não há nenhuma evidência de que o governo federal recusou vacinas. (Antes de gritar "ah, mas a Pfizer…", pesquise sobre o que realmente aconteceu).

    Em suma, não há evidências que sustentem sua afirmação.
  • Miscelânea  27/05/2021 19:45
    A Pfizer fez exigências bizarras ao governo federal (que, se aceitasse, seria tolo e corretamente criticado como "arregão").

    www.poder360.com.br/coronavirus/pfizer-diz-que-nao-vendera-vacina-ao-brasil-se-governo-nao-aceitar-condicoes/

    Apenas após um Projeto de Lei é que isso foi resolvido.

    www.poder360.com.br/congresso/pacheco-diz-que-solucao-legislativa-pode-destravar-vacinas-de-pfizer-e-jensen/

    Algumas das demandas estapafúrdias que a Pfizer fez ao Brasil para vender a tal vacina:

    O Brasil renuncia à soberania de seus ativos no exterior em favor da Pfizer; que as leis brasileiras não sejam aplicadas à Pfizer; que o Brasil leve em consideração atraso na entrega; que a Pfizer não seja penalizada por um atraso na entrega; e que, em caso de quaisquer efeitos colaterais, a Pfizer esteja isenta de qualquer responsabilidade civil.

    É certo que se o Bolsonaro tivesse "aberto as pernas" para a Pfizer e cedido logo na primeira oferta, ele teria sido acusado de entreguista, lacaio do Trump, vassalo dos EUA, pelos mesmos que hoje estão cobrando a falta da vacina.

    Sem falar que também estaria cometendo crime de responsabilidade.

    Adendo: os europeus que aceitaram essas exigências absurdas (Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda) querem processar as companhias farmacêuticas (Pfizer, Astra/Zeneca) porque "foram obrigados" a assinar tais contratos.
  • Jeferson Vasquez  29/05/2021 19:11
    O ''presidente'' da Argentina, recusou a da Pfizer pelos mesmos motivos! Então.......................
  • Vagner  30/05/2021 21:52
    Bolsonaro recusa Pfizer em um primeiro momento"
    "Genocida! Quer matar os pobres! Pior presidente da história do Brasil!"

    Fernández recusa Pfizer:
    "Como é bom ter presidente que não abaixa a cabeça para laboratórios de potências imperialistas".
  • Fabrício  30/05/2021 22:28
    O detalhe é que o Fernandez apresentou a mesma justificativa em uma entrevista: a Pfizer estava fazendo exigências desmedidas.




    A grande mídia brasileira silenciou-se (afinal, eles próprios disseram "invejar a Argentina", pois "lá tem presidente"). Sobrou apenas para os veículos periféricos dar a notícia.

    www.poder360.com.br/coronavirus/pfizer-me-pos-em-situacao-muito-violenta-de-demandas-diz-alberto-fernandez/

    www.gazetadopovo.com.br/mundo/vacina-da-pfizer-foi-testada-na-argentina-por-que-o-governo-ate-hoje-nao-comprou-nenhuma-dose/
  • Revoltado  31/05/2021 16:27
    Bolsonaro aceitando as exigência da Pfeizer:

    "Lacaio dos imperialistas! Além de ser genocida com o povo, ainda quer dar muito dinheiro à indústria farmacêutica neoliberal capitalista exploradora! Por quê não fez igual o Fernández lá da Argentina?"

    Alías, eis um grande exemplo de como lockdowns severos são bem-sucedidos. A quem aprecia futebol, a notícia é quase fresca:

    esportes.r7.com/prisma/cosme-rimoli/argentina-desiste-copa-america-suspensa-e-pode-ser-cancelada-31052021
  • anônimo  31/05/2021 20:27
    Notícia de algumas horas:

    globoesporte.globo.com/futebol/copa-america/noticia/copa-america-em-reviravolta-conmebol-decide-sediar-torneio-no-brasil.ghtml

    E pra variar, atacando o governo Bolsonaro.
  • Marcelo  31/05/2021 20:43
    Esse chilique da Globo é compreensível. Perderam os direitos de transmissão para o SBT.

    Aliás, a Globo não se opõe às Eliminatórias, à Libertadores, à Sul-americana, aos Brasileiros séries A, B, C e D, aos estaduais e à Copa do Brasil. Apenas a Copa América (do SBT) é que transmite Covid.

    Meia dúzia de times em um hotel, 2 semanas de competição e rios de dinheiro não pode. Mas pode um brasileirão todo cagado com time jogando no Nordeste no domingo e no interior do Sul na terça/quarta!

    Bando de hipócritas!
  • Rubens  27/05/2021 20:33
    Ainda tem alguém defendendo o fique em casa, debaixo da cama e em posição fetal? Refiro-me a homens de verdade, e não de geleia.
  • Revoltado  28/05/2021 20:38
    Homens de verdade de fato, não...
    Em contrapartida, feministos lulistas continuam fazendo o mesmo desde 2020.
  • Jeferson Vasquez  29/05/2021 04:07
    E chupando o dedo. ENXADEX neles. Peça pro Claudio Lessa esse ''remédio''!

    Abraço!
  • Supply-sider  27/05/2021 21:01
    Ótimo enfoque da economia pelo lado da oferta. Como eu mesmo nunca canso de repetir aqui, toda e qualquer solução econômica sempre passa pelo lado da oferta.
  • Daniel  27/05/2021 21:42
    Economia aberta, livre comércio, moeda estável, preços livres, e liberdade de se empreender. Num cenário assim, nunca haverá desabastecimento.
  • BACEN  27/05/2021 23:06
    Então o nosso BACEN esta tendo LUCIDEZ? Será que ouviram o Instituto? Ai é mais uma oportunidade que iremos perdeer, enquanto o mundo inflaciona e desvaloriza, a gente freia no monetário
  • Felipe  27/05/2021 23:53
    Lembro de quando comparei esse índice de preços ao produtor do Brasil com outros países. Aqui o negócio disparou já no ano passado, enquanto na Alemanha o índice subiu só mais recentemente. Interessante mencionar o Equador, que está tendo deflação até nesse índice. O país está tendo deflação de preços há dez meses. Guillermo Lasso tem uma encrenca pela frente, mas poderia estar pior. Os equatorianos pelo menos estão vivenciando quedas de preços. Seu futuro ministro da Economia (que ainda não assumiu), está falando da necessidade de reformas trabalhista, previdenciária, tributária e alfandegária. Se ainda estivessem com o sucre, hoje estariam piores do que a Venezuela. O índice de preços ao produtor no Peru, em abril (acumulado dos últimos doze meses), subiu 5,87 % (valores brutos aqui, pois não há gráfico com a variação percentual). Não preciso nem falar como vai ficar esse índice para o Brasil, quando sair os dados (só temos até o mês de fevereiro). A Bolívia, por enquanto, também está com os preços bastante contidos. O Equador talvez seja uma exceção. Será?

    O real brasileiro deu uma ligeira fortalecida nesses últimos dias.
  • Felipe  28/05/2021 02:29
    "Fitch mantém nota de risco do Brasil em perspectiva negativa"

    Para quem quiser ver o documento da Fitch na íntegra, ele está disponível aqui.

  • Antônio Carlos  28/05/2021 00:47
    Tenho padaria. Faço os pedidos normais para as distribuidoras, e os pedidos quase sempre vem faltando mercadoria, por falta no estoque das distribuidoras. Falta papel e plástico para embalagens.
  • Paulo  28/05/2021 01:47
    Quando eu penso que entendi o fenômeno da inflação, vem um artigo do Mises me mostrar que ainda tenho o que aprender;
    Considerar a mudança de demanda; o óbvio, que é difícil de perceber as vezes
  • Régis  28/05/2021 03:56
    Durante os lockdowns, os mais produtivos mantiveram emprego e renda. Sem ter muito com o que gastar — sem poder viajar, ir para hotéis fazenda, sair para jantar, ir a bares, shoppings, cinema —, e com grande redução nas mensalidades escolares, a poupança forçada que acabaram fazendo foi significativa.

    Esse dinheiro poupado acabou sendo desviado para a compra de bens duráveis e para a reforma da casa. E isso foi no mundo inteiro.

    Tenho uma prima que é decoradora. Ela disse que foi a primeira vez na vida que ela recusou serviço, pois simplesmente não havia mais espaço na agenda, tamanha era a demanda.

    Mestres de obra e pedreiros relataram o mesmo. Nunca tiveram tanta demanda.

    Daí você entende a explosão nas matérias-primas, que é um fenômeno mundial.
  • Rafael Leite  28/05/2021 04:54
    Trabalho no ramo de telhas de fibrocimento. As vendas estão indo muito bem mesmo com o aumento do preço, a produção está na força máxima, mas há uma dificuldade muito grande na compra de matéria prima, principalmente o cimento, cujo preço já subiu quase 60% em um ano.
  • Felipe  28/05/2021 23:57
    Interessante mencionar de que, além de o real estar se valorizando mundialmente (inclusive em relação a moedas como franco suíço e iene japonês), os juros longos deram uma caída, para 8,87 %. Será que os investidores ficaram mais confiantes?
  • Trader  29/05/2021 00:03
    A queda foi bastante recente, coisa de três dias pra cá. No geral, os juros longos continuam muito acima de onde estavam, por exemplo, em 2019, quando a Selic era bem maior.

    Vide o DI 2031.

    ibb.co/bQHdnv0
  • Brasil no futuro  29/05/2021 02:32
    O nosso Banco Central caiu na real? Escutou o IMB ou o que? Se for isso mesmo e os EUA continuar ate o fim do ano (que é o esperado) com esse afrouxamento quantitativo (me corrija se não for essa expansão monétaria denominada), o que será de nós? Dolar a 3 reais? Os juros aqui ficarão entre 5,25 a 6 pelo dito né, a inflação algo de 5 a 6 também.
  • Trader  29/05/2021 13:53
    Se continuar assim, há uma grande probabilidade de o dólar voltar para R$ 4,60.

    Mas não é sensato acreditar que o Fed continuará assim.
  • Artista Estatizado  29/05/2021 14:05
    Mas dólar a R$ 4,60 seria indicação de força do real ou fraqueza do dólar? Com um Biden radical no comando, não seria mais recomendável começar mais a prestar mais atenção no valor do Euro ou Franco Suíço?
  • Trader  29/05/2021 14:32
    "Mas dólar a R$ 4,60 seria indicação de força do real ou fraqueza do dólar?"

    Ambos.

    Pela análise gráfica, só podemos falar de "real forte" se ele cair para menos de 4 dólares. Veja a linha diagonal inferior do gráfico.

    ibb.co/N381B9G

    "Com um Biden radical no comando, não seria mais recomendável começar mais a prestar mais atenção no valor do Euro ou Franco Suíço?"

    Ajuda. Mas, no final, todas estarão atreladas ao dólar. Nenhum BC irá deixar sua moeda se valorizar muito em relação ao dólar, pois o lobby exportador reclama. E ele é poderoso.
  • Bolsodilma ciroguedes  30/05/2021 00:34
    preste atenção no ouro e no bitcoin. o franco suíço é bom ( a suica é libertária e estável)mas tá meio fora das possibilidades de conseguir investir.
  • Felipe  30/05/2021 14:56
    Por que não seria sensato?
  • Trader  30/05/2021 20:27
    Não é do interesse dos burocratas do Fed destruírem o dólar. Os burocratas têm pensão em dólares. Eles querem se aposentar e viver uma vida nababesca. Eles não conseguirão fazer isso se destruírem o dólar.

    Eles irão expandir a oferta monetária até o ponto em que isso mantiver os ativos, como ações, valorizados. Após esse ponto, eles não têm interesse em afetar o dólar, pois isso afeta diretamente o padrão de vida deles.

    Eles não querem deflação, fato. Mas também não têm interesse em inflação de 5% ao ano durante vários anos.
  • Felipe  30/05/2021 20:38
    Leandro disse isso há quase 10 anos...

    Tem como colocar esses burocratas no BCB? Do jeito que o índice de preços aqui está em disparada...
  • Trader  30/05/2021 22:17
    Gerentes BCs latino-americanos não ligam para a destruição da moeda nacional, pois estão quase todos dolarizados. Já os membros do Fed não têm esse "luxo". Por isso a alta inflação em países em desenvolvimento é muito mais comum do que nos EUA ou em países europeus. Aliás, depois da hiperinflação alemã, nenhum outro país do Ocidente (de primeiro mundo) vivenciou hiperinflação.
  • Felipe  31/05/2021 13:45
    O que exatamente seria esse "luxo"? Uma situação na qual os burocratas do Federal Reserve System usassem uma outra moeda doméstica ao invés do dólar americano?
  • Trader  31/05/2021 13:49
    Sim. Uma coisa é o burocrata argentino destruir o peso sabendo que está seguro no dólar. Outra coisa, completamente diferente, é o burocrata americano destruir o dólar. Para onde ele irá correr? Em que moeda irá se refugiar?
  • Felipe  01/06/2021 17:55
    Minha preocupação é se, caso Pedro Castillo ganhar, se ele vai revogar o curso legal do dólar. Isso certamente levaria o nuevo sol peruano para o buraco.
  • Felipe  29/05/2021 15:37
    "Temerosas de que 2020 seria um replay do colapso econômico de 2008-09[...]"

    Eu lembro pouca coisa do que foi a crise dessa época, pois eu ainda era pré-adolescente. Entretanto, lembro da Gripe Suína e de que o Brasil não foi tão atingido assim. O governo não interferiu muito, deixou os preços e salários caírem e então a economia voltou pouco tempo depois. Infelizmente isso durou pouco e veríamos a década perdida de 2010.

    O que foi exatamente esse colapso econômico de 2008-2009?
  • Gustavo  29/05/2021 23:28
  • Felipe  30/05/2021 00:10
    Claro que sim, inclusive eu li várias coisas à respeito daqui mesmo do IMB. Acho que devo ter entendido outra coisa.
  • Marcos  29/05/2021 15:49
    Surpreendentemente, e há poucas horas atrás, a RT (Russian International Television Network), um dos 5 maiores veículos de mídia do planeta, estampou em sua primeira página a seguinte matéria:

    "I'm a doctor, but Covid's broken my faith in medical research. I can't believe anything I read or accept any mainstream facts." ("Eu sou Médico, mas o CoVID já quebrou a minha fé na pesquisa médica. Eu não posso acreditar em nada do que eu leia ou aceitar qualquer narrativa de fatos da grande mídia.").

    O tópico está fervendo! Comentários chegando dos quatro cantos do planeta.

    Definitivamente, já não há mais como sustentar essa farsa de "pandemia" de araque que está arrebentando com a economia do mundo.

    Basta ler a matéria e alguns poucos comentários para se ter a certeza inequívoca de que, realmente, se trata da maior Fraude Científica, política, econômica, ideológica, e outras mais, de toda a História!

    Para quem se interessar: www.rt.com/op-ed/525071-doctor-covid-medical-research/

    Fim dos tempos!
  • Felipe  05/06/2021 22:37
    Equador continua surpreendendo... os seus dados de maio já saíram: o setor alimentício viveu uma deflação de preços de - 3,19 %. Peru ficou com 2,06 %, Paraguai com 6,08 % e Uruguai com 4,56 %. Chama a atenção o Uruguai. O índice despencou. O que será aconteceu lá? Milagre?

    Recentemente o país mudou a sua política monetária, coisa ocorrida no segundo semestre do ano passado. Será que foi por causa disso?
  • Bolsodilma ciroguedes  06/06/2021 00:28
    Equador ficou décadas no esquerdismo, rendendo menos do que poderia , encolhendo. ae quando mudam a politica ocorre uma recuperação, por isso os preços encolhem.
    mesmo assim proporcional mente o Equador sempre ganha do Brasil. o Brasil tem uma burocracia soviética. flerta com seu subdesenvolvimento.
  • Felipe  07/06/2021 14:58
    Falando em índice de preços, vejam que interessante a fala da Yellen:

    "Yellen Says Higher Interest Rates Would Be 'Plus' for U.S., Fed"

    Na prática ela está dizendo que, mesmo que esse plano de gastança do Biden de US$ 4 trilhões resulte em juros mais altos, seria bom para os Estados Unidos, caso eu tiver entendido corretamente.
  • Felipe  07/06/2021 21:28
    "Russia says it will remove dollar assets from its wealth fund"

    O que vocês acham que isso pode significar na prática? Eles irão trocar os dólares do Russian National Wealth Fund por ouro, renminbi e euro. O governo iraquiano tentou sair do dólar e ir para o euro, e coincidentemente ou não, Saddam Hussein foi tirado de lá pelo governo americano.

    O que seriam exatamente os tais dos "petrodólares"?

    O que pensam à respeito?
  • Leandro  08/06/2021 00:40
    Será interessante. Sempre que um país descarta o dólar no comércio internacional, ocorre um tumulto geopolítico. Tão logo Saddam Hussein anunciou que pretendia vender petróleo em euros, e não mais em dólar, o país foi invadido. Quando Muammar al-Gaddafi anunciou que iria descartar o dólar e que os países da União Africana iriam utilizar um dinar lastreado em ouro, a Líbia foi invadida e ele foi empalado.

    O Putin agora está abertamente chamando o Biden para a briga. A queda do índice DXY certamente foi, ao menos em parte, causada por isso.
  • Felipe  08/06/2021 02:09
    Já faz alguns anos que o governo russo tem feito isso. De certa forma é saudável que haja uma divisão de poderes no mundo. Se o poder ficar muito concentrado em um governo só, isso dá problema (como foi com as Guerras Napoleônicas).

    Por coincidência, o governo salvadorenho quer que o Bitcoin tenha curso legal no país. Caso a lei passar, será o primeiro país do mundo a ser oficialmente dolarizado e "bitcoinizado".

    Legal esse artigo, mais interessante ainda o fato de que ele foi escrito há quinze anos. Agora finalmente sei o que seria o tal do "petrodólar".

    O que seria exatamente o Banco Central dos EUA exportar inflação? Imagino que seja o seguinte: o Fed imprime dólares, desvalorizando a moeda. Só que isso irá fazer com que as moedas dos outros países se valorizem em relação ao dólar. Então, para conter essa valorização, esses países irão aumentar a quantidade de suas moedas em circulação. Pelo que eu saiba, o Bundesbank foi o único banco central do mundo que mais tentou seguir à risca a sua busca por uma moeda forte. Seria isso?

    Faz tempo que não vejo textos sobre esse tema das intervenções do governo americano. Essa ideologia neoconservadora está no governo americano até hoje (e muita gente de direita do Brasil apoia também essa agenda). Apesar que o governo venezuelano está aí até hoje, assim como o iraniano.

    Ainda bem que o governo brasileiro normalmente não dá bola para essas intervenções militares. Senão seria mais outra causa para a destruição da moeda.
  • Introvertido  08/06/2021 04:15
    "Já faz alguns anos que o governo russo tem feito isso. De certa forma é saudável que haja uma divisão de poderes no mundo. Se o poder ficar muito concentrado em um governo só, isso dá problema (como foi com as Guerras Napoleônicas)."

    O grande problema de se haver um superpotência é que, quanto mais poderosa ela for, maior será á sua insistência em manter uma hegemonia ao seu redor, baseada em seu próprio governo, porém também não soa propício haver duas superpotências, ambas provavelmente irão começar á perfurar á hegemonia uma da outra, e é isso que está acontecendo entre á China e os EUA.

    China está consolidando cada vez mais sua hegemonia na Ásia e no restante do oriente, e os EUA estão tentando manter sua própria hegemonia no ocidente e em alguns paises-chave do oriente, e é so questão de tempo até que á China supere os americanos, devido á sua população muito mais elevada.

    Existem dois principais requisitos dos quais um país precisa para estabelecer hegemonias: Poderio militar e uma moeda influente, duas coisas possibilitadas apenas por meio de uma econômia robusta e de uma grande população para tributar, os Chineses já perceberam que precisam de ambas, porém os políticos de lá ainda estão delirando, pensando que o renminbi irá superar o Dólar do jeito que está.
  • Analista de Risco  08/06/2021 12:11
    O que seria exatamente o Banco Central dos EUA exportar inflação?

    Aqui:

    Como o Fed gera ciclos econômicos também nas economias emergentes
  • WMZ  09/06/2021 01:55
    Pessoal, sobre o caso dos "EUA exportarem inflação", eu li no QUORA um doutor falando que o "padrão-dollar" é um FARDO EXORBITANTE em vez de ser um privilégio exorbitante.

    A tese dele tem um viés "empreguista" (estranho, nos governos Obama2-Trump, as taxas de desemprego foram um das menores da história em tempos de paz)


    "Yes indeed. Having a huge inflow of money in the financial account inevitably causes the country to have a deficit in the current account, ie a trade deficit. That means people who might've been employed making things at home lose their jobs to imports. The US government then loses the tax income that it would've gotten by taxing them, and indeed may have to increase expenditure in the form of welfare payments. We can make those payments though because foreign investors buy our Treasury bonds.

    In other words, foreign countries are putting US citizens out of work, but lending us the money to pay for their welfare payments. Is this a good deal?

    If it is an advantage for the US, why aren't other countries clamoring for the same deal? Why is it that on the contrary, many countries fight to prevent their currencies from appreciating, which is what would happen if a lot of other countries started buying their bonds?"

    Parece que esse cara se formou numa facul do terceiro mundo mas os do terceiro mundo acreditam que o dólar é um privilégio exorbitante
  • Introvertido  08/06/2021 01:51
    Olhando do ponto de vista geopolítico, á Russia está claramente desafiando á hegemonia dá moeda americana, talvez os EUA agora comecem á investir nos grupos separatistas e revolucionaristas russos, pois eu não acho que o Biden irá cair na briga diretamente com o Putin, mas também não irá permitir que tal decisão saía por um preço barato.

    Também é possível que o Biden inclua á Rússia como outro alvo de embargos comerciais em sua coalizão global anti-China em resposta á isso.

    Nem preciso dizer que, seja lá o que for, muitas economias serão enfraquecidas ou até mesmo destruídas durante esse possível processo de retaliação.
  • Bolsodilma ciroguedes  08/06/2021 13:46
    A briga com a Rússia é boa. A diferença dela pro Iraque é que ela não é borra botas como este. E uma guerrinha com Iraque deu uns 2 trilhões de prejuízo em gastos. Com a Rússia pelo menos 10 vezes maior, não compensa uma guerra. E se o rublo se valorizar diante do dólar, nem economicamente os EUA bloqueiam a Rússia.

    As pretensões de instalar uma TMM caem, porque pra fazer o golpe seria necessário que todas as nações do globo o fizessem ao mesmo tempo.

    Com uma potência como a Rússia fazendo outro jogo, fica contrastado como a TMM é danosa. Se outras economias fortes não o fizerem também, os EUA ficam isolados e se auto destroem. Acabam as pretensões do Joe Bode.
  • Felipe  08/06/2021 14:27
    Vejam que legal, achei um vídeo de 1968 explicando o que é inflação, feito no próprio Brasil. O Mário Henrique Simonsen participou do roteiro dele. O que acham? Pelo jeito eles sabiam mais do que muito economista de hoje em dia...

    E pensar que os militares poderiam ter feito uma reforma monetária de verdade...
  • Advogado do Tinhoso  08/06/2021 17:16
    Que relíquia, Felipe!

    Apesar dessa explicação ortodoxa, foi o próprio Simonsen, no final dos anos 60, que criou as bases do que mais tarde viria a ser conhecida como "inflação inercial". Transferiu-se, com isso, a culpa pela inflação do governo para os empresários e consumidores.
  • Leandro  08/06/2021 18:14
    Muito bom o vídeo.

    Até a década de 1960, era senso comum definir inflação como "aumento da oferta monetária". Inclusive, o dicionário Aurélio do fim da década de 1980 ainda definia inflação como aumento da oferta monetária.

    As experiências europeias com hiperinflação na década de 1920 — exatamente quando o padrão-ouro havia sido suspenso e os governos passaram a imprimir moeda livremente para bancar guerras — reforçaram ainda mais esta noção. Inflação é aumento da oferta monetária.

    Aumento de preços era apenas uma das consequências da inflação.

    Foi só com a abolição do que restava do padrão-ouro, em 1971, que essa definição correta de inflação começou a ser substituída pela definição chicago-keynesiana de que inflação é "aumento de preços".

    E aí tudo mudou.

    Se inflação é "aumento da oferta monetária", então a solução óbvia é controlar a oferta monetária, e o culpado óbvio é o governo. Porém, se inflação passa a ser "aumento de preços", então a solução óbvia passa a ser qualquer coisa que envolva desde controle de preços a até mesmo medidas que visem a reduzir a demanda tanto dos consumidores quanto dos empreendedores. E os culpados óbvios pelo aumento de preços passam a ser o empreendedor e o comerciante. O governo é apenas um observador inocente.


    P.S.: naquela época, como o mercado de capitais era ainda bem pouco desenvolvido, e dado que tínhamos um histórico de calotes e não havia nenhuma previsibilidade quanto à inflação futura (monetária e de preços), não era seguro emprestar para o governo. Por isso que os déficits, ao contrário de hoje, eram majoritariamente financiados via emissão monetária.
  • Felipe  08/06/2021 19:59
    Sim, o governo se financiava mais por senhoriagem. Com as reformas após 1964 é que os títulos governamentais passaram a ser mais atrativos. Escrevi um artigo falando sobre isso, logo deve sair.

    Perderam a oportunidade de trazer o Brasil para a prosperidade...
  • Felipe  08/06/2021 23:10
    "Câmbio já fez 'overshooting' e dólar não deve voltar a R$ 5,60 – R$ 5,80, diz Guedes"

    Com essa fala dele, será que o dólar irá ficar nesse patamar de agora? O que acham?
  • Emerson Luis  09/06/2021 13:58

    23h58 "Fecha tudo! Fique em casa! A economia a gente vê depois!"

    23h59 "O governo queria dar só R$300 de auxílio, o congresso impôs R$600! Que vergonha! Devia ser R$1000!"

    00h00 "Produtos faltando? Preços disparando? Céus! Que surpresa! Quem poderia imaginar?"

    * * *
  • Felipe  09/06/2021 15:39
    O índice de preços (IPCA) fechou esse mês de maio em 8,06 % (acumulado dos últimos doze meses), maiores valores desde outubro de 2016 (quando chegou a 7,87 %).

    Defensores dos juros negativos e keynesianos nos devem explicações.
  • Trader  09/06/2021 15:49
    Foi até pior do que a previsão pessimista feita aqui, de 7%.

    www.mises.org.br/article/3315/irresponsabilidade-monetaria-e-inflacao-acima-da-meta%E2%80%94eis-o-principal-risco-de-curto-prazo

    Neste exato momento, temos IPCA acumulado em 12 de 8% e CDI acumulado nestes mesmos 12 meses de 2,16%. Isso dá juros reais de bizarros -5,40%.

    Sim, juros reais negativos de 5,40%!!!

    É isso o que derruba presidentes e governos. É isso o que leva à ascensão de radicais de esquerda.

    Tudo porque um alucinado ultra-keynesiano no comando do Banco Central achou que tínhamos virado a Suíça.

    E o cidadão, ainda em setembro do ano passado, tava brincando de "forward guidance", com medo de a inflação ficar abaixo do piso da meta. Parece piada…
  • Felipe  09/06/2021 16:18
    Eu já esperava um IPCA pior do que 7 %. A nossa moeda desvalorizou muito, perdendo valor até para guarani paraguaio e peso colombiano. Agora é que ela valorizou, mas isso não apenas não reverte os estragos na totalidade, mas também aqui continua sendo um país imprevisível. Basta explodir o número de mortes de coronavírus e o câmbio dispara.

    Se dependesse de mim eu elevaria, na próxima reunião, diretamente para 10 %. Pessoal que estava xingando o Ulrich no Twitter deveria se desculpar.
  • Felipe  09/06/2021 16:30
    Estamos piores do que Uruguai, México, Paraguai, Chile, Colômbia, Peru, Costa Rica e Equador. No ranking na América Latina, devemos perder apenas para Haiti, Suriname, Argentina e Venezuela.
  • Ninguém  09/06/2021 20:34
    Prezado Trader

    "É isso o que derruba presidentes e governos. É isso o que leva à ascensão de radicais de esquerda.
    Tudo porque um alucinado ultra-keynesiano no comando do Banco Central achou que tínhamos virado a Suíça."

    Seguindo a lógica...
    Esse alucinado, que está a mando do ministro da economia, que está a mando do presidente da república, ou seja, quem está se entregando de bandeja, se não o próprio governo?

    Não será tudo uma única estratégia?
  • Trader  09/06/2021 21:06
    Qual a sua tese? Diga mais claramente. Meu ponto é que foi uma escolha errada para o BC (muito melhor seria manter Ilan Goldfajn). Qual a sua teoria?
  • ninguem  09/06/2021 22:17
    De maneira alguma, quero desmerecer o teu ponto.

    O que acho é simples, não existe governo A ou governo B, não existe esquerda ou direita. O que existe é o "Establishment" e esse joga de acordo com a necessidade dos envolvidos, naquele determinado momento, essa é minha teoria.

    Logo não existem culpados mas sim os envolvidos, que estarão desempenhando um determinado papel, em um determinado momento, enquanto a ordem estabelecida não seja abalada.
  • Introvertido  10/06/2021 00:06
    "O que acho é simples, não existe governo A ou governo B, não existe esquerda ou direita. O que existe é o "Establishment" e esse joga de acordo com a necessidade dos envolvidos, naquele determinado momento, essa é minha teoria."

    Estás correto, porém estarás enganado se por acaso pensas que o jogo se resume apenas á isso, os políticos não são controlados pelo Establishment, porém ainda sim á maioria deles possuem seus próprios interesses, que, quando interligados com o desejo dá elite empresarial, forma o que nós chamamos de "Lobbysmo".

    O que está acontecendo no Brasil atual é simplesmente isso: Político de direita entraram no executivo, porém o legislativo e o judiciário estão dominados por políticos interesseiros, que irão fazer de tudo para beneficiar tanto os seus amigos empresários como á si mesmos nas reformas que rodam pelo congresso, daí às privatizações atuais que beneficiam apenas o Establishment.

    Já os esquerdistas são lobbystas por definição, e irão colaborar com esses políticos lobbystas, quando um governo assim emerge, sempre deixa estragos profundos para trás.

    No fim, quem dita às regras é o Establishment, o jogo político dá democracia brasileira só faz parte, para assim poder manipular às massas, que pensam, por sua vez, que estão controlando todos os políticos.

    Á solução mínima para esse buraco que nós estamos é por meio de uma nova constituição e de uma reforma absoluta dá estrutura política, de forma que o Establishment não esteja mais tanto no controle, enquanto o ideal seria uma total secessão de todos os Estados Brasileiros, ou um sistema federalista igual á da Suíça, só que mais descentralizado ainda, ambas iriam facilitar e muito uma transição do sistema político estatal para o sistema anarcocapitalista.
  • Bolsodilma ciroguedes  09/06/2021 20:55
    sim . os juros estão excessivamente muito Baixos
  • anônimo  09/06/2021 21:51
    IPCA vai cair, assim como caiu em 2002 quando o dólar retrocedeu.

    No Brasil juros controlam o cambio e cambio controla a inflação. Não é algo tão instantâneo como na Argentina, em que dólar sobe hoje e a inflação sobe na semana seguinte, porque aqui é tudo indexado. Aqui o dólar sobe, daí impacta um ou outro custo e nos 24 meses seguintes os reajustes vão acontecendo pela indexação. Quando o dólar disparou em 2002 levou junto o IPCA para um pico de 17% em 12 meses. Logo depois o dólar recuou e, pouco tempo depois, o IPCA veio junto.

    Por isso não me preocupa essa escapada agora. Dólar subiu, inflação subiu, produção explodiu, balança comercial ficou extremamente superavitária e já está derrubando o dólar mesmo com juros ainda bem negativos.

    O que está permitindo o Brasil se recuperar tão rapidamente é justamente o cambio fraco. Todo setor agro e industrial está produzindo como há uns 15 anos não produziam. Estão gerando emprego a rodo. Nas cidades do sul sobra emprego - basta ver os dados recentes do CAGED.

    Ao contrário do que o IMB fica falando 24h por dia, dólar baixo não favorece a indústria. Comprar máquina barata não serve de coisa alguma se você não consegue vender com lucro. Aquele monte de empresa industrial do Sul e Sudeste, que passaram 10 anos apanhando do cambio, magicamente, em questão de 2-3 anos viram o cambio sair de valorizado para desvalorizado. Com a pandemia ele foi pra ultra desvalorizado. O lucro, que era ruim e mal remunerava o capital, virou recorde. As encomendas não param de chegar. As empresas não dão conta. Estão contratando a rodo.

    Agro que já vinha bem no CAGED, bombou também, embora agro não gere tanto emprego.

    É só olhar a distribuição geográfica e setorial dos empregos. Sul e Sudeste voando, enquanto Norte e Nordeste, onde a economia se resume a repasse de Brasília estão inertes. Indústria e serviços/comércio, que têm muita ligação com a venda pra esses setores, indo bem. Setores de alimentação/varejo para o povão etc indo mal (especialmente depois que a covid voltou e acabou auxilio emergencial).

    Só isso. O resto é história pra boi dormir.

    No fundo Benjamim Steinbruch, que passou 30 anos falando mal dos juros altos e do cambio valorizado, não estava tão errado assim no seu diagnóstico, embora seu tratamento sugerido sempre tenha sido desenvolvimentismo e isso a gente sabe aonde vai parar.

    Dólar a R$ 4,50 ainda é bom, ainda puxa a economia pra cima, a taxa de câmbio real (TCR) vai ficar em 130-140 pontos. Mas se baixar disso abortará a recuperação. Não seria prudente subir juros agora. Dólar já recuou quase 1 real, já vai segurar IPCA logo logo. Segurem os juros baixos, ajuda o fiscal, economia continua bombando. Deixem os juros baixos, que joga dólar pra cima ao mesmo tempo em que setor externo joga pra baixo. Se a Selic subir a 8%, como já dizem algumas projeções, real valoriza, despesas públicas com juros disparam e implode todo o castelinho de desenvolvimento, que nesse momento tá funcionando perfeitamente e vai continuar por uns 5 anos se deixarem.

    Se o dólar voltar pra menos de R$ 4,00 (juros moderados + saldo forte) aí o País vai estagnar de novo. Aguentará mais um ou dois anos de crescimento medíocre e depois morre.
  • Amante da Lógica  10/06/2021 00:01
    Veio sacar no lugar errado, campeão. Dica: se for citar fatos, ao menos certifique-se antes de que eles batem com a realidade.

    Vou abordar apenas a primeira metade dos seus comentários, pois quero dar um tempo para você aprender tudo, com calma. Tão logo você logre este êxito, passaremos à segunda metade.

    "O que está permitindo o Brasil se recuperar tão rapidamente é justamente o cambio fraco."

    Entendo. Pela sua lógica, o que gera pujança e avanço é a destruição da moeda. Quanto mais destruída a moeda, maior o enriquecimento. Destrua a moeda, e uma Google, uma Amazon e uma Apple serão o resultado.

    Deve ser por isso que a Argentina é pujante e a Suíça é terra arrasada.

    "Todo setor agro e industrial está produzindo como há uns 15 anos não produziam. Estão gerando emprego a rodo. Nas cidades do sul sobra emprego - basta ver os dados recentes do CAGED."

    Eis um gráfico, do Banco Central, sobre a produção industrial das indústrias do Brasil. Estão abaixo de onde estavam em 2017, quando a moeda era mais forte, e bem mais abaixo do que estavam no período 2006-2011, quando a moeda era muito mais forte.

    ibb.co/3WkpQDj

    Pela sua lógica, era para tudo estar bombando agora, que a moeda se desvalorizou.

    Quanto ao agronegócio, este se deu bem simplesmente porque as commodities estão caras em dólares. Nada a ver com o real. O mesmo agronegócio também explodiu na segunda metade da década de 2000, quando o real estava muito mais forte do que hoje. E por quê? Exato: porque as commodities, em dólares, estavam tão caras quanto hoje.

    Repito a dica: sempre cheque os fatos antes de falar coisas.

    "dólar baixo não favorece a indústria. Comprar máquina barata não serve de coisa alguma se você não consegue vender com lucro."

    Entendo. Tanto faz comprar uma máquina suíça/alemã de alta tecnologia e barata, ou comprar caríssimo um lixo nacional sem tecnologia nenhuma. É tudo a mesma coisa. Não afeta em nada a produtividade. Não afeta em nada os custos de produção.

    Você realmente pensa antes de escrever ou apenas sai repetindo baboseira desenvolvimentista?

    "Aquele monte de empresa industrial do Sul e Sudeste, que passaram 10 anos apanhando do cambio, magicamente, em questão de 2-3 anos viram o cambio sair de valorizado para desvalorizado. Com a pandemia ele foi pra ultra desvalorizado. O lucro, que era ruim e mal remunerava o capital, virou recorde. As encomendas não param de chegar. As empresas não dão conta. Estão contratando a rodo."

    Gentileza mostrar, no gráfico abaixo (do Banco Central), o ponto em que estas indústrias estavam mal e o ponto em que elas nunca estiveram em situação tão boa. Ao mesmo tempo, diga qual era o câmbio em cada situação.

    ibb.co/3WkpQDj

    No aguardo.

    Depois que você tiver absorvido tudo e feito as devidas correções acima, retomo o resto da sua postagem. Quero dar tempo para você ir aprendendo tudo, com calma.
  • Felipe  10/06/2021 00:47
    Qual desses indicadores de produção está relacionado ao agronegócio? O de bens intermediários?
  • Amante da Lógica  10/06/2021 02:13
    Não, ali é só indústria. Agro está aqui:

    ibb.co/LDTtPK8

    Praticamente sem nenhuma correlação com o câmbio. Como esperado pela teoria.
  • WMZ  10/06/2021 01:54
    Depende, Amante da Lógica. Uma coisa é deixar a moeda forte artificialmente favorecendo o rentismo, como foi na era Lula, e outra coisa é deixar a moeda forte favorecendo o aumento da produtividade, como foi mais ou menos na China.

    Na era Lula, a indústria de transformação caiu de mais ou menos 19% do PIB para 11% em 2014, isso num país de terceiro mundo como o nosso. Olhe o tamanho da dívida pública...
  • Amante da Lógica  10/06/2021 02:19
    Se um governo quiser moeda forte, terá de pagar por isso (afinal, a moeda é estatal e monopólio do governo). E governo paga para ter moeda forte via juros.

    A moeda estatal depende da qualidade do governo, e se o governo for ruim, então este governo terá de pagar bem mais caro (via juros maiores) para ter uma moeda boa.

    Ao passo que um governo bom consegue uma moeda forte e demandada em troca de juros baixos (suíço, americano, japonês, britânicos e europeus em geral), um governo ruim (como qualquer um da América Latina) só consegue esta mesma moeda se estiver disposto a pagar bem mais caro (via taxa básica de juros).

    O governo Lula teve de pagar juros muito altos para ter moeda forte. Esse foi o preço para se conseguir a confiança. Já o governo Temer conseguiu moeda forte pagando juros bem menores (aliás, decrescentes). O atual poderia conseguir moeda forte pagando juros ainda menores. Só que resolveu inventar moda e sair pagando juros negativos. Levou ferro.
  • Mafalda Teresa Rodrigues Silva  09/06/2021 20:23
    Não sei o que dizer, pois acho que o Brasil é único, mas está tudo errado. E por isso estamos piores do que todos os países da América Latina e mais, mas ao mesmo tempo acho que o resultado final será diferente e melhor do que todos eles. E tem mais, temos que ver o contexto mundial, não é mesmo?
  • Introvertido  09/06/2021 22:25
    Não tenho ideia do que quiseste dizer.
  • Felipe  10/06/2021 00:51
    "Canon encerra atividades de fábrica no Brasil"

    O fenômeno de desindustrialização é mundial, mas por aqui o negócio está em queda acelerada. Melhor investir em indústrias chinesas. Apesar de hoje eles ganharem mais que os brasileiros, a carga tributária e as tarifas de importação da China são menores do que aqui, além de o sistema tributário ser mais simples e a moeda deles ser mais sólida que a nossa, apesar de em vários momentos o Banco Popular da China estar querendo desvalorizar o renminbi.
  • Introvertido  10/06/2021 03:12
    "O fenômeno de desindustrialização é mundial, mas por aqui o negócio está em queda acelerada. "

    É, pelo jeito os senhores mercantilistas nos devem explicações, eles disseram que moeda fraca e tarifas Norte-coreanas gera industrialização e prosperidade, cadê o prometido?

    "Apesar de em vários momentos o Banco Popular da China estar querendo desvalorizar o renminbi."

    Às vezes eu acho engraçado os burocratas Chineses, como o Banco Central de lá espera tornar um suposto fraco renminbi uma moeda global? Até um tempo atrás eles estavam fazendo tudo certinho em relação á moeda, mas começaram á seguir moda, e á desvalorizar devagarinho o renminbi, não é á toa que á industrialização de lá está desacelerando, felizmente o fator Biden foi o suficiente para fazer o renminbi voltar á se valorizar perante o Dólar.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  10/06/2021 15:06
    O reino das bananas não possui nem mão-de-obra nem estrutura para abrigar industrias. Já está claro há tempos que o futuro dela está na Ásia. Papo sério: quem deixaria de abrir uma fábrica em algum país asiático para abrir no Brasil? E um dos possíveis poucos atrativos (um mercado consumidor até que bem atrativo de duzentos milhões de pessoas) teve seu poder de compra podado pela tão decantada desvalorização monetária. Mas vai tentar explicar isso pros cepalinos e desenvolvimentistas de plantão...
  • Eduardo Mendes  10/06/2021 12:09
    Um outro ponto não abordado : penso que muitas e muitas empresas, em dificuldade financeira, aumentam os preços para sanar seus buracos monetários (gerados por toda a conjuntura da pandemia) com rapidez insana. Outro ponto : muitos oportunistas aproveitam o momento para entrarem no mercado (lavando dinheiro sujo) e aproveitar a onda da alta dos preços. Não tenho informação se existem oportunistas que não estão em dificuldade financeira e também estão aproveitando o momento da alta dos preços para lucrar. Uma informação útil para análise: o material gesso utilizado na construção civil tem a produção concentrada em Pernambuco (95% da produção nacional). De outubro para cá ocorreu uma aumento de 30% no preço desse material que chega no Estado de São Paulo: uma pessoa que trabalha no ramo me disse que o principal vilão é o frete (no caso o aumento de combustível). Nesse caso, qual a relação com o estoque e demanda?
  • Amante da Lógica  10/06/2021 12:33
    "penso que muitas e muitas empresas, em dificuldade financeira, aumentam os preços para sanar seus buracos monetários (gerados por toda a conjuntura da pandemia) com rapidez insana."

    Não faz muito sentido. Afinal, por que esperaram a pandemia — exatamente quando as pessoas estão com menos renda (desemprego maior) — para elevar preços? Por que não elevaram os preços antes, quando a renda era maior?

    Aceite, meu caro, os preços estão maiores por causa de toda essa nova conjuntura: maior oferta monetária e cadeias de suprimento em colapso.

    "Outro ponto : muitos oportunistas aproveitam o momento para entrarem no mercado (lavando dinheiro sujo) e aproveitar a onda da alta dos preços."

    Isso seria ótimo, pois estaria havendo um aumento da oferta, exatamente o que mais precisamos agora.

    Sendo assim, se há "oportunistas" entrando no mercado para ofertar mais coisas, que sejam muito bem-vindos.

    "Não tenho informação se existem oportunistas que não estão em dificuldade financeira e também estão aproveitando o momento da alta dos preços para lucrar."

    Frase confusa. Mas me explica aí: para você, qualquer pessoa que entre em um mercado em alta para tentar obter lucros é um "oportunista"?

    Para mim, tal pessoa é digna de louvor. Ela está ofertando produtos que a sociedade quer, e exatamente em um momento de escassez destes produtos. Esse "oportunista", ao aumentar a oferta, está ajudando a diminuir a escassez destes produtos desejados.

    "Uma informação útil para análise: o material gesso utilizado na construção civil tem a produção concentrada em Pernambuco (95% da produção nacional). De outubro para cá ocorreu uma aumento de 30% no preço desse material que chega no Estado de São Paulo: uma pessoa que trabalha no ramo me disse que o principal vilão é o frete (no caso o aumento de combustível). Nesse caso, qual a relação com o estoque e demanda?"
    O preço do petróleo disparou no mercado internacional, e em dólares. Confira o gráfico:

    tradingeconomics.com/commodity/brent-crude-oil

    Qual exatamente o seu espanto?
  • Felipe  10/06/2021 14:49
    Vale lembrar que os materiais de construção também sofreram explosão de preços aqui no Brasil, tanto pelo câmbio quanto pelos juros baixos sobre esses financiamentos de construção civil.
  • Felipe  15/06/2021 02:35
    "Entenda por que o PlayStation 5 está ficando ainda mais caro no Brasil"

    Trecho da notícia:

    "No ano passado, mais precisamente em novembro de 2020, o PlayStation 5 chegou ao mercado brasileiro custando R$ 4.199, em sua versão digital, e R$ 4.699, em sua versão física.

    Em menos de um ano, o valor subiu para mais de R$ 7.000 em sua opção com entrada para CD. No site Mercado Livre, é possível achar o PS5 por até R$ 10 mil, com entrega prevista para o dia seguinte à compra. A pronta entrega oferecida pelo vendedor é um diferencial em tempos de estoques minimizados --situação que não deve melhorar tão cedo. "


    Daqui a pouco o videogame virará uma commodity negociada no mercado internacional, concorrendo com o ouro (no ano passado, por um certo período, o arroz aqui no Brasil se valorizou mais que o ouro).

    Comparando com os EUA (dado de que o problema dos semicondutores é mundial), ao passo que o console chegou lá custando US$ 399... bom... pelo jeito os preços ainda não se alteraram lá. Moeda doente, tarifas de importação norte-coreanas, sistema tributário bisonho, legislação e instituições venezuelanas... pessoal desenvolvimentista agora precisa se explicar também para os gamers.
  • Bolsodilma ciroguedes  15/06/2021 13:34
    prós gamers , pro setor de informática tb. o preço e dólares é o mesmo. mas com os anos o real derreteu e seu preço tá nas alturas
  • anônimo  15/06/2021 23:53
    pessoal desenvolvimentista agora precisa se explicar também para os gamers.

    Dirão que os gamers querem um câmbio artificialmente baixo, regado a juros altos, só para poderem sustentar os seus luxos. Que os gamers querem comprar Playstation barato, subsidiado por todo o restante da população, que pagará, via impostos, todo o endividamento do governo gerado pelos juros altos. Que as exportações do agronegócio e o crescimento do PIB que isso gera é mais importante que um PS5!

    E, se forem nacionalistas, dirão que os gamers deveriam ser mais patriotas e fazerem um pequeno sacrifício, se abstendo de comprar PS5, iPhone ou de fazer viagens internacionais, em prol do crescimento do próprio País!

    Convivo diariamente com esse pessoal e eles vivem falando isso.
  • Felipe  17/06/2021 00:17
    De novo um aumento de 75 pontos base na SELIC.

    No relatório, eles deixaram claro que irão continuar elevando os juros e isso pode ser intensificado, dependendo dos índices de preços.

    Junto a isso, o Fed adiantou a sua subida de juros para 2023, ao invés de 2024. Com isso, o dólar se fortaleceu. Apesar disso o real se manteve estável em relação à moeda americana.
  • Felipe  30/10/2021 23:14
    O interessante é que, enquanto aqui no Brasil o índice de preços ao produtor começou a explodir já em 2020 (algo que eu já denunciei no ano passado), nos países desenvolvidos tal fenômeno só passou a acontecer nesse ano de 2021, normalmente de maneira mais contida do que aqui.

    Isso mostra que, a despeito da baderna nas cadeias de suprimento, o fenômeno monetário nunca deixa de ter uma parcela da responsabilidade.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.