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De 1994 até hoje, não foram os preços que subiram; foi a moeda que caiu — e isso é fácil de provar
Impressionantemente, as coisas nunca estiveram tão baratas

A característica mais sensacional de uma economia de mercado é que os preços dos bens e serviços caem ao longo do tempo.

E isso vale inclusive para nós, brasileiros.

Sim: hoje, os preços de tudo estão mais baixos do que estavam em julho de 1994, quando surgiu o real (como irei provar mais abaixo).

Infelizmente, essa queda de preços é ocultada pelo fato de não utilizarmos dinheiro real.

Dinheiro versus moeda corrente

Dinheiro real é qualquer moeda que tenha todas as três características a seguir: é meio de troca, é uma unidade de conta e é uma reserva de valor.

Essa é a definição clássica de dinheiro em todos os manuais de macroeconomia. E está correta.

Ou seja, além de ser usado para transações diárias e além de ter preços estabelecidos em sua unidade, o dinheiro também tem de guardar seu valor ao longo do tempo. Se, no entanto, ele perde poder de compra ao longo do tempo, então não é dinheiro real, pois não é reserva de valor.

Se não é dinheiro real, então é apenas moeda corrente. E tudo que é corrente, como o próprio nome diz, é apenas passageiro, e não vai durar.

Vários itens já foram utilizados ao longo da história como moeda corrente: tabaco, açúcar, sal, gado, pregos, cobre, grãos, rosários, chá, conchas, anzóis e, é claro, papel pintado.

Cada um à sua época, todos estes produtos foram meios de troca e unidade de conta. As pessoas precificavam as coisas em unidades destes bens e então transacionavam usando estes itens como meio de troca. 

Mas nenhum deles era dinheiro real, pois nenhum era reserva de valor — qualquer pessoa que houvesse acumulado conchas ou anzóis visando a se aposentar teria ficado pobre.

Hoje, a nossa moeda corrente é o real. Trata-se de uma moeda estatal, de curso forçado (ou seja, todos são obrigados a aceitá-la; recusar-se é crime) e fiduciária (o valor depende apenas da confiança que as pessoas lhe atribuem). Ela é utilizada como meio de troca e unidade de conta. Compramos e vendemos em reais, precificamos em reais e calculamos orçamentos, custos, lucros e prejuízos em reais.

Mas nossa moeda não é reserva de valor. Se fosse, teria ao menos mantido o mesmo poder de compra que tinha quando surgiu em julho de 1994, quando o arroz custava R$ 0,64 o quilo, o pão francês, R$ 0,09 a unidade, e o filé mignon, R$ 6,80 o quilo (veja outros valores da época aqui).

Pode não parecer, mas, na prática, o real em nada se diferencia das conchas e dos anzóis utilizados no passado. E terá o mesmo destino. Pode até demorar, mas vai acontecer.

Dinheiro real versus dinheiro fake

O fato de utilizarmos como meio de troca e unidade de conta uma moeda que não é uma reserva de valor ofusca o fato de que tudo hoje está mais barato do que estava em 1994.

Com efeito, a afirmação de que hoje as coisas estão mais baratas do que estavam em 1994 nem deveria surpreender, pois é algo lógico e direto: houve um grande aumento da oferta de bens e serviços nestes últimos 26 anos.

Hoje, há muito mais restaurantes a quilo, há muitos mais lojas disputando clientes, e há muito mais variedade e quantidade de roupas, carros e de itens domésticos à venda. Há muito mais empreendedores e produtores hoje do que havia em 1994. Há, em suma, muito mais produtos e serviços sendo ofertados. No Brasil e ao redor do mundo.

Isso não é apenas uma questão econômica, como também demográfica.

Sim, há também mais consumidores e demandantes. Mas, ora, dado que só é possível demandar quem antes produziu (você só tem renda para consumir se antes houver trabalhado e produzido), então, no mínimo, esse aumento da demanda or bens e serviços foi equilibrado pelo aumento da oferta de bens e serviços, de modo que os preços deveriam, no máximo, estar iguais.

No entanto, os preços em reais dispararam. Normal. O real não é dinheiro real (sem trocadilhos). É apenas uma moeda corrente estatal e que é monopólio do governo. Sendo um monopólio do governo, não é de se espantar que a qualidade desta moeda se degrade ao longo do tempo.

No entanto, se mensurarmos a evolução dos preços utilizando dinheiro de verdade, veremos que, mesmo vivendo em uma economia pouco livre e muito regulada, ainda assim, graças ao incrível aumento na produção — característica intrínseca ao capitalismo —, os preços caíram.

Nós não conseguimos perceber esta queda simplesmente porque utilizamos um dinheiro fake, para recorrer a um termo da moda. Se trocarmos o dinheiro fake pelo dinheiro real, iremos constatar que tudo está mais barato.

E qual é o dinheiro real? Quem acompanha este Instituto há mais tempo sabe que o dinheiro real é e sempre foi o ouro

Ao longo da história, o que inclui o período anterior a Cristo, o ouro sempre foi a mercadoria naturalmente escolhida para servir como meio de troca, unidade de conta e reserva de valor. Sua tradicional estabilidade como unidade de conta fez dele uma escolha natural para definir aquilo que hoje conhecemos como dinheiro (os motivos foram detalhadamente explicados aqui, e não será necessário repeti-los).

Embora hoje já não seja mais utilizado como meio de troca — simplesmente porque os governos monopolizaram esta atividade, e baniram toda a concorrência —, o ouro manteve impecavelmente sua característica de reserva de valor.

Por isso, a maneira correta de mensurar a evolução dos preços reais das coisas é acompanhar a variação dos seus preços em dinheiro real, pois apenas o dinheiro real é reserva de valor. Mensurar a evolução dos preços em uma moeda fake apenas obscurece a realidade.

E como variaram os preços?

Tudo barateou 

Indo direto ao ponto, e começando com um item bem popular, vejamos a variação do preço do arroz.

O gráfico abaixo mostra a evolução do preço, em reais, de 100 quilogramas de arroz no mercado de commodities — ou seja, é o preço cobrado pelo produtor rural (a série disponível começa no fim de 1999): 

arrozreais.png

Gráfico 1: evolução do preço de 100 quilogramas de arroz, em reais, no mercado de commodities

Já o gráfico abaixo mostra a evolução do preço destes mesmos 100 quilogramas de arroz em gramas de ouro: 

arrozouro.png

Gráfico 2: evolução do preço de 100 quilogramas de arroz, em gramas de ouro, no mercado de commodities

O contraste não poderia ser mais gritante. Em reais, o arroz encareceu de R$ 10 para R$ 71 neste período de 21 anos. Um aumento de 610%.

Já em ouro, o arroz barateou. E muito. Ao passo que você precisava de 0,69 grama de ouro para comprar 100 quilos de arroz no início do ano 2000, hoje você precisa de apenas 0,21 grama de ouro para comprar os mesmos 100 quilos de arroz. Trata-se de uma queda de quase 70%.

Vamos para o próximo.

O gráfico a seguir mostra a evolução do preço, em reais, de um galão de gasolina no mercado de commodities. É exatamente este valor que a Petrobras utiliza para precificar a gasolina que vende em suas refinarias: 

gasolina reais.png

Gráfico 3: evolução do preço, em reais, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Já o gráfico abaixo mostra a evolução do preço deste mesmo galão de gasolina em gramas de ouro: 

gasolinaouro.png

Gráfico 4: evolução do preço, em gramas de ouro, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

De novo, o contraste impressiona: ao passo que o galão de gasolina saltou de R$ 0,50 em julho de 1994 para R$ 5,90 em outubro de 2020 (aumento de impressionantes 1.080%), neste mesmo período, em ouro, o galão de gasolina barateou de 0,045 grama para 0,017 grama (queda de 62%).

Continuemos.

O próximo gráfico mostra a evolução do preço, em reais, de um bushel de soja no mercado de commodities. Trata-se de uma mercadoria cujo preço recentemente virou motivo de preocupação para o governo

sojareais.png

Gráfico 5: evolução do preço, em reais, de um bushel de soja

Agora, vejamos evolução do preço deste mesmo bushel de soja em gramas de ouro: 

sojaouro.png

Gráfico 6: evolução do preço, em gramas de ouro, de um bushel de soja

A mesma história: encarecimento contínuo em reais; barateamento contínuo em ouro.

Em julho de 1994, você precisava de R$ 400 para comprar um bushel de soja. Hoje, você precisa de R$ 6.080. Um encarecimento de 1.420%.

Neste mesmo período, o preço do bushel de soja caiu de 56 gramas de ouro para 17,4 gramas. Um barateamento de 69%.

Como anedota, se servir de consolo para o governo, ele pode ao menos dizer que a soja realmente encareceu nos últimos meses (repare no pequeno "v" no gráfico do ouro). Só que ela apenas retornou aos valores de janeiro de 2020 — em dinheiro de verdade.

Agora, vamos para a carne.

O gráfico abaixo mostra a evolução do preço da arroba do boi gordo na B3 (a série disponível começa em janeiro de 2001). O preço da nossa picanha é formado aí: 

Boigordoreais.png

Gráfico 7: evolução do preço da arroba do Boi Gordo, em reais, na B3.

Agora, eis a evolução do preço desta mesma arroba de boi gordo em gramas de ouro: 

boigordoouro.png

Gráfico 8: evolução do preço da arroba do Boi Gordo, em gramas de ouro, na B3.

Em janeiro de 2001, eram necessários R$ 40 para comprar uma arroba de boi gordo. Hoje não sai por menos de R$ 273. Encarecimento de 582%.

Por outro lado, ao passo que você precisaria de 2,40 gramas de ouro para comprar uma arroba de boi gordo em janeiro de 2001, hoje você precisa de apenas 0,80 grama de ouro. Barateamento de 67%.

Também como anedota, repare que os preços da carne, em dinheiro de verdade, realmente subiram muito ao fim de 2019, como todos sentimos. Mas foi um fenômeno pontual. Hoje, em dinheiro de verdade, já está bem mais barato. Quase nas mínimas históricas.

O próximo é o milho.

O gráfico abaixo (a séria disponível começa ao fim de 2009) mostra a evolução do preço da saca de milho na B3. Por ser a ração de suínos e frangos, seu preço impacta diretamente nos custos de produção destes itens: 

milhoreais.png

Gráfico 9: evolução do preço, em reais, de uma saca de milho na B3

Agora, e evolução do preço desta mesma saca de milho em gramas de ouro:

milhoouro.png

Gráfico 10: evolução do preço, em gramas de ouro, de uma saca de milho na B3

O milho, curiosamente, é o único item que, em ouro, não está próximo de suas mínimas históricas. Ele já esteve mais barato em outros anos, o que comprova que, hoje, ele realmente pode ser considerado caro. 

Mesmo quem não é do ramo agrícola, mas entende o básico de economia, sabe que tal fenômeno certamente se deve a algum problema atual de safra ou à perspectiva de um problema futuro de safra. Uma rápida pesquisa na internet comprova isso.

Em todo caso, em dinheiro real, o milho está mais barato hoje do que estava em 2009. E muito mais caro em dinheiro fake.

Ao fim de 2009, eram necessários R$ 20 para comprar uma saca de milho. Hoje, são necessários R$ 83. Um aumento de 315%.

Neste mesmo período, o milho barateou de 0,36 grama de ouro para 0,24 grama. Uma queda de 33%.

Finalmente, vejamos agora os preços gerais da economia brasileira.

O gráfico abaixo mostra a evolução do índice de preços gerais ao consumidor. Na prática, o gráfico mostra quantos reais são necessário para comprar uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo pesquisados pelo IBGE para calcular a evolução do IPCA. 

cpireais.png

Gráfico 11: evolução do índice de preços ao consumidor na economia brasileira; ou, quantos reais custa uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo computados pelo IBGE

Já o gráfico abaixo mostra a evolução do preço desta mesma cesta, em gramas de ouro:

cpiouro.png

Gráfico 12: evolução do índice de preços ao consumidor, em gramas de ouro: ou, quantos gramas de ouro custa uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo computados pelo IBGE

Como gran finale, e como foi prometido, perceba que os preços de todos os bens de consumo caíram no Brasil — quando precificados em dinheiro de verdade.

Ao passo que, mensurado em dinheiro fake, tudo hoje está mais caro, a realidade é que, mensurado em dinheiro real, tudo está mais barato.

Utilizando o dinheiro fake, eram necessários R$ 21, em julho de 1994, para comprar uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo da economia. Hoje, são necessários R$ 132. Encarecimento de 529% — que é exatamente o IPCA acumulado no período.

Porém, utilizando dinheiro de verdade, precisaríamos de 2,4 gramas de ouro para comprar essa cesta em julho de 1994. Hoje, precisamos de apenas 0,4 grama. Uma deflação de preços de impressionantes 83%.

Ou seja, nossa economia, quando precificada em dinheiro de verdade é deflacionária. Ou seja, ela é saudável e funciona bem.

Para concluir

A economia de mercado e o capitalismo são inerentemente deflacionários. Quanto mais se produz, maior a oferta, maior a necessidade de vender (para se obter renda), maior a disputa por consumidores, maiores os descontos.

Aquilo que sempre foi explicado pela teoria foi agora comprovado na prática, com dados e fatos.

Com efeito, tal "descoberta" nem deveria ser impactante, pois,  quando o mundo estava sob o padrão-ouro clássico, os preços caíam anualmente. Foi apenas quando passamos a utilizar moeda estatal (dinheiro fake), que essa percepção de queda nos preços foi extinta.

Vale enfatizar: os preços continuaram caindo normalmente e continuam caindo até hoje. Nós é que paramos de perceber (e de sentir) porque trocamos o "mensurador". Trocamos a unidade de conta. Em vez de dinheiro de verdade, que possui reserva de valor, passamos a utilizar dinheiro fake, que perde valor com o tempo.

Em vez de um dinheiro de oferta controlada pelo mercado, passamos a utilizar uma moeda estatal completamente sob o controle de políticos e burocratas, que fazem com ele o que querem. 

Por fim, atente-se para o seguinte: esse fenômeno da contínua desvalorização da moeda gerou um agigantamento do setor financeiro — pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança —, criando justamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de "financeirização" da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano. 

Se o dinheiro fosse o ouro, o papel proeminente hoje ocupado pelo mercado financeiro seria muito menor. Os críticos do "financismo" estão xingando a consequência e ignorando totalmente a causa — que é o uso da moeda estatal fiduciária. 

Quanto a você: não deixe o seu padrão de vida e o da sua família a mercê desta farsa. Proteja-se utilizando dinheiro de verdade.

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Leia também:

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autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • WMZ  29/10/2020 22:19
    Disso eu já sabia.

    É só pegar os preços das coisas no passado e dividir pela renda modal daquele tempo(que no Brasil é um pouco além do salário mínimo de cada ano) e comparar com os valores da mesma razão encontrados hoje. As coisas ficaram mais baratas
  • Guilherme  29/10/2020 22:39
    Mas aí você está ignorando algo crucial. Nesse seu exemplo, barateamento das coisas dependeu de a pessoa ter tido um aumento da renda.

    Se a pessoa não teve aumento da renda, ela empobreceu.
    Mas isso ainda é o de menos. Há algo ainda pior: o dinheiro que a pessoa ganhou e guardou, perdeu poder de compra ao longo do tempo. Isso é o que mais importa.

    Com a moeda estatal, sua poupança é destruída. Com dinheiro de verdade, sua poupança é recompensada.

    A diferença entre um arranjo que premia a frugalidade e outro que premia o esbanjamento é abismal.
  • Juliano  29/10/2020 22:43
    Detalhe importantíssimo: com dinheiro de verdade, nem sequer haveria motivo para existir previdência. Todo esse verdadeiro ralo de recursos públicos que é a previdência social nem sequer teria motivos para existir.

    A eficiência econômica e a geração de riqueza que isso traria são incalculáveis. Todo o dinheiro que hoje é sugado via impostos para bancar esse esquema Ponzi que é a previdência estaria em posse de consumidores, empreendedores e investidores. O mundo seria outro, bem mais próspero e avançado. Já teria até cura para o câncer.
  • WMZ  29/10/2020 23:05
    Não sei se ficou claro mas eu queria dizer isto:

    Pegamos um produto A que custava 10 reais em 1999 e o salário modal sendo 100

    10/100= 0,1

    Agora, pegamos o mesmo produto A que hoje custa 70 com o salário modal sendo 1000

    70/1000 = 0,07

    É como se ele custasse 100*0.07 = 7 reais em 1999

    Barateou (por causa do aumento da eficiência)

    Se eu fizer a mesma coisa para comparar o Brasil com algum país desenvolvido, no tempo presente, a diferença é ainda mais gritante (ainda mais quando, geralmente, os produtos do mesmo tipo para o mercado americano ou europeu são bem melhores.)

    Boa Noite!
  • Guilherme  29/10/2020 23:16
    Sim, foi claro e foi isso mesmo que eu entendi. E repito os dois pontos:

    1) Essa sua "queda de preços" dependeu do aumento da renda nominal ter sido maior que o aumento dos preços. É uma aposta arriscada e que não se aplicar para todos os setores da economia.

    2) A pessoa que em 1999 ganhou aqueles 10 reais e poupou está muito mais pobre hoje. Esses 10 reais se esfarelaram. Compram muito menos hoje do que compravam àquela época. Considerando que boa parte da população brasileira é desbancarizada (quem mora no interior do país sabe disso), a pessoa realmente empobreceu. Já se fosse com moeda sólida, isso não ocorreria. Mesmo sendo a pessoa completamente desbancarizada.
  • Juliano  29/10/2020 22:47
    Uma pessoa que recebesse seus salários em ouro ou bitcoin receberia valores nominalmente menores com o passar do tempo (por causa da deflação de preços).

    Curiosamente, os críticos dizem que tal arranjo seria impraticável, pois ninguém aceitaria uma redução salarial. Pelo visto, tais pessoas não vivem no mundo atual.

    No mundo atual, uma pessoa que, mensalmente, utilizasse todo o seu salário mensal em reais para comprar ouro ou Bitcoin irá, a cada mês, comprar cada vez menos ouro e Bitcoin. Ou seja, o salário dela já está caindo, só que ela não percebe.

    Recebendo em ouro ou Bitcoin, essa queda seria explícita. Mas o padrão de vida seria crescente. Ano passado, você recebia 1 Pax Gold ou 0,15 bitcoin por mês (valores chutados e não equivalente). Hoje, você recebe 0,9 Pax Gold ou 0,14 bitcoin. No entanto, todos os outros preços da economia caíram em igual ou até maior proporção.

    O que interessa é o poder de compra real, e este é crescente, como mostram os gráficos. Ademais, sua poupança já acumulada irá valer cada vez mais (ao contrário do que ocorre hoje).

    Tendo uma poupança com poder de compra preservado e sabendo que futuramente as coisas estarão mais baratas, o consumo presente aumentaria em vez de diminuir, ao contrário do que alegam os críticos da deflação de preços.
  • Carlos Alberto  29/10/2020 23:02
    Seu insight sobre a previdência foi excelente. É bem isso mesmo. A previdência foi uma criação estatal para tentar remediar os efeitos de outra criação estatal: a moeda fiduciária. Se acabar com esta, aquela não mais terá qualquer necessidade.

  • Thiago  29/10/2020 22:29
    Em resumo:

    Compre Bitcoin e protega a sua velhice.
  • Arthur  29/10/2020 22:31
    Muitíssimo obrigado por este artigo que realmente ilustra toda a teoria na prática. A inflação, realmente, é um fenômeno puramente monetário.

    Não é à toa que tudo o que países precisam fazer para acabar com hiperinflação é trocar a moeda. Inflação não é causada por nenhum desarranjo na economia. Nem por nenhuma maldade empresarial. E tampouco por alguma característica intrínseca da economia. É apenas uma moeda doente.

    A economia do Brasil hiperinflacionário da primeira metade da década de 1990 não era completamente diferente da economia da segunda metade da década. O Brasil de 1993 não era radicalmente diferente do Brasil de 1996.

    É tudo uma questão de moeda.
  • Meirelles  29/10/2020 22:40
    Sim, é por isso que eu não entendo gente que poupa em reais. A primeira coisa que qualquer pessoa deveria fazer ao receber seu salário é converter tudo para ouro ou bitcoin, deixando em reais apenas o necessário para as despesas correntes.

    O ideal seria receber em outra moeda, mas é proibido.

    Artigo 43 do Decreto Lei nº 3.688 de 03 de Outubro de 1941 (que continua em vigor)

    Crime: Recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no país:

    Pena - multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.


    Corrigindo pelo IGP-DI (único índice que já existia naquela época), os valores vão de R$ 568 a R$ 5.682
  • rraphael  30/10/2020 00:42
    trabalho do brasil para uma empresa estrangeira, recebo em dolar e sou obrigado a trocar pra reais, mesmo que eu queria investir esse dinheiro eu preciso dar meus dolares pro BC , pegar os reais e fazer uma nova conversao , nao permitem nem direcionar os valores diretamente que ao menos evitaria taxas e adicionais

    que pesadelo, é impossivel nao sair perdendo

    a luta é meramente pra reduzir prejuizo, isso quando a remessa nao vem num mesmo dia de intervencao do BC que aumenta ainda mais o estrago

    nao demora muito pra algum BURROcrata cagar uma lei pra roubar mais ainda do meu suor em troca de "beneficios" ja que descobriram que tem mais gente alem de mim que recebe de fora e nao tem valores retidos pra bancar piramide financeira com gente idosa e doente
  • Sadib  30/10/2020 12:34
    Pq vc não abre uma conta em um banco nos EUA e passa a receber por lá?
    Converta somente o necessário para os gastos do mês em reais. Você está muito próximo de se livrar dessa moeda de merda chamada Irreal, aproveite!
  • rraphael  01/11/2020 03:00
    @Sadib

    resumidamente tem sido feito envio via SWIFT ao país do colaborador , e no momento não permitem a indicação de uma conta fora do mercado de atuação, mas deve existir uma forma de evitar o "troca-troca"

    o paypal era um que permitia carteira em dólar, mas há tempos eles passaram a converter diretamente pra irreais na carteira virtual, sequer pode converter em dia ou horário de escolha e o valor de conversão é muito abaixo da cotação oficial

    poderia por favor recomendar alguma(s) empresa(s) para eu pesquisar ? qualquer indicação é bem-vinda , obg !

  • Sadib  02/11/2020 18:37
    @rraphael,

    entendi seu ponto e por que você está tão frustrado com essa situação, sempre correndo atrás do "menor prejuízo" possível :/

    se essa é uma regra da sua empresa, somente permitirem transferência para o país que vc trabalha, então realmente vc não tem muitas opções (ainda mais se for registrado formalmente no Brasil, provavelmente eles teriam um risco legal em te pagar em outro país).

    caso vc já não conheça, recomendo em dar uma pesquisada sobre esses bancos, talvez consiga ao menos receber em dólar, e diminuir o valor de IOF/spread quando precisar converter:

    tecnograna.com.br/financas/conta-corrente-dolar/

    Os bancos são: BS2 e C6 Bank.

    boa sorte.. e avise por aqui se algum desses bancos permitir isso.. abs
  • Tiago  29/10/2020 22:40
    Se fizer esses mesmos gráficos com o Bitcoin, o resultado será ainda mais impressionante.
  • Bernardo  29/10/2020 22:46
    Ou não...
  • Lucas  29/10/2020 22:56
    Excelente artigo! Há algum tempo eu estava querendo fazer esses cálculos, mas ainda não aprendi a mexer direito no TradingView e estava em dúvida sobre quais indicadores(?) pesquisar lá.

    Meus sinceros agradecimentos ao Anthony P. Geller e ao Instituto Mises Brasil por ter feito esse trabalho e disponibilizado esses dados aqui.
  • Neto  29/10/2020 22:56
    Esse artigo vem bem a calhar para o momento global, do grande reset monetário e bancário que virá.

    Se alguém ainda precisava de argumentos para fugir da moeda estatal, manter a privacidade financeira e passar a poupar apenas em criptomoedas (PaxGold ou Bitcoin), o mais persuasivo dos argumentos está aí.

    Palpite: daqui pra frente, Bitcoin performará ainda melhor que o ouro.
  • Gustavo M.  29/10/2020 22:58
    Esse artigo merece divulgação ampla, hein?
  • Carlos Brodowski   29/10/2020 23:18
    Ou seja, não só não está havendo nenhuma escassez de comida e de petróleo, como, ao contrário, há abundância.
  • Vladimir  29/10/2020 23:22
    Sim. Aumento constante de oferta é a característica do capitalismo. Aliás, não é exatamente deste "crime" que os ambientalistas o acusam?
  • Vladimir  29/10/2020 23:20
    Como adendo, vale ressaltar que se o ouro fosse a moeda corrente, os preços de todos estes itens seriam ainda menores. Questão de lógica básica: se o ouro fosse a moeda, a demanda por ele teria sido bem maior do que foi neste período.

    Se a demanda por algo é maior, seu preço é maior. Se a demanda por ouro fosse maior (e seria, pois ele seria o dinheiro), então o preço do ouro seria maior. Isso quer dizer que seria necessário abrir mão de mais quantidade de produtos e serviços para obter a mesma quantidade de ouro. Logo, seu poder de compra seria maior.

    Maior demanda por moeda (ouro), maior o seu valor.
  • Felipe  29/10/2020 23:27
    Nossa moeda se desvalorizou, de 01/01/2019 até meio de outubro:

    - Em relação ao dólar americano;
    - Em relação ao franco suíço;
    - Em relação ao euro;
    - Em relação à coroa sueca;
    - Em relação ao peso uruguaio;
    - Em relação ao peso colombiano;
    - Em relação ao guarani paraguaio;
    - Em relação ao peso chileno;
    - Em relação ao boliviano;
    - Em relação ao sol peruano;
    - Em relação ao peso mexicano;
    - Em relação ao rublo russo;
    - Em relação ao rand sul-africano;
    - Em relação à rúpia indiana;
    - Em relação ao renminbi;

    Basta acessarem o Trading View.

    Bolsonaro poderia ser um Ronald Reagan, o qual foi um defensor aberto de moeda forte...
  • Ex-carioca  30/10/2020 00:19
    Estou desde maio tentando uma brecha para comprar ouro (preço 300) e até agora não consegui porque o preço não atinge esse nível desejado (pelo contrário, ele só piora). Gostaria de ajuda de vocês para entender o que está acontecendo e se devo abandonar o target de 300.

    O senso comum fala que não é sábio comprar ativos em altas (o ouro está na alta histórica), porém isso me parece uma recomendação inválida neste momento dado que não há perspectiva nenhuma de melhora no cenário fiscal e monetário nesse governo. O governo sequer apresentou um roadmap daquilo que vai fazer. As coisas acontecem tudo na canelada e quando sai alguma coisa, não demora um dia para voltarem atrás.

    Vejo que o BC está agora refém do seu próprio juros baixo artificial, assim como o BC japones e americano, onde as empresas se encontram totalmente escoradas nessa taxa.

    A esta altura, já está claro para mim que Bolsonaro é o que sempre foi: um parlamentar corporativista populista sem qualquer palavra. Ele tem segurado as reformas que julga impopular, alegando que não é o momento (isso foi dito pelo Salim Mattar numa live) . E, raramente, quando sai alguma coisa autorizada por ele, trata-se de um trabalho malfeito e tecnicamente fraco pela equipe econômica (veja a reforma administrativa e tributária, por ex).

    Acompanhei várias lives que o Salim Mattar e o Paulo Uebel deram quando desembarcaram do governo. Todos os entrevistadores perguntam as razões da saída e os dois sempre foram muito furtivos nas respostas. Porém, numa dessas lives, no meio de uma conversa animada, o Salim deixou escapar duas coisas:
    - Bolsonaro só quer saber da reeleição;
    - Brasil só vai mudar quando entrar um presidente liberal.

    Ou seja, ficou claro para mim, pelas palavras de um cara de entro, que o Bolsonaro é um embusteiro.

    O executivo federal concentra cerca de 75% do gasto do funcionalismo público e são cerca de 120.000 funcionários de cargos comissionados (nem o governo realmente sabe quantos são). Ele poderia cortar facilmente 50% disso a olhos cegos com um decreto e também eliminar os jetons que a galera da economia e os militares estão embolsando, mas não faz.

    Embora isso certamente não fosse a panacéia para o gasto público, pelo menos mostraria o seu comprometimento em manter o país minimamente funcional.

    Para piorar, tem aquela gentalha desenvolvimentista, tendo como principal agente, o ministro gastador (Marinho) que está com a perereca coçando para furar o teto de gastos junto com os militares e o centrão. Em se tratando de Brasil, tenho certeza que ele vai conseguir e o Paulo Guedes vai abandonar.

    Eu dúvido que o Bolsonaro reponha com algum liberal. Dúvido mais ainda que exista um liberal com suas faculdades mentais saudáveis que aceitaria assumir a função.

    A possibilidade do casamento do populismo de Bolsonaro com os desenvolvimentistas me deixa sem sono, ainda mais que minha poupança está desprotegida e não consigo encontrar um momento certo para me desfazer do Real (se é que a esta altura há).
  • Trader  30/10/2020 00:28
    Você está esperando o ouro cair para R$ 300 o grama? Sem chance. Está em R$ 347 agora e só não disparou ainda mais porque o dólar deu uma fortalecida recentemente (incertezas eleitorais e volta dos lockdowns na Europa), o que está segurando o ouro

    Meu palpite é que, assim que passar as eleições, o ouro volta a voar. E o Bitcoin ainda mais.

    De resto, eu concordo com tudo o que você falou, mas o problema real está muito mais no BC e na Fazendo do que no Planalto. São aqueles dois que falam e agem abertamente contra a moeda.
  • Felipe  30/10/2020 01:00
    Por que o ouro decolaria após as eleições americanas? E se de repente o Trump é reeleito e adota uma postura supply-side ? Até que ele fez umas coisas boas no governo dele.
  • Trader  30/10/2020 02:01
    O próximo presidente, qualquer que seja, vai pesar a mão nos estímulos e nos pacotes. E o Fed vai continuar imprimindo sem dó.

    Dependendo da composição do Congresso, o presidente poderá aprovar a gastança que ele quiser.

    Meu palpite:

    1) Trump vence
    2) Guerra comercial com a China se intensifica
    3) Commodities caem
    4) Real continua na sarjeta
    5) Ouro, dólar e agora Bitcoin tornam-se o único investimento racional de longo prazo.
  • Thiago  30/10/2020 18:43
    Dólar ? Voce acabou de falar que o FED vai continuar imprimindo dinheiro sem dó e recomenda dólar como reserva de valor ao longo prazo? Muito equivocado esse seu palpite.
  • Trader  30/10/2020 20:18
    Sim. E se você estranhou, então não está por dentro da atual realidade.

    Fed vai imprimir e dólar vai se desvalorizar contra ouro e Bitcoin. E talvez contra o franco suíço. No máximo, um pouco contra o euro.

    Mas é só.

    Contra as moedas emergentes, não. Ao menos, não substantivamente.

    Por que há uma escassez de dólares no mundo apesar das maciças injeções do Fed?
  • Luiz Henrique  30/10/2020 12:58
    Onde voce recomendaria comprar bitcoin ou ouro meu amigo?
  • Luiz Henrique  30/10/2020 13:19
    Meus amigos, sou novo aqui no instituto e gostaria que me ajudassem com minhas dúvidas. Li vários artigos aqui no IMB, e percebi que quase 100% recomenda comprar ou e criptomoedas. Gostaria que me recomendasse umas boas recomendasse corretoras para que eu pudesse proteger meu dinheiro.
  • Marcos  30/10/2020 13:50
    Mercado Bitcoin.
  • Luiz Henrique  30/10/2020 13:28
    Alguem poderia recomendar uma carteira para gurdar bitcoin? Esta pesquisando e me deparei com uma chama "Electrum'. É uma boa opção?
  • Marcos  30/10/2020 13:49
    Não conheço. Eu uso a Atomic. É boa.
  • anônimo  30/10/2020 14:24
    É sim.
  • Bitcoiner  30/10/2020 14:33
    A Electrum é antiga e open source. Uma das melhores sem dúvida.
  • Edujatahy  30/10/2020 14:37
    Senhores,
    Eu estou há alguns anos lidando com bitcoin e cripto. Os pontos levantados contra a Pax Gold são válidos. De fato temos muito hype em torno da tecnologia do blockchain e existem muitos mitos em torno dela.

    É fato incontestável que ter ouro físico é mais seguro do que um token que supostamente (sim, é isso mesmo, escute novamente, supostamente) está lastreado em ouro. Isso sem contar com os riscos tecnológicos em si.

    Do not trust, verify.

    E para quem tem bitcoin. Se você quiser ter um nível de segurança ainda maior, ter sua verdadeira soberania financeira, tente aprender a criar um node. Não é algo complicado, e sua segurança e proteção estará no maior nível possível.

  • Nordestino arretado  01/11/2020 22:00
    Então eu teria que guardar ouro em casa? E se um belo dia eu sair de casa e quando voltar a porta estiver arrombada, e no lugar do ouro ter teias de aranha?
  • Meirelles  30/10/2020 01:57
    Ex-carioca, olhando o longo prazo, qualquer momento é um bom momento para entrar, pois o ganho de longo prazo é garantido.

    No entanto, desnecessário dizer que você está deveras atrasado. Era para ter entrado quando o dólar estava a R$ 3 e não agora que está a quase R$ 6. Você já perdeu quase toda a proteção. Poderá se proteger das desvalorizações vindouras, mas a que ocorreu até aqui dificilmente será recuperado.

    É o equivalente a ser o último a entrar em avião lotado, com assentos não-marcados, e querer ficar na janelinha com as duas poltronas ao seu lado livres. Não vai ser possível.
  • Felipe  30/10/2020 00:57
    Que tema diferente e interessante. Eu ia escrever um artigo sobre isso, mas já tem esse... acho que foi inspirado em um comentário de um observador aqui do IMB, quando comparou o preço de um carro em termos de ouro ao longo do tempo.

    Falando do ouro em si, quando o padrão-ouro clássico acabou em várias partes do mundo com o início da Primeira Guerra Mundial, houve resistência e revoltas populares? Hoje já é compreensível dado o fato de que as gerações vivas hoje nasceram em um mundo de papéis-moeda, mas e naqueles tempos?

    Um artigo bom seria um fazendo um histórico detalhado do que foi a Caixa de Conversão no Brasil República, quando era um Currency Board em ouro. Não sei se isso teve relação com o Convênio de Taubaté. Vendo a discussão à época da lei (que foi aprovada no Congresso), o nível do debate parecia ser maior do que nos dias de hoje.

    Há aquele livro do Rothbard (que não li ainda), o "O que o governo fez com o nosso dinheiro?", mas não sei se ele chega a falar algo do Brasil, já que aqui é cheio de peculiaridades.
  • André  30/10/2020 02:05
    "Falando do ouro em si, quando o padrão-ouro clássico acabou em várias partes do mundo com o início da Primeira Guerra Mundial, houve resistência e revoltas populares?"

    Não. Ele foi suspenso em nome do nacionalismo bélico ("o governo precisa de moeda livre para financiar o esforço de guerra!") com a promessa de que seria apenas uma medida temporária.

    "Hoje já é compreensível dado o fato de que as gerações vivas hoje nasceram em um mundo de papéis-moeda, mas e naqueles tempos?"

    Moeda fiduciária era algo completamente desconhecido à época.

    "Um artigo bom seria um fazendo um histórico detalhado do que foi a Caixa de Conversão no Brasil República, quando era um Currency Board em ouro. Não sei se isso teve relação com o Convênio de Taubaté. Vendo a discussão à época da lei (que foi aprovada no Congresso), o nível do debate parecia ser maior do que nos dias de hoje."

    Seria realmente muito bom. O problema é que não há nenhuma literatura confiável sobre isso. Tudo é ideologizado. Até Gustavo Franco, que poderia dar uma contribuição boa, deixa-se contaminar ao falar sobre o ouro.
  • Felipe  30/10/2020 13:17
    Estou lendo o livro "A história da riqueza do Brasil", é bom o livro, apesar de eu achar algumas partes equivocadas. Ainda estou confuso sobre a parte que ele fala sobre a Caixa de Conversão.

    Essa história de que seria algo temporário também foi com a criação do imposto de renda (ao menos nos EUA). Depois os políticos nunca mais foram cobrados? Houve exceção? A Suíça também embarcou nisso à época?
  • Flavio  30/10/2020 02:13
    Você faz a poupança em ouro, declara no IR e quando a moeda Fiat der seu último suspiro o governo faz um decreto confiscando todo o ouro para fiancia-lo. O Gov americano já fez isso antes ??
  • Trader  30/10/2020 03:55
    1) Por que declarar no IR?

    2) Se chegou ao ponto de o governo se importar ao ponto de confiscar o ouro, então é porque a moeda nacional já foi pro saco completamente, e uma reforma monetária estará a caminho. Neste cenário, confiscar ouro irá simplesmente destroçar ainda mais a confiança.

    3) Dito isso, o futuro está nas criptomoedas lastreadas 100% em ouro (como a Paxos). Quando você compra o token PAXG e envia para sua carteira, basta você digitar seu o endereço Ethereum para saber exatamente onde o ouro que lastreia aquele token está guardado. No caso da PAXG, o ouro está custodiado em um banco na Suíça, e isso é auditado regulamente por empresas.

    www.paxos.com/paxgold/

    Eu comecei a comprar Pax Gold recentemente (como comentei aqui) e vou fazer cada vez mais.
  • Felipe  30/10/2020 13:05
    Pelo que me disseram, apesar de pagar o IR automaticamente pelo come-cotas, não precisa declarar os fundos de ouro, como os comprados no Órama. Me corrijam se estiver errado.
  • Bitcoiner  30/10/2020 09:35
    Como já discutido anteriormente com o Trader. Tenha ouro [b]fisico[/] ou bitcoin.
    A pax não chega nem próximo da segurança de ambos. Tome cuidado com criptomoedas fora do bitcoin.
  • Sadib  30/10/2020 14:09
    Isso vai de cada um, mas minha escolha para compra de ouro foi via corretora nos EUA.
    Não gosto da ideia de guardar ouro físico, por conta da logística, e não confio comprar via fundo no Brasil (por medo de ter acesso restringido ou confiscado pelo governo - sim é um pouco paranoia), e também para evitar futuros impostos.
    Particularmente uso a corretora Avenue onde posso transferir reais e usar a corretora de câmbio deles mesmos para conversão para dólar. O processo é tão rápido como uma TED. E no mesmo dia você passa a ter dólares.
    Com os dólares na conta, compro ouro (e eventualmente ações nos EUA) via home broker, no meu caso compro a ETF chamada GLD, que segue a cotação do ouro.
    Com isso meu patrimônio fica nos EUA, longe das garras do governo do Brasil em uma corretora regulada pela SEC.
    Não é o melhor dos mundos, mas é a opção que me deixa mais tranquilo no momento.
    Pesquise as opções e veja o que faz sentido para você.
  • Matheus S  31/10/2020 22:12
    Poderia nos informar o passo a passo para abrir uma conta na corretora Avenue, por favor.
  • Sadib  02/11/2020 18:18
    Olá Matheus, você pode abrir direto no site deles (onde o processo de abertura da conta é similar a qualquer fintech):

    www.avenue.us/diferenciais/

    Se você precisar de um passo a passo mais detalhado, pode ler nessa página aqui:

    www.investidorinternacional.com/avenue-securities-passo-a-passo-para-abrir-conta/

    Eu já tentei abrir contas em outras corretoras nos EUA, como TD Ameritrade e Charles Schwab, mas a Avenue foi de longe a mais fácil, rápida e não exige nenhum valor de depósito mínimo.

    Eu utilizo o plano de zero corretagem deles e funciona perfeitamente pra mim (não paga corretagem para comprar, vender ou custódia). Essa corretora são dos mesmos fundadores da Clear (corretora brasileira), e por isso tem opção de usar a plataforma em português e integração simples para transferência e conversão de recursos entre real de dólar. Essa é uma corretora séria e você encontra bastante notícias deles por aí:

    valor.globo.com/financas/noticia/2020/10/26/avenue-recebe-aporte-e-quer-ampliar-oferta.ghtml

    Como mencionei, é possível realizar câmbio pela própria plataforma, depositando reais diretamente na conta da empresa no Brasil, seus reais aparecem na sua conta para converte-los em dólar, tudo integrado na plataforma deles.

    Caso prefira fazer depósitos/retiradas de outra forma, como depositar ou retirar de um outro banco seu nos EUA, ou não utilizar o câmbio deles, você também pode - via Transferwise ou Remessa Online, por exemplo.

    O que sempre recomendo para quem está começando algo novo em investimentos, é que pesquise bem, e comece com um valor baixo, vá aumentado gradualmente, até você entender bem o que está fazendo (vale pra ouro, conta nos EUA, Bitcoin, ou qq coisa).

    Eu compro ouro via uma ETF chamada GLD (similar a um fundo que segue a cotação do ouro - jogue no google "GLD"). Mas você também pode usar essa corretora para comprar qualquer outra ação, moedas, fundos disponível na bolsa dos EUA).

    Espero ter ajudado, abs
  • Victor  30/10/2020 02:42
    Que coincidência!
    Essa semana mesmo estava fazendo esse tipo de análise, mas utilizando outros "produtos"e, obviamente, os resultados são os mesmos. Quando calculados em ouro, o abastecimento de água teve queda de 6,02% a.a., a energia elétrica teve queda de 5,09% a.a., a cesta básica (em São Paulo) teve queda de 6,17% a.a., o gás (encanado: -6,08% a.a.; botijão: -2,33% a.a.), tarifa de ônibus teve queda de 6,83% a.a., imóveis tiveram queda de 9,00% a.a. em média, ou seja, absolutamente TUDO caiu quando se precifica em ouro.

    Se nós utilizarmos aquele "salário necessário"que o DIEESE disponibiliza todo mês desde 07/1994 e considerarmos esse cálculo como sendo o custo de vida de uma família brasileira, veremos que esse custo subiu 7,70% a.a. em Reais, mas caiu 6,02% a.a. quando calculado em ouro (precisávamos de 70,89g de ouro em 01/1995, mas só precisamos de 14,31g em 09/2020).

    E sim, o real consegue perder valor muito mais prodigiosamente que outras moedas, mas NENHUMA delas é segura. Fuja delas e compre ouro o mais rápido possível!
  • Meirelles  30/10/2020 04:01
    Fuja da moeda estatal e compre qualquer coisa. Com esse Banco Centrai atual, é Game Over para o real. Este Instituto vem alertando para isso desde agosto de 2019. Agora já era. Colocaram um alucinado no comando do BC, um cara ainda mais keynesiano que o Tombini, e, em menos de um ano, o elemento detonou tudo.

    Apenas fuja do real. Compre dólar, ouro, bitcoin, espiga de milho, saco de cimento, tora de madeira, qualquer coisa manterá melhor seu poder de compra e ainda irá lhe trazer retornos maiores do que especular em bolsa.

    Com a adoção total da ultra-keynesiana Teoria Monetária Moderna pelo BC, e com o presidente da Câmara ameaçando abertamente que o dólar pode ir a 7 reais, a diferença entre o real e o peso argentino é de apenas alguns (poucos) anos.
  • Daniel Ribeiro  30/10/2020 03:27
    Excelente artigo, faltou apenas fazer mais dois gráficos: o que mostra a evolução da renda media e a evolução da renda mediana dos brasileiros em relação ao ouro.

    Assim poderemos responder a pergunta: O poder de compra dos Brasileiros aumentou ou diminuiu ao longo do tempo?
  • Guilherme  30/10/2020 03:55
    Creio que não tem como. Antigamente, o IBGE disponibilizava a renda média desde 2002. Hoje, a série começa em 2007.

    Mas garanto-lhe: de 2007 para cá, a renda média não subiu 700%, que foi a valorização do ouro no período.

    Ademais, como já dito lá em cima, ter de depender do aumento da renda nominal para manter sua qualidade de vida é uma aposta arriscada, pois aumento de renda não se aplica a todos os setores da economia.

    Por fim, mesmo tendo tido aumento da renda, ainda assim a pessoa perdeu: afinal, o dinheiro que a pessoa ganhou e guardou, perdeu poder de compra ao longo do tempo. Isso é o que mais importa. A pessoa que em 2007 ganhou 100 reais e poupou está mais pobre hoje. Esses 100 reais se esfarelaram. Compram muito menos hoje do que compravam àquela época.

    Considerando que boa parte da população brasileira é desbancarizada (quem mora no interior do país sabe disso), a pessoa realmente empobreceu. Não tinha aplicações nas quais se proteger. Já se fosse com moeda sólida, isso não ocorreria. Mesmo sendo a pessoa completamente desbancarizada e não tendo tido aumento de renda, sua pessoa teria maior poder de compra hoje.
  • Artista Estatizado  30/10/2020 11:53
    Cabe ressaltar que a inflação monetária gera redistribuição de renda às avessas. Perdem aqueles para os quais o novo dinheiro criado chega por último, em geral os mais pobres.

    Então não espere que o aumento nominal da renda acompanhe a inflação. Não vai acontecer.
  • Fernando Luiz   30/10/2020 04:37
    Seria interessante ter comparado os gastos do governo em cada setor (previdencia, salários, despesas correntes etc) e a arrecadação de impostos. Poderia mostrar algo interessante. Ou não?
  • Felipe  30/10/2020 07:02
    Eu sempre percebi que as coisas andam bem mais facil que nos anos 90, a oferta de serviços e bens estão bem mais altas do que naquela epoca, mas eu não tinha pensado ainda sobre esse lado do ouro. Minha vida inteira sempre acreditei que tudo tava ficando mais caro.

    Fiquei mais feliz por ler esse artigo, agorinha mesmo eu tive um problema com o banco. Fiz uma compra no mercado livre, o banco não autorizou o pagamento, aí quando fui no app tava lá o valor da compra em processamento. Me senti tão pobre na hora, deu vontade de chorar, nesse momento pensei "vou ler alguma coisa no mises".
  • Estado máximo, cidadão mínimo  30/10/2020 08:39
    Nobres colegas do Mises, permitam uma humilde dúvida de minha parte. E o caso da variação do estoque de ouro de lá para cá? Bem sabemos que o metal é muitíssimo utilizado pelo indústria eletrônica (que cresceu enormemente nos últimos anos). Haveria algum impacto disso, já que parte do estoque estaria sendo destinado à fabricação de componentes eletrônicos ao invés de ficar como reserva de valor em algum banco?
  • Vladimir  30/10/2020 13:58
    Certamente. E isso só ressalta o papel do ouro, que além de ser escasso, é também demandado para outras funções.

    E, como já venho repetindo aqui, se o ouro também fosse a moeda corrente, os preços das coisas estariam ainda menores. Questão de lógica básica: se o ouro fosse a moeda, a demanda por ele teria sido bem maior do que foi neste período.

    Se a demanda por algo é maior, seu preço é maior. Se a demanda por ouro fosse maior (e seria, pois ele seria o dinheiro), então o preço do ouro seria maior. Isso quer dizer que seria necessário abrir mão de mais quantidade de produtos e serviços para obter a mesma quantidade de ouro. Logo, seu poder de compra seria maior.

    Maior demanda por moeda (ouro), maior o seu valor.
  • JONNATHAN  30/10/2020 12:30
    Não podemos fazer essa comparação com o PIB brasileiro ao invés da renda do brasileiro?
  • Swift  30/10/2020 13:54
    Poder, pode. Só não teria muito sentido, dado que o PIB apenas computa gastos, inclusive gastos do governo.

    Ademais, considerando que o PIB aumentou bem menos que o aumento dos preços destes itens, o gráfico mal se alteraria.
  • Fabio Tavares  30/10/2020 12:30
    Dúvida: a queda dos preços "precificados" no grama do ouro não se deu por conta da constante valorização do ouro? A valorização do ouro não se deu por causa de sua escassez?
    Podemos realmente cravar que os preços cairiam se nossa moeda estivesse vinculada ao ouro? Pois nesse caso não teríamos uma moeda com cada vez menor poder de compra, visto que antes o que R$ 1,00 representava em grama de ouros hoje representaria muito menos de R$1,00 para o mesmo grama?
    Dúvida mesmo... não faço a menor ideia e gostaria da ajuda dos senhores para compreender isso.
    Obrigado!
  • Vladimir  30/10/2020 13:54
    "Dúvida: a queda dos preços "precificados" no grama do ouro não se deu por conta da constante valorização do ouro? A valorização do ouro não se deu por causa de sua escassez?"

    Ué, mas esse é exatamente todo o ponto. O ouro se valoriza continuamente exatamente por ser escasso em relação à moeda que é continuamente impressa pelo Banco Central.

    E os demais produtos e serviços barateiam em relação ao ouro por estarem sempre com oferta crescente. Todo dia, mais bens e serviços são produzidos. Por isso o preço deles cai em relação ao ouro.

    E por isso o ouro sempre foi o padrão monetário escolhido.

    "Podemos realmente cravar que os preços cairiam se nossa moeda estivesse vinculada ao ouro?"

    Os preços cairiam ainda mais.

    Se o ouro fosse a moeda corrente, os preços de todos estes itens seriam ainda menores. Questão de lógica básica: se o ouro fosse a moeda, a demanda por ele teria sido bem maior do que foi neste período.

    Se a demanda por algo é maior, seu preço é maior. Se a demanda por ouro fosse maior (e seria, pois ele seria o dinheiro), então o preço do ouro seria maior. Isso quer dizer que seria necessário abrir mão de mais quantidade de produtos e serviços para obter a mesma quantidade de ouro. Logo, seu poder de compra seria maior.

    Maior demanda por moeda (ouro), maior o seu valor.

    "Pois nesse caso não teríamos uma moeda com cada vez menor poder de compra, visto que antes o que R$ 1,00 representava em grama de ouros hoje representaria muito menos de R$1,00 para o mesmo grama?"

    Não entendi a lógica. Ouro está fora da alçada dos governos. Ouro não pode ser desvalorizado por políticas estatais. Não tem como um Banco Central reduzir o poder de compra do ouro.
  • Matheus  30/10/2020 15:08
    Excelente artigo! Adoro ler textos do tipo! Muito obrigado por compartilhá-lo!
  • Luiz Henrique  30/10/2020 15:12
    Gostaria muito de começar a investir em ouro, so que possuo várias dúvida. Alguém poderia indicar um livro, canal do youtube para começar? Eu gostaria de sanar essas duvidas: quando o investimento em ouro não é viável, o que pode ocasionar a perda do valor do ouro, quando vender.
  • Leandro  30/10/2020 16:29
    "quando o investimento em ouro não é viável"

    Quando você está olhando apenas o curto prazo. Ouro não é para fazer trade. Ouro é para comprar, guardar e carregar para sempre.

    "o que pode ocasionar a perda do valor do ouro"

    Um robusto fortalecimento da moeda nacional. Ainda que isso ocorra (algo completamente fora do radar, por ora), seria algo efêmero. Isso poderia levar o ouro a se depreciar durante um ano, no máximo.

    "quando vender"

    Respeitosamente, acho que você não entendeu todo o ponto.

    Ouro é dinheiro; ouro não é moeda. Moeda é o que você utiliza para especular. Dinheiro é o que você guarda para o futuro.
    Ouro você compra hoje e mantém para o resto da sua vida; para sua aposentadoria. Ouro você compra hoje com a certeza de que daqui a 20, 30, 50 anos ele valerá muito mais que a moeda corrente.

    Quem comprou ouro em 2008 (ou seja, antes das duas últimas crises mundiais) está rico hoje. Quem comprou bolsa em 2008 ainda nem sequer bateu a inflação. E quem manteve a moeda nacional empobreceu.

    Quem compra ouro e fica olhando a cotação diariamente não entendeu nada. Ouro é para décadas; não é para uma especulação de duas semanas.

    Eu comprei ouro há duas semanas. E comprei mês passado. E comprei no início do ano. E comprei várias vezes ao longo do ano passado. Talvez por sorte, todas as minhas compras recentes estão positivas. Mas isso nem sempre ocorrerá. Haverá perdas de curto prazo. Só que estas são mais do que compensadas por todas as compras que fiz no período anterior (desde 2013).

    Esta é a chave dos investimentos constantes feitos a longo prazo. Este é o segredo de se acumular dinheiro de verdade (ouro) no longo prazo. Suas compras lá atrás mais do que compensam suas eventuais e temporárias perdas do presente (as quais sempre ocorrem em absolutamente todo e qualquer investimento, com a exceção do CDI).

    Quem está pensando em comprar ouro para especular, e não para manter, faça um favor a si próprio: não compre. Fique longe. Não só a chance de dar certo é ínfima, como também é possível ganhar muito mais fazendo day trade com ações. Ademais, se o objetivo é ter um ganho nominal no curto prazo, então é melhor ficar no CDI. Este é garantido.

    Agora, quem realmente quer enriquecer e ter uma aposentadoria tranquila daqui a 20, 40, 60 anos, pode comprar em qualquer data. Variações negativas de curto prazo têm impacto nulo em um período de tempo de 40 anos.
  • Caio Andrade  15/11/2020 00:16
    Excelente resposta.
  • Ronaldo Barros  30/10/2020 15:37
    Senti falta de duas coisas no artigo:

    1) gráfico comparativo do valor do Salário Mínimo;

    2) informar onde tem um trabalho (formal ou informal) cujo pagamento seja em ouro.

    Resumo: vale como teoria mas na prática o poder de compra do brasileiro só tem caído e acentuadamente nos últimos anos.

    Abraços,


    Ronaldo
  • Guilherme  30/10/2020 16:21
    1) Isso ignora os principais pontos.

    a) Ter de depender de um aumento da renda estipulado pelo governo para manter sua qualidade de vida é uma aposta arriscada. Até porque você só irá vivenciar esse aumento se estiver empregado. Mas isso ainda é do menos. Os dois pontos mais importantes vêm agora.

    b) Mesmo tendo tido aumento da renda nominal, ainda assim a pessoa perdeu: afinal, o dinheiro que a pessoa ganhou lá atrás e guardou, perdeu poder de compra ao longo do tempo. Isso é o que mais importa. A pessoa que em 1994 ganhou 100 reais e poupou está mais pobre hoje. Esses 100 reais se esfarelaram. Compram muito menos hoje do que compravam àquela época.

    E agora vem o principal: quem ganha salário mínimo é desbancarizado (quem mora no interior do país sabe disso). Logo, a pessoa poupou literalmente guardando o dinheiro em casa (sim, eu conheço muitas pessoas que fazem isso). Assim, essa pessoa realmente empobreceu. Não tinha aplicações bancárias nas quais se proteger. Já se fosse com moeda sólida, isso não ocorreria. Mesmo sendo a pessoa completamente desbancarizada, desempregada e/ou sem ter tido aumento de renda, essa pessoa ainda assim teria maior poder de compra hoje.

    A diferença, portanto, é incalculável.

    2) Isso é proibido por lei.

    Começou agora a entender por que você deve agitar para mudar isso? O governo monopolizou a moeda e como consequência você está sendo espoliado. Seu padrão de vida está bem abaixo do que poderia ser. Principalmente para quem é mais velho (não fique bravo com o mensageiro; vá atrás dos reais culpados).


    P.S.: ainda assim, você pode utilizar sua renda para comprar ouro e bitcoin. Sugiro que o faça.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  30/10/2020 19:26
    www.infomoney.com.br/economia/menos-de-2-meses-apos-lancamento-guedes-diz-que-nota-de-r-200-deve-durar-pouco/amp/
  • Praxeologista  30/10/2020 21:38
    As implicações são muito mais poderosas do que parecem à primeira vista. É apenas quando você vê, na prática, as consequências da manipulação monetária feita pelo governo que você consegue também entender por que há ciclos econômicos.

    A economia é a mesma, com os mesmos bens e serviços. No entanto, a manipulação da unidade de conta e do meio de troca falseia todo o cálculo econômico e gera vários investimentos insensatos.

    Um investimento que sob um padrão-ouro não seria atraente se torna extremamente atrativo quando o governo manipula a unidade de conta e a desvaloriza, fazendo parecer que um investidor terá fartos ganhos futuros em decorrência do aumento de preços calculados nesta moeda manipulada.

    No entanto, é só ilusão matemática. A economia é exatamente a mesma. A diferença é que, utilizando uma unidade de conta genuína e não-manipulada, não há ilusões. Já utilizando uma unidade de conta livremente adulterada pelo governo, as ilusões estão por todos os lados.

    É por isso que Mises dizia que a moeda forte é um direito humano que deveria ser cláusula pétrea em qualquer constituição.
  • Imperion  31/10/2020 04:59
    A moeda manipulada torna muitos investimentos atrativos e ao mesmo tempo destrói o resto da economia, mas eles sabem disso e agem assim sabendo em cima dos leigos, que por quererem receber de graça do estado, querem mais .
  • anônimo  30/10/2020 23:39
    Eu realmente não consigo entender a fixação que alguns liberais têm com o padrão-ouro. O problema da moeda fiduciária não é o fato dela não ser ouro, e sim o fato dos governos se financiarem imprimindo mais moeda do que o necessário. Você pode perfeitamente ter uma moeda fiduciária sem aumentar a quantidade de moeda. Isso só não é prático.

    É indiscutível que a riqueza dos EUA se multiplicou inúmeras vezes desde que criaram o dólar. Como uma quantidade limitada de moeda lidaria com isso? Como a economia digital vai trabalhar com ouro como moeda de troca? Não é necessário.

    Há uma certa ideia de que o ouro seria um padrão fixo de valor, imutável. Nada é mais enganoso do que isso. Preço é sempre, sempre relativo. A mesma comparação poderia ser feita com sacas de cimento. Na verdade, o que se deram conta ao final do padrão-ouro é simplesmente que moeda = confiança. Não interessa se no ouro, em conchas ou em papel-moeda.

    O fato do preço nominal dos produtos em dólar (ou real) estar mais caro do que, digamos, a 40 anos atrás, não muda o fato de que em termos relativos estamos todos muito mais "ricos". E não precisa comparar com o ouro, pode fazer uma comparação muito mais simples e direta: qual é a fração da renda média do trabalho destinada a aquisição desses produtos. Quanto uma pessoa que ganha a renda média precisava trabalhar para comprar 100kg de arroz 100 anos atrás e quanto precisa trabalhar hoje?
  • Franco  31/10/2020 05:11
    "Eu realmente não consigo entender a fixação que alguns liberais têm com o padrão-ouro."

    Você não consegue entender a diferença entre uma moeda gerida pelo mercado e uma moeda totalmente estatal?

    Bom, então, perdoe-me a sinceridade, mas nada pode ser feito por você.

    "O problema da moeda fiduciária não é o fato dela não ser ouro, e sim o fato dos governos se financiarem imprimindo mais moeda do que o necessário."

    Começou a entender o básico.

    "Você pode perfeitamente ter uma moeda fiduciária sem aumentar a quantidade de moeda. Isso só não é prático."

    Deixou de entender o básico.

    "É indiscutível que a riqueza dos EUA se multiplicou inúmeras vezes desde que criaram o dólar."

    O dólar sempre existiu. Até 1971, ele era lastreado no ouro. Depois disso, perdeu toda a ligação. De posse destes fatos, apresente sua teoria e substancie-as.

    "Como uma quantidade limitada de moeda lidaria com isso? Como a economia digital vai trabalhar com ouro como moeda de troca? Não é necessário."

    Você pergunta e ao mesmo tempo recusa a resposta. Nada pode ser feito por você.

    "Há uma certa ideia de que o ouro seria um padrão fixo de valor, imutável."

    Não entendeu absolutamente nada. Ninguém defende que o ouro, como moeda, tenha valor imutável. Até porque, se tivesse valor imutável, os preços de tudo seriam eternamente imóveis. É impossível, por definição, ter um meio de troca com valor imutável. Isso é teoria monetária básica.

    Se o ouro fosse moeda, tudo seria mais barato com o passar do tempo. Isso é o oposto de valor imutável. Aprenda o básico.

    "E não precisa comparar com o ouro, pode fazer uma comparação muito mais simples e direta: qual é a fração da renda média do trabalho destinada a aquisição desses produtos. Quanto uma pessoa que ganha a renda média precisava trabalhar para comprar 100kg de arroz 100 anos atrás e quanto precisa trabalhar hoje?"

    Hoje, mesmo com a moeda estatal, esse valor diminuiu, graças à enorme produtividade do capitalismo. A questão é: com uma moeda sólida, esse valor seria ainda menor. Bem menor. E o padrão de vida de todos seria muito maior, como demonstrado.

    Volte quando tiver alguma substância.
  • Imperion  01/11/2020 00:38
    "Como uma quantidade limitada de moeda lidaria com isso? Como a economia digital vai trabalhar com ouro como moeda de troca? Não é necessário."

    Com a moeda não inflacionária, as pessoas seriam obrigadas a viver na economia real, da qual elas nunca deveriam ter saído: economia é produzir bens e serviços aos consumidores.

    Se vc produz, vc tem renda pra gastar em bens e serviço. É impossível consumir se vc não produzir antes. Dinheiro é só pra facilitar a troca entre os bens e serviços. A base da economia são os bens e os serviços.

    A moeda fiduciária criou a ilusão que economia é dinheiro, que vc pode imprimir dinheiro à vontade, que isso não prejudica a economia real. O que acontece é que as pessoas sonham em receber sem trabalhar, sem produzir, e elas acham que vão receber uma parte do que é roubado dos outros.

    Então elas votam em políticos que querem um estado ladrão. E esse arranjo extorsivo continua.

    Quem não trabalha e é parasita não tá nem aí se os outros vão ser roubados. Não é dinheiro dela. Ela não quer saber a origem do dinheiro. Mas sem a impressão de dinheiro, os produtores, tendo menos prejuízo com a desvalorização da moeda, produziriam mais bens e serviços e teriam mais pra trocar, então todos teriam mais abundância.

    Moeda forte compraria mais e todos viveriam melhor — todos menos os que não trabalham ou são parasitas; esses, por não produzirem nada, não tem nada, e em nenhuma situação tem dinheiro.

    Premiá-los por não colaborar com a economia real e a prosperidade da sociedade é errado e é o que provoca as mazelas da sociedade.
  • Felipe  30/10/2020 23:46
    "Dólar deve chegar perto de R$ 6 com risco fiscal, falta de reformas e juro baixo, diz banco francês"

    "A pressão para desvalorização do real vai permanecer nos próximos meses, em meio ao aumento do risco fiscal do Brasil, a falta de reformas estruturais e o juro real negativo, avalia o banco Société Générale."
  • Estado máximo, cidadão mínimo  31/10/2020 06:16
    Nem surpreende mais. Bem capaz de estar beirando os dez reais ao fim do mandato do Biroliro. Em dúvidas sobre comprar ouro? Não consegue ouro físico? Vai de dólares mesmo. Em qualquer shopping há uma casa de câmbio. Brasil virando Argentina em três, dois, um...
  • anônimo  01/11/2020 01:19
    Os filhos dele não lêem este site? Já não fizeram cursos? E sem contar o restante do pessoal que o assessora. Será que ninguém consegue mudar a cabeça do Guedes e do BC?
  • Estado máximo, cidadão mínimo  02/11/2020 17:14
    Anônimo, como todo político, ainda mais brasileiro, já passou da metade do mandato já é hora de pensar na reeleição. Esquece esse governo aí. Já tá patente que político no Brasil é tudo igual.
  • Skeptic   03/11/2020 10:45
    O que me surpreende são políticos não aprenderem história.

    Zero presidentes do Brasil conseguiram se reeleger (ou fazer sucessor) com moeda fraca. Inclusive, moeda fraca ajuda até a causar impeachment.

    Se ilude o tolo do presidente se acredita que vai manter popularidade com poder de compra sendo dilacerado.

    Ironicamente foram os arrumadinhos , prudentes e sofisticados "liberais" de Chicago que destruíram a reeleição do biroliro.

    P.s: Mesmo com toda sua "grosseria ", o maior defensor da liberdade desse governo é o próprio presidente (principalmente na defesa da mais fundamental, importante e essencial liberdade que é o acesso da população a armas).
  • Daniel Cláudio  03/11/2020 14:32
    Concordo. E embora ele seja assumidamente ignorante em economia (o que não é demérito nenhum, ao contrário; até porque a Dilma se dizia especialista), é inconcebível que alguém com o faro político dele (um cara que ganha a eleição presidencial sem nenhuma estrutura partidária está longe de ser burro) não consiga perceber isso.
  • Carlos Lima  31/10/2020 02:42
    excelente! excelente! excelente... como sempre... uma ilha de sabedoria, em meio a um oceano de ignorância (não canso de repetir!). o imb consegue compensar esse grande lixo que é a internet, oferecendo conteúdo de primeira categoria que, no mínimo, leva a reflexões profundas sobre a realidade na qual vivemos. pela milésima vez: parabéns ao autor do artigo e a todos os que fazem o imb. meu prazer de navegar neste site se renova a cada dia.
    EM TEMPO: POR QUE NÃO RECEBEMOS MAIS AVISOS POR EMAIL, ALERTANDO SOBRE NOVOS COMENTÁRIOS ENVIADOS PELOS LEITORES??????
  • Icaro de Lima   31/10/2020 05:22
    Vale ressaltar que a mesma lógica vale para o salário.

    Em 1994 o salário mínimo era R$64,79 e o ouro era em torno de R$11,00 o grama.

    Ou seja, um trabalhador recebia 5,89 gramas de ouro por mês.

    Pra ele ganhar a mesma coisa que em 1994 ele teria que ganhar as mesmas 5,89 gramas.

    Mas ele valor na data de hoje é R$2.053,00, porém , o salário mínimo é de R$1045,00.

    Não precisa nem fazer conta para saber que em 26 anos o brasileiro empobreceu 50%.

    Temos acesso a bem mais bens e serviços, porém poderíamos ter um padrão de vida bem melhor se realmente usamos dinheiro de verdade.

  • Eduardo Mendes  31/10/2020 09:51
    Mas, como garantir que o ouro sempre terá algum valor? Se os governos , por força normativa, decidirem que o ouro é um metal sem valor, como ficaria essa idéia de valor real?
  • Trader  31/10/2020 16:17
    E desde quando governo consegue decretar o valor de algo? Se o governo decretar que apartamentos não devem ser cobrados, os preços dos apartamentos cairiam a zero? Carros? Roupas? Alimentos?

    É cada um…

    O ouro, além de ter uma história de mais de milênios de meio de troca e de reserva de valor, tem também várias utilidades práticas. É usado na indústria (metalúrgica, química), é usado como adorno (e a demanda por isso é constante), é usado na eletrônica. Jamais terá valor zero. Jamais chegaremos ao ponto em você encontrará uma barra de ouro na rua e irá se recusar a pegar porque ela nem sequer vale o esforço.
  • Jairdeladomelhorqptras  31/10/2020 13:53
    Pessoal,
    Uma dúvida: li (creio que aqui no IMB) que o governo rola 40% de sua dívida diariamente. Se os juros reais são negativos, como o tesouro está se financiando? Dúvida real, pergunta primária. Muito abaixo da capacidade do Leandro. Por isto peço para algum gentil leitor me esclarecer.
    Abraços
  • Trader  31/10/2020 16:22
    Não é 40%, é menos. E ele está tendo enormes dificuldades. Por isso o Tesouro Selic passou a ser negociado com deságio. Ao passo que a Selic está em 2%, ele passou a ser vendido pagando 2,50%. E ainda assim ficou encalhado.

    www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto-premios-de-titulos-publicos-recuam-nesta-terca-feira/

    fdr.com.br/2020/10/13/tesouro-selic-preocupacao-com-gastos-do-governo-atinge-o-titulo-mais-conservador-do-brasil-saiba-o-que-fazer/

    Como o governo faz para rolar? Simples: ele faz leilão de outros títulos (prefixados e IPCA). Isso é uma constante. Ele leiloa esses títulos (cujos juros hoje estão maiores do que estavam ano passado, não obstante a Selic ter sido reduzida) e usa o dinheiro para pagar os títulos vincendos.
  • Jairdeladomelhorqptras  05/11/2020 15:40
    Trader,
    Agradeço a Vc e ao Imperion pelas informações. Esclarecedoras.
    Abraços
  • Imperion  01/11/2020 00:43
    Pela lógica, pra rolar, estando a situação cada vez pior, ele aceita pagar mais caro pra lançar novos títulos.

    No regime militar, o governo tomou empréstimos internacionais baratos e se entupiu de dívida a ponto de não conseguir pagar. Achava que os juros baixos eram pra sempre. E só ficava rolando a dívida.

    Quando os emprestadores passaram a cobrar juros maiores pra cada título, nos anos 80, cada vez mais o governo não tinha dinheiro pra pagar.

    Então ele passou a imprimir dinheiro a rodo e desvalorizou a moeda pra estimular as exportações pra conseguir divisas pra pagar essa dívida.
  • Felipe  31/10/2020 14:24
    O Banco Central da Rússia, nos anos recentes, tem acumulado reservas de ouro, desde os conflitos com a Criméia. Depois disso, o rublo russo passou a ficar estável e teve uma parcial valorização (a ponto de o real ter se desvalorizado em relação ao rublo).

    Por que isso aconteceu, já que o ouro está em posse do banco central? Como isso gerou confiança? O rublo é um papel flutuante, então não é um padrão-ouro onde você vai no banco central e pode trocar por uma quantidade de ouro prometida.

    Curiosidade: inflação na Indonésia está bastante baixa.
  • Trader  31/10/2020 16:25
    É aquele negócio: o rublo não inspira confiança nenhuma; no entanto, a qualquer momento, o Putin pode anunciar que o rublo será atrelado ao ouro. Nesse caso, é sempre prudente manter um pouquinho de rublo nas carteiras.
  • Felipe  31/10/2020 17:27
    Seria inédito se ele fizesse isso.
  • AMAURI JOSE JUNQUEIRA  31/10/2020 15:24
    Se eu tivesse que ler um só artigo sobre economia este ano, leria este. Peço licença para usá-lo como referência para alguns amigos céticos
  • Carlos Lima  02/11/2020 00:29
    apoiado, amauri. pra mim foi o melhor artigo do ano (pelo menos até agora), embora a escolha tenha sido bastante difícil, em meio a tantas coisas excelentes que o imb publicou neste ano que ainda não terminou.
  • anônimo  31/10/2020 20:22
    O Brasil poderia atrelar sua moeda ao Ouro sem problemas? Pergunto, porque por sermos um país não tão desenvolvido assim, a nossa demanda por Ouro não é suficiente para dar uma estabilizada no seu preço.. Se uma Russia resolve manipular o preço do Ouro ficamos totalmente suscetíveis as flutuações
  • Juliano  01/11/2020 00:31
    1) Acho que você segue sem entender o ponto principal. Não existe isso de moeda com poder de compra estável. Por definição, a moeda sendo uma commodity, é impossível ela ter seu poder de compra invariável.

    Veja o próprio ouro, por exemplo. Os gráficos não mostram nenhuma estabilidade em seu poder de compra. Mostram, isso sim, um contínuo crescimento do seu poder de compra.

    Se a moeda tivesse um poder de compra imutável, os preços de tudo seriam eternamente imóveis. É impossível, por definição, ter um meio de troca com valor imutável. Isso é teoria monetária básica.

    2) Por tudo isso, uma pessoa que recebesse seus salários em ouro, por causa dos preços em queda, receberia valores nominalmente menores com o passar do tempo (por causa da deflação de preços).

    Curiosamente, os críticos dizem que tal arranjo seria impraticável, pois ninguém aceitaria uma redução salarial. No entanto, tais pessoas não vivem no mundo atual.

    No mundo atual, uma pessoa que, mensalmente, utilizasse todo o seu salário mensal em reais para comprar ouro irá, a cada mês, comprar cada vez menos ouro. Ou seja, o salário nominal dela já está caindo, só que ela não percebe.

    Recebendo em ouro, essa queda seria explícita. Mas o padrão de vida seria crescente. Ano passado, você recebia 35 gramas de ouro por mês. Hoje, você recebe 25 gramas. No entanto, todos os outros preços da economia caíram em igual ou até maior proporção.

    O que interessa é o poder de compra real, e este é crescente, como mostram os gráficos. Ademais, sua poupança já acumulada irá valer cada vez mais (ao contrário do que ocorre hoje).

    Tendo uma poupança com poder de compra preservado e sabendo que futuramente as coisas estarão mais baratas, o consumo presente aumentaria em vez de diminuir, ao contrário do que alegam os críticos da deflação de preços.

    3) Não entendi seu ponto sobre a Rússia e nem o que tal país tem a ver com o assunto. Já houve alguma manipulação comprovada do preço mundial do ouro pela Rússia? Desconheço. Ademais, pela lógica, seria do interesse da Rússia aumentar o preço do ouro (pois é um país exportador). Aumentar o preço do ouro seria aumentar o poder de compra da sua moeda. Você sairia ganhando.
  • anônimo  01/11/2020 19:36
    Entendi. Mas sobre os salários, eu acrescentaria algo. Não precisam, necessariamente, cair nominalmente.. Desde que a produtividade suba, os salários tendem a subir nominalmente mesmo com deflação.

    Agora, se eles tiverem de cair nominalmente, é um problema em uma sociedade sindicalizada. Apesar de ser verdade que o preço de todo o resto esteja caindo, é bem mais difícil reduzir salários nominalmente. A noção popular seria de que os patrões estão explorando elas. Algo parecido ocorreu na agricultura dos EUA durante o padrão ouro, preços de bens agrícolas em queda, os fazendeiros achavam que estavam sendo prejudicados, mesmo com todo o resto caindo em intensidade até maior..

    De resto, concordo inteiramente. Só que essa instabilidade não seria algo ruim, ainda mais se só o seu país usar o Ouro? Uma coisa é o Ouro flutuar em relação aos outros itens, quando vários países usam o ouro como padrão, outra é só o seu país tendo uma moeda forte valorizando e flutuando em relação as outras.. Teve periodos que o Ouro caiu em relação ao dólar e outras, fortes valorizações; Poderiamos ter hipervalorizações cambiais, principalmente se o resto do mundo desvalorizar suas moedas, e desvalorizações também..

    Talvez eu esteja errado, mas valorizações bruscas do cambio também pode ser negativas no curto prazo
  • Régis  01/11/2020 20:56
    "Entendi. Mas sobre os salários, eu acrescentaria algo. Não precisam, necessariamente, cair nominalmente.. Desde que a produtividade suba, os salários tendem a subir nominalmente mesmo com deflação."

    Correto.

    "Agora, se eles tiverem de cair nominalmente, é um problema em uma sociedade sindicalizada. Apesar de ser verdade que o preço de todo o resto esteja caindo, é bem mais difícil reduzir salários nominalmente."

    Bom, aí é problema de sindicato, e não da economia.

    Se o seu argumento é o de que toda a economia e principalmente os trabalhadores devem ser ferrados apenas para desagradar a líderes sindicais, boa sorte.


    "Algo parecido ocorreu na agricultura dos EUA durante o padrão ouro, preços de bens agrícolas em queda, os fazendeiros achavam que estavam sendo prejudicados, mesmo com todo o resto caindo em intensidade até maior.."

    Não foi isso. Os preços desabaram por causa da imposição da tarifa Smoot-Hawley, que simplesmente interrompeu todo o comércio exterior. Sem poderem exportar, os preços dos produtos só podiam cair. Isso não foi nenhuma deficiência do padrão-ouro. Foi, isso sim, uma total lambança política.

    www.mises.org.br/article/2594/sobre-a-crise-de-1929-e-a-grande-depressao--esclarecendo-causa-e-consequencia

    www.mises.org.br/article/2869/a-guerra-comercial-alem-de-ser-uma-contradicao-em-termos-possui-um-historico-pavoroso

    "De resto, concordo inteiramente. Só que essa instabilidade não seria algo ruim, ainda mais se só o seu país usar o Ouro? Uma coisa é o Ouro flutuar em relação aos outros itens, quando vários países usam o ouro como padrão, outra é só o seu país tendo uma moeda forte valorizando e flutuando em relação as outras.."

    Por que ter moeda forte seria ruim? Esta é exatamente a situação da Suíça. O franco suíço está em constante valorização perante todas as outras moedas. Aí você tem de argumentar que os suíços estão maus por causa disso.

    "Teve periodos que o Ouro caiu em relação ao dólar e outras, fortes valorizações; Poderiamos ter hipervalorizações cambiais, principalmente se o resto do mundo desvalorizar suas moedas, e desvalorizações também.."

    Houve período em que o ouro caiu simplesmente porque havia subido muito no período anterior. Foi apenas uma correção.

    É estranho você citar isso como uma falha sendo que, logo acima, você havia dito explicitamente que prefere um padrão que flutue. Ora, o ouro cair após ter subido muito é exatamente isso.

    No entanto, no longo prazo, a tendência é de valorização. E é isso o que importa para o bolso do cidadão.
  • Breno  01/11/2020 17:10
    Boa tarde, pessoal. Alguém poderia indicar onde poderia comprar ouro e quais as melhores opções?
  • Ouro  02/11/2020 12:53
    Não sou especialista, mas pelo que li até hoje as opções seriam: - físico = Parmetal / Ourominas; - cripto moeda = PaxGold ; - fundo = vários. Tenho usado a última opção, através do Vitreo Ouro. Pra quem quer comprar de forma simples, rápida e segura acho que a melhor opção seria através de fundos mesmo. Mas é claro que essa "segurança" é bem relativa, tendo em vista que nesse caso o patrimônio estará no conhecimento (e no controle?) do Estado.
  • Daniel L.  01/11/2020 22:24
    Não consigo não perguntar: Tenho 15 mil reais em poupança e farei uma viagem na qual gastarei esses 15 mil daqui a três anos; é uma boa ideia colocar em ouro (ou ativos que acompanhem o valor como fundos)? Não há o risco de perder parte do principal caso o real se valorize nesse meio tempo ou o ouro desvalorize em relação ao real?
    Pergunto pois sei que houve grande desvalorização do real esse ano, então minha pergunta é tendo em vista o cenário atual.

    OBS: Para agências regulatórias, burocratas e intrometidos de plantão, é meramente uma pergunta hipotética.
  • Viajante  02/11/2020 13:42
    Seria uma boa, mas, com o risco de soar óbvio, você já deveria ter feito isso. Era pra ter feito isso, no mínimo, ano passado, quando o dólar ainda estava em torno de R$ 4.

    Embora esse seu prazo de três anos seja relativamente amplo, tal janela de tempo ainda é especulativa.

    Em todo caso, se você comprar ouro e, daqui a três anos, o ouro estiver mais barato em reais, isso seria ótimo: significa que o real ganhou poder de compra e a sua viagem ficará mais barata para você. Mas as chances de isso ocorrer são bem pequenas.
  • Imperion  02/11/2020 17:44
    Existe o risco de vc deixar na poupança e continuar perdendo, o que também é desvalorização. Existe o risco de vc comprar dólar e, pasmem, o governo acerta e o real valoriza e o dólar se desvaloriza (a probabilidade é muito pequena).

    Nosso governo nunca toma jeito. Já faz 26 anos que ele tem meta de inflação alta; a probabilidade do real se valorizar é só por milagre.

    Se as chances do real continuar derretendo são muito mais altas que o ouro valorizar, vá de ouro.

    Existe o risco sim do ouro desvalorizar. Por isso vc tem que aprender a calcular os riscos probabilísticos.

    Olhando bem, não é só o governo brasileiro que tá fazendo lambança. A maioria dos governos estão. Tão destruindo a própria moeda. Causa e efeito as pessoas vão fugir disso querendo ir pro ouro. Por isso este tem pouca chance probabilística de cair, pois a probabilidade das moedas nacionais cairem é alta.

    Se passar essa de aumento de impostos, juros negativos, renda mínima, mais endividamento do governo, mais gastos obrigatórios, como tudo isso é inflacionário, pode ter certeza que o real vai afundar mais um pouco. E o ouro sobe mais um pouco.

    E como estamos indo por esse caminho, pois nossos políticos e o eleitorado não estão nem aí, em reais é altamente probabilístico que o governo afunda, o real afunda e o ouro valorizará em reais.

    Isso só não aconteceria se: os juros voltassem a subir a um nível positivo, a meta de inflação fosse zero, cortassem impostos, cortassem gastos obrigatórios do governo, desinchassem o estado, a reforma tributaria que saísse fosse mesmo desburocratizante, o governo cortasse subsídios, reduzisse o estado, cortasse mega salários, mega penduricalhos, mega privilégios do funcionalismo público — tudo isso teria efeito de valorizar o empreendedor e a moeda nacional.

    Agora, como as chances de no curto prazo tudo isso ser feito são extremamente baixas (redução salarial e do quadro dos funcionários só a conta-gotas; caso alguém faça, duraria 30 anos, que é o tempo pra quem tá na ativa se aposentar e sair, por exemplo), as chances de o real voltar a subir no curto prazo tb são extremamente baixas (só por milagre entra alguém lá arrumando mesmo a casa).

    Se for comprar ouro fique atento às taxas cobradas mensalmente ou anualmente, calcule quanto você vai pagar no total quando for resgatar daqui a três anos e quanto vai dar para o governo quando resgatar. Seu ganho tem que ser maior que o que ganharia na poupança.
  • Felipe  02/11/2020 22:36
    "Autonomia do Banco Central será votada nesta terça (3); entenda o que está em jogo"

    Afinal, será que vai mudar alguma coisa? Já não existia isso no governo Lula? O que me dá medo são as funções de "crescimento econômico e pleno emprego". Como farão isso? Tentando imitar mais ainda o Federal Reserve?

    Prestem atenção nas falas do Paulo Guedes.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  02/11/2020 23:57
    No governo lula havia Henrique Meirelles, com décadas de experiência em mercado financeiro internacional, bem relacionado e conectado com outros tubarões financeiros e muito pragmático e inteligente em suas decisões. O que temos hoje? Ciro Guedes, fazendo pós-graduação em fazer besteira e falar asneira.
  • Artista Estatizado  03/11/2020 15:38
    O Guedes diz apoiar a independência do Banco Central, mas é o primeiro a, nos últimos tempos, sair por aí afirmando o que o Banco Central vai ou não fazer.

    Ele quer proteger o Banco Central da influência dele mesmo? Se ele acredita tanto nisso, por que não começa ficando calado sobre os temas relacionados ao BC?
  • Trader  03/11/2020 18:19
    Sim. Como bem dito neste artigo, o BC sofreu captura regulatória e perdeu sua autonomia. Hoje quem manda no BC é a Fazenda (seria o equivalente a Meirelles aceitando ordens de Guido Mantega).

    Já está bastante claro, e há muito tempo, que o BC não mais está preocupado nem com inflação e nem muito menos com câmbio. Ele deixou de fazer política monetária (já não fazia cambial há muito tempo) e agora se concentra exclusivamente em fazer política fiscal.

    Sim, o BC hoje faz política fiscal. Ele estipula juros visando exclusivamente a reduzir o custo do serviço da dívida. Ele virou auxiliar do Tesouro.

    Por isso, a preocupação atual do BC é exclusivamente com política fiscal. Esqueçam o real. Ele pode até se recuperar no futuro, mas, no momento, eu não vejo como qualquer pessoa racional possa ficar nele.
  • Ex-carioca  03/11/2020 20:12
    Olá Trader, obrigado pela resposta numa publicação anterior sobre o ouro.

    Baseado no que você disse sobre o BC estar atuando como parceiro fiscal do governo, eu fico pensando será que ele, além de querer reduzir o custo do serviço da dívida, também estaria "reduzindo" os gastos obrigatórios (aposentadorias e salário do funcionalismo)?

    Será que o Paulo Guedes está usando uma política monetária zuada realmente para este fim? Eu fico pensando nisso porque o José Monir Nasser dizia que desde que o Brasil é Brasil, o governo se autofinancia com inflação.
  • Trader  03/11/2020 21:30
    Tudo indica que sim. Como é proibido reduzir salário de funça (o tal "direito adquirido"), a única maneira "legal" de fazê-lo é por meio da inflação, o que reduziria os salários em termos reais.

    O único probleminha é que, nessa ideia, todo o padrão de vida da população vai pro saco.
  • Felipe  03/11/2020 23:41
    Acontecia a versão piorada disso antes da Lei de Responsabilidade Fiscal. Os bancos estaduais acabavam financiando as dívidas governamentais e eram socorridos pelo BCB por pura impressão de dinheiro. Felizmente eles acabaram com essa farra. Hoje, quando os estados quebram, parcelam salários e afins, como aconteceu com o estado do Rio de Janeiro. Aí acaba o tal do "direito adquirido".

    Paulo Guedes, de qualquer forma, deveria se aposentar e dar lugar para um ministro melhor.
  • Imperiom  04/11/2020 14:08
    O direito adquirido tb inclui o reajuste. Então a inflação não pega os gastos com funcionários. Somente se ao se aposentarem ele der um jeito de extinguir o cargo, e aproveitar pra não repô-lo.
  • Ricardo Ildefonso  02/11/2020 23:09
    Olá, senhores.
    Podem, por favor, criar um mesmo gráfico para o preço dos principais insumos agrícolas:
    - Fertilizantes
    - Herbicidas
    - Inseticidas
    - Sementes tratadas (sim, mesmo tratadas precisam de fertilizantes e herbicidas)
    - Valor de compra de trator + plantadeira (corrigidos pela produtividade em hectares por hora)
    - Valor de compra de colheitadeira (corrigido...)
    - Valor do frete por tonelada

    Isso seria muito, muito elucidativo. Agradeço desde já.
    Cordialmente,
    Ricardo Ildefonso
  • Felipe  04/11/2020 02:42
    Olhem que legal, achei o discurso de despedida do Gustavo Franco da presidência do BCB, quando o seu lugar seria assumido pelo Armínio Fraga, em março de 1999. A segunda parte do discurso está no fim da página.

    Ele parecia não ter ficado satisfeito com o fim do câmbio atrelado. Pelo jeito, um defensor de moeda forte. Na história do real, só conheço duas pessoas que defendiam um real forte: Gustavo Franco e Henrique Meirelles. Em um regime flutuante num país como o Brasil, qualquer política pombalista já causa um estrago enorme.

    Falando das eleições americanas, uma eleição do Biden poderia certamente atacar a força do dólar. Apesar disso, eu não acho que isso seria exatamente benéfico, porque poderia interferir nos preços das commodities em dólar (e aí teríamos commodities caras em real e dólar) e o real não está fraco apenas em relação ao dólar, mas sim em relação a várias outras moedas do mundo. Aquela baixa nas commodities em reais no começo do ano foi atípica, por causa do choque de oferta e demanda, não por causa de alguma força da moeda. Não tinha outra razão, já que em 2019 o real já tinha se desvalorizado em relação a várias outras moedas, principalmente após julho daquele ano.

    O meu medo é o que o BCB irá fazer no ano que vem quando a inflação estourar a meta. Intervir no mercado de câmbio e vender reservas? Afrouxar as metas de inflação?

    PS: O BCB bem que poderia acumular reservas de ouro.
  • Felipe  05/11/2020 20:23
    "Senado aprova projeto da autonomia do Banco Central; texto vai à Câmara
    "


    O que vocês acham que vai mudar com essa autonomia?
  • Ex-carioca  06/11/2020 14:16
    Sigo a linha de pensamento que "Banco Central bom é Banco Central inexistente". Qualquer coisa além disso é puro folclore.

    Corrijam-me se eu estiver errado, mas no arranjo atual, qualquer coisa mais ousada que o BCB quiser fazer, ele precisa de autorização do congresso.

    Já imaginou o BCB com a mesma autonomia do FED para fazer intervenções a bel prazer? Quando eu penso nisso, fico imaginando uma carreta de 200TN, sem freios, conduzida por um chimpanzé histérico, descendo uma rodovia a 150km por hora.

    não vai terminar bem ...
  • Leandro  06/11/2020 15:29
    A questão mais interessante ali é a dos depósitos voluntários remunerados. Trata-se exatamente daquilo que o Fed fez pós-2008 e que impediu que toda a expansão da base monetária virasse oferta monetária.

    Você raramente encontra menção a esse mecanismo na imprensa. Apenas o IMB falou sobre isso. Repetidas vezes, em vários artigos.

    Eis o trecho mais crucial de todos:

    "Quando o Fed, em outubro de 2008, adotou a política de pagar juros sobre toda e qualquer reserva em excesso voluntariamente mantida pelos bancos no Banco Central, ele revolucionou completamente as práticas dos Bancos Centrais. Nenhum livro-texto, nem mesmo os próprios livros publicados pelo Fed, jamais discutiu essa hipótese.

    Tal política, com efeito, colocou uma rolha no mecanismo de transmissão entre a expansão da base monetária e o aumento da quantidade de dinheiro na economia. Esse mecanismo de transmissão foi rompido. A relação entre aumento da base monetária e aumento de M1, M2, M3 e M4 foi quebrada. Não há manual de macroeconomia que discuta essa possibilidade.

    Consequentemente, há uma nova era na economia americana no que diz respeito a práticas de Banco Centrais. Qualquer economista que queira apresentar uma teoria sobre hiperinflação nos EUA em decorrência da volumosa expansão da base monetária terá de explicar como essa hiperinflação poderá ocorrer agora que o Fed descobriu essa prática de pagar juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositem no Fed.

    Com essa medida de pagar juros sobre todo e qualquer depósito voluntário que os bancos depositarem no Fed, a possibilidade de hiperinflação é praticamente nula."




    Aqui no Brasil, até mesmo economistas acadêmicos seguem ignorando este fato, e continuam repetindo a mesma baboseira de que "o aumento da base monetária não gerou inflação, por isso a teoria está morta e a Teoria Monetária Moderna funciona". Eles simplesmente desconhecem este novo mecanismo existente — ou conhecem perfeitamente, mas fingem desconhecer para não atrapalhar suas narrativas.

    Sendo adotado aqui no Brasil, haverá um impacto semelhante, mas será mais sentido na questão dos juros. Com os bancos podendo ganhar juros fáceis e com risco zero apenas depositando diretamente o tanto que quiserem no Banco Central, a necessidade de uma Selic alta acaba. Juros altos nunca mais voltarão. Expansões monetárias também serão mais facilmente controláveis (esse mecanismo é muito mais efetivo do que operações compromissadas).

    A questão, então, passa a ser se tal prática será realmente utilizada e em qual volume.
  • Sadib  06/11/2020 16:49
    Leandro, diferente da crise de 2008, na crise desse ano vemos um crescimento muito grande do M1, M2:

    tradingeconomics.com/united-states/money-supply-m2

    Você acredita que "dessa vez será diferente", existindo risco de inflação elevada nos EUA? E veremos uma valorização ainda mais forte do ouro (pela desvalorização do dólar) quando a demanda voltar ao normal a partir do próximo ano?

    Obrigado, abs
  • Felipe  06/11/2020 19:27
    Então isso para o Brasil seria bom, já que as expansões monetárias serão mais facilmente controláveis? Já pensou em escrever um artigo sobre isso? Estourando a meta de inflação, o que muda? O que acha do PIX?

    No caso americano, em tese essa prática do Banco Central Americano seria infinita, de forma que o governo poderia ficar rolando as suas dívidas infinitamente e sem precisar aumentar os juros?
  • Leandro  06/11/2020 20:24
    Nos países ricos, há pressões deflacionárias fortes, como demografia e tecnologia.

    Com o envelhecimento da população, aumenta-se a poupança para o futuro: populações menos jovens tendem a poupar mais, pois sabem que precisarão deste dinheiro no futuro, principalmente em um futuro em que sabem que não poderão contar com a previdência social. E quem já é idoso, naturalmente consome menos e tem maior precaução com as finanças.

    Quanto à tecnologia, de um lado, ela aumenta a oferta de produtos e serviços a custos menores. Isso é deflacionário (com efeito, a tecnologia sempre foi deflacionária). De outro, ao aumentar a eficiência da produção, a tecnologia reduz a demanda por empréstimos no mercado de "loanable funds" (fundos emprestáveis). São necessários menos empréstimos para se efetuar os mesmos investimentos. Menos crédito é concedido.

    Adicione a tudo isso a pandemia que destruiu vários empregos, e o cenário para uma hiperinflação nos países ricos é muito improvável.

    No entanto, agora vem a parte aparentemente mais paradoxal: essas pressões deflacionárias serão exatamente as causas do aumento dos preços dos metais preciosos e das moedas digitais (como Bitcoin).

    Quanto menor for a pressão nos preços, mais os Bancos Centrais irão se sentir livres para inflacionar. Teoria Monetária Moderna, moedas digitais estatais e Grande Reset são coisas já contratadas.

    Renda Básica Universal e gastos estatais financiados pela criação de moeda digital serão coisas triviais no futuro.

    Consequentemente, as moedas nacionais, globalmente, valerão cada vez menos em relação a ativos sólidos. Isso fará aumentar enormemente a demanda por proteção de patrimônio. Os preços dos bens de consumo triviais até poderão subir relativamente pouco, mas coisas como imóveis, comida, ações, metais preciosos, terrenos e moedas digitais privadas valerão cada vez mais. A própria procura por moedas digitais tende a explodir por parte de pessoas querendo mais privacidade financeira na vindoura era das moedas digitais estatais.

    Este é o cenário (o qual não é novidade nenhuma para quem acompanha os artigos deste Instituto) para o qual estou me posicionando. E ele nem sequer é segredo de estado:
    Paulo Guedes confirma que Brasil terá versão digital do real

    Ou seja, tudo isso também chegará ao Brasil, embora com mais atraso.

    Por fim, concordo com o que disse o leitor Neto aqui: o governo que implantar a moeda digital, e consequentemente implantar a Renda Básica Universal, não perde eleição. Não é nem mais uma questão de "se" vai acontecer isso, mas sim de qual governo fará isso. Aquele que fizer, fica.
  • Felipe  07/11/2020 00:00
    Se há menor pressão nos preços, por que a comida ficaria mais cara junto com outros bens procurados para proteção de patrimônio como imóveis, terrenos e metais preciosos? Por causa somente do encarecimento das commodities? Nesse ano, eu sei que a inflação de alimentos foi mais alta do que a inflação geral nos EUA e no Brasil, embora não tenha certeza se tal fenômeno foi igual em todo o mundo. Poderia haver um cenário de maior pressão nos preços e então os bancos centrais reverterem?

    Isso afetaria em que medida os países que adotam Currency Board ou não possuem banco central? Neste ano, por exemplo, no Equador, embora o M1 tenha subido mais do que nos anos anteriores, sua subida foi mais contida do que até nos Estados Unidos.

    Esse negócio de Renda Básica Universal com moeda digital é sustentável? Porque é evidente que sociais-democracias, assim como o socialismo, não duram para sempre.
  • Marcos  07/11/2020 04:15
    Leis ambientais restritivas, maior quantidade de bocas (embora a população esteja envelhecendo, o número total de seres humanos só cresce) e o fato óbvio de que alimento é um bem de consumo não-durável, ao contrário de geladeiras, carros, roupas e aparelhos eletrônicos.
  • Imperion  07/11/2020 20:12
    As commodities encarecem porque há maior demanda ou menor produção. Isso se transforma em inflação. E a renda básica, como é apenas dar dinheiro pra pessoa não trabalhar, é insustentável; você tira dinheiro de quem produz e dá pra quem não produz. A insustentabilidade é proporcional a quanto você toma/rouba do setor produtivo.

    Por exemplo, confisque 100 por cento da renda do setor produtivo. Em um ano apenas, com a falência deles, todo mundo estaria na miséria. Confisque 1 por cento da renda e demorará décadas para o setor produtivo ir à falência e começar a implosão da economia e a miséria pra todos.

    Mas os economistas gostam de falar que distribuição de renda diminui a pobreza. Então têm que ser ignorados. A questão é que alguns pegam o dinheiro e tentam empreender (menos de 10 por cento) e foi por causa disso que conseguiram renda, não pela esmola. Mas isso acaba confundindo os números.

    Se a ajuda do governo fosse pra ele montar um negócio MEI, essa renda ajudaria a produtividade. Mas como apenas é pra pagar contas consumistas do quem não trabalha, é uma politica de demanda.

    Então é como o governo pega o dinheiro e como ele investe. Se o dinheiro recebido fosse condicionado a abrir um negócio, isto é, trabalhar e empreender, e fosse devolvido depois aos donos, a ajuda do governo não seria parasítica e os pobres gerariam renda pela produção, que a verdadeira base da economia. 
  • Felipe  07/11/2020 00:18
    Uma coisa que esqueci de falar é o que me deixa curioso é de como eles irão implantar moeda digital num país com economia informal enorme e com muitas pessoas ainda sem conta no banco. Se não me engano você falou sobre isso anos atrás.
  • Trader  07/11/2020 04:16
    Acho que você não pegou o ponto principal. Moeda digital não precisa de banco. Com moeda digital, o setor bancário se torna totalmente desnecessário como intermediador de pagamentos. Você só precisa de celular, internet e uma wallet. E o Banco Central transfere diretamente para você.

    A moeda digital estatal, como explicado aqui, está sendo criada exatamente para contornar o problema de o dinheiro ficar empoçado nos bancos.
  • Felipe  09/11/2020 03:43
    Eu confesso que não consigo imaginar como que esse troço vai funcionar. Me parece um comitê centralizado tentando planejar a economia e cometendo desastres, como sempre. É engraçado imaginar um banco central imprimindo dinheiro e mandando para uma conta de uma pessoa. O que vão fazer com todo o sistema bancário? Vai fechar tudo?

    Será que muda a mecânica da TACE?

    Acho que ainda vale um artigo mais detalhado sobre esse esquema, o qual é bastante obscuro.

    Não sei como irão implantar isso no Brasil.
  • Imperion  07/11/2020 19:59
    Quem estiver fora do sistema, vai continuar fora. Assim a implantação vai ser parcial. Aí mesmo assim, quem tiver um celular, vai estar dentro.
  • Thiago  07/11/2020 14:41
    Se as moedas continuamente vão começar a perder valor em ritmo nunca visto antes, qual seria o incentivo para que pessoas/empresas produzam?

    Será que nesse esquema que se avizinha teremos o contínuo aumento da produção e produtividade que tivemos durante os últimos 2 séculos?

    Além da demanda crescente (aumento populacional), tem que colocar isso na equação também.
  • Trader  07/11/2020 19:50
    Exato! Este é o ponto. Hoje mesmo já não faz sentido nenhum produzir e correr riscos (e ainda ser espoliado pelo governo e pela Justiça do Trabalho) se você pode simplesmente comprar dólar, ouro e Bitcoin e surfar na desvalorização da moeda.

    A sorte é que pouquíssimos empreendedores sabem disso (a ignorância deles é a nossa sorte e o nosso bem-estar). Eu realmente não entendo o que leva uma pessoa a produzir havendo tantas alternativas mais seguras e mais rentáveis.

    Isso é apenas uma consequência de se ter moeda estatal. A partir do momento em que o governo começa a detonar a moeda, sempre surgem alternativas muito melhores do que o trabalho, a produção e o empreendedorismo.
  • Trader  07/11/2020 20:05
    Já com moeda forte não tem essa moleza. Você só ganha renda se produzir e vender para quem quer comprar. Não tem aplicação rendendo 30% ao ano. O próprio ouro não renderia nada. E o dólar cairia ano após ano.
  • Imperion  08/11/2020 04:10
    Se as pessoas vão ser espoliadas pelos governos, elas não vão produzir pra ofertar ao mercado. Produtores rurais, que hoje produzem trinta vezes mais por cabeça, vão começar a plantar apenas pra subsistência.

    Mesmo que vc tome a terra, quem a receber, não sendo agricultor, também não vai produzir para ofertar ao mercado. Economia de subsistência é retrocesso em 200 anos no abastecimento de alimentação. Mas é o que a esquerda quer, já que é o que vai levá-la ao poder.

    Foi com o salto de trinta vezes na produtividade agrícola em duzentos anos que se permitiu as pessoas viverem em cidades. Uma pessoa produzindo por trinta libera 29 para fazer outras coisas.

    Eles (políticos) sabem que não inventaram a roda. Mas sabem que chegarão ao poder assim.
  • David Ferreira Diniz  06/11/2020 11:36
    Comprar títulos da dívida do governo parece, a princípio bom, mas creio ser uma tremenda imoralidade.
  • Geraldo  06/11/2020 19:59
    Olha que coisa... É só o Biden dar sinais de que vai se eleger que o dólar despenca. Mas, ao verificar a cotação dele em relação a outras moedas, pude constatar que isso aconteceu porque o dólar enfraqueceu, e não porque o real se fortaleceu.

    Seria isso um sinal de que o mercado financeiro está apreensivo com o fato de que Biden está praticamente eleito?
  • Trader  06/11/2020 20:30
    O índice DXY desabou. Está no menor nível desde janeiro de 2015. Meu palpite é que o mercado está prevendo que a Teoria Monetária Moderna, agora turbinada pelo dólar digital, virá com tudo. O Partido Democrata deixou explícito que a TMM é o seu novo credo. Todos os seus integrantes esposam essa tese.

    Fazer TMM com dólar digital vai ser sopa. Ainda mais com o Congresso travado, sem aprovar nada, o caminho ficará livre para o Fed inflacionar livremente.
  • anônimo  06/11/2020 21:13
    Se eu não estiver enganado, isso não vai ajudar na inflação Brasileira.
    Dolar fraco eleva as commodities. Se por um lado nosso câmbio cai, o preço dos insumos, globalmente, sobe.. O ideal mesmo seria um fortalecimento do Real..

    Embora alguns itens estejam ficando mais baratos para importar.. Então não sei se é inteiramente ruim ao Brasil
  • Imperion  07/11/2020 20:18
    Vai ser ruim somente para a parcela da população que exporta commodities. O restante da economia, que importa, sai ganhando. As matérias-primas ficam mais baratas e isso fará com que os bens e serviços produzidos aqui fiquem mais baratos. É bom para o consumidor e para os produtores que atendem esses consumidores.

    Agora se você só desvaloriza a moeda, para facilitar a exportação de produtos agrícolas brasileiros, vc acaba estimulando só essa parte da economia, enquanto que o setor industrial encolhe, pois se vc gera um desequilíbrio na produção em que só compensa exportar commodities, os produtores só vão investir em produção de commodities. Isso gera um desequilíbrio na economia e acaba com a diversificação desta.
  • anônimo  07/11/2020 21:57
    Sim, isso se as commodities não subirem globalmente de preço.
    Mas a correlação é bem o contrário, dólar fraco aumenta os preços dos insumos globalmente pois tem muito mais dólares em comparação a quantidade de insumos, mais moeda para comprar o mesmo bem, processo de inflação básico e nesse caso global, pois o dólar é moéda de reserva global usado para precificar os insumos.

    Ai pouco importa se o dolar enfraqueceu e o nosso cambio caiu, ainda vai ter insumos caros..
    Alguns bens de capitais, maquinários, que não sofrem reajustes preços por causa dos insumos mais caros lá fora podem ficar mais baratos aqui dentro (eletronicos com pressão de concorrência, maquinários, etc).. O resto eu não espero melhorias.
    Mas posso estar enganado. Lembrando que estamos em uma pandemia e a queda da demanda de alguns países pode derrubar esses insumos mesmo com o dolar indo pro vinagre.. (Ai meu exemplo vai estar errado)


    Resumidamente. Não da para ficar feliz ainda com esse câmbio caindo porque o dólar ta fraco; Não tem pra onde fugir, o problema é o Real
  • Felipe  09/11/2020 17:57
    Mas o Fed é independente e até onde eu saiba, isso não vai mudar muita coisa (o mandato do Jerome Powell acaba só em 2028). De certa forma seria bom o Congresso travar. O crescimento nos EUA voltou depois que o Congresso travou (após 2012), porque os projetos malucos do Obama não foram passados. Lá quando o Congresso trava, é bom. Aqui que é ruim, porque precisamos muito de reformas, e eles nem tanto.
  • Geraldo  07/11/2020 13:55
    TMM? Ferrou... Agora deu pena dos americanos. Ruim com o Trump, pior sem ele (pelo menos no que diz respeito à economia).

    É... Em matéria de políticos, os americanos estão tão bem servidos quanto nós.
  • Iuri Rossi  09/11/2020 13:33
    Único item mal escolhido em minha opinião é o barril de petróleo.

    Apesar de ser uma commoditie ele é bem diferente das demais se levarmos em consideração o fato de ser um item que além de sofrer com monopólio mundial dos mercados por parte de governos é um item finito enquanto as demais commodities não.

    Em outras palavras, um período onde o barril de petróleo possa encarecer em relação ao ouro tem grandes chances de não estar relacionado a um maior custo de produção e sim por escassez de oferta perante a demanda crescente.

    Para reforçar os argumentos do artigo acho que faltou falar do aumento de produtividade relacionado com o aumento de tecnologia. Hoje qualquer bem manufaturado é muito mais barato que no passado e muitos inclusive nem existiam.

    Aproveito para contribuir com uma crítica ao termo delfação na minha opinião mal aplicado. Se entendermos que inflação e deflação são basicamente expansão ou retração da oferta monetária é errado dizer que a "A economia de mercado e o capitalismo são inerentemente deflacionários" pois apesar da tendência dos preços cair ao longo do tempo isto não se dá pela deflação e sim pelo aumento de produtividade. Explicar que uma economia de mercado é deflacionária é aceitar a inversão do sentido real da palavra e isso dificulta o entendimento do conceito.
  • Leitor Antigo  09/11/2020 14:54
    "Único item mal escolhido em minha opinião é o barril de petróleo."

    Não teve barril de petróleo, mas sim contratos de gasolina.

    "Apesar de ser uma commoditie ele é bem diferente das demais se levarmos em consideração o fato de ser um item que além de sofrer com monopólio mundial dos mercados por parte de governos"

    Monopólio mundial dos governos? Gentileza citar fontes sérias que comprovem isso.

    Se petróleo é monopólio mundial de governos, então por que:

    a) há total liberdade de formação de preços nos mercados spot e futuros?

    b) por que preços caem a mínimas históricas em determinadas ocasiões?

    Nenhum destes dois itens combina com a definição de monopólio estatal.

    De resto, estaria você dizendo que o petróleo barateia por ser monopólio? Taí uma afirmação economicamente insensata.

    "é um item finito enquanto as demais commodities não."

    As outras commodities são infinitas? Quais? Alimentos são infinitos? Se fossem infinitas, seu preço seria zero.

    Por favor, não seja leviano. Escolha termos mais economicamente corretos e realistas.

    "Em outras palavras, um período onde o barril de petróleo possa encarecer em relação ao ouro tem grandes chances de não estar relacionado a um maior custo de produção e sim por escassez de oferta perante a demanda crescente."

    E no que isso se difere em relação a todas as outras commodities? Milho não pode passar por um período de escassez? Arroz? Carne? Soja? Trigo? Já ouviu falar em períodos de seca e estiagem?

    Nada faz sentido.

    "Para reforçar os argumentos do artigo acho que faltou falar do aumento de produtividade relacionado com o aumento de tecnologia. Hoje qualquer bem manufaturado é muito mais barato que no passado e muitos inclusive nem existiam."

    A comparação começou em 1994. A queda de preços foi praticamente anual desde então. Gentileza dizer onde exatamente começou o efeito da tecnologia. Se a tecnologia a que você se refere é recente (como você deu a entender), então por que os preços já caíam antes dela?

    Aliás, por que os preços caíram nos EUA de 1814 a 1913?

    Favor não fazer cherry picking.

    "Aproveito para contribuir com uma crítica ao termo delfação na minha opinião mal aplicado. […]Explicar que uma economia de mercado é deflacionária é aceitar a inversão do sentido real da palavra e isso dificulta o entendimento do conceito"

    Este Instituto sempre fez questão de ressaltar que os termos inflação e deflação são inerentemente monetários. E, por isso, quando se refere a preços, sempre fala "inflação de preços" e "deflação de preços".

    A atual definição de inflação impede a adoção de políticas sensatas

    "e entendermos que inflação e deflação são basicamente expansão ou retração da oferta monetária é errado dizer que a "A economia de mercado e o capitalismo são inerentemente deflacionários" pois apesar da tendência dos preços cair ao longo do tempo isto não se dá pela deflação e sim pelo aumento de produtividade."

    Qual termo você usaria na frase que você destacou? "A economia de mercado e o capitalismo são inerentemente ____________"?

    Preencha a lacuna.
  • Iuri Rossi  10/11/2020 22:47
    Bom, apesar da escrita agressiva e de inúmeros recursos de linguagem que mais fazem parecer que estamos em um debate eu vou responder os seus pontos. Sinceramente ou eu fui muito mal interpretado de propósito ou por acidente mas vamos lá.

    1. "Não teve barril de petróleo, mas sim contratos de gasolina "

    É verdade, não teve barril de petróleo e sim contratos de gasolina mas o meu comentário permanece tendo em vista que a gasolina é um derivado do petróleo. Foi uma metonímia. O comentário se aplica para os demais derivados. Figuras de linguagem estão fora de moda definitivamente.

    2. "Monopólio mundial dos governos? Gentileza citar fontes sérias que comprovem isso."

    Bom, de fato não é um Monopólio, o que eu quis dizer é que o mercado de Petróleo é fortemente influenciado pela intervenção de estados. Acho que você havia entendido o que eu disse mas caso não tenha é legal ressaltar que grande parte da produção e reservas mundiais de O&G estão na mão de empresas estatais ou controladas por governos. Estamos falando da OPEC como organização dos governos exportadores e das empresas NOCs como Saudi Aramco, PDVSA, PEMEX, Petrobras, CNOOC, etc. É claro, nem todas as NOCs são de países que pertencem a OPEC. Estou já ressaltando antes que venha mais uma resposta atravessada impregnada de intenções de debate. Não é preciso citar nenhuma fonte, existem inúmeros relatórios de produção mundial que você pode pesquisar.

    "a) há total liberdade de formação de preços nos mercados spot e futuros?
    b) por que preços caem a mínimas históricas em determinadas ocasiões?
    Nenhum destes dois itens combina com a definição de monopólio estatal."

    Você concorda que os governos influenciam fortemente na formação destes preços? Que os governos intervém cada um à sua maneira de acordo com os seus interesses? Bom se sim, não há discordância aqui. Se você acha que não existe esta influência dos governos aí sim temos um impasse.


    "De resto, estaria você dizendo que o petróleo barateia por ser monopólio? Taí uma afirmação economicamente insensata."

    Bom, é lógico que eu não fiz tal afirmação, temos aqui mais uma tentativa de desacreditar tudo o mais que foi dito através de "retórica". Nem vou perder mais tempo neste ponto.

    3- "As outras commodities são infinitas? Quais? Alimentos são infinitos? Se fossem infinitas, seu preço seria zero.

    Por favor, não seja leviano. Escolha termos mais economicamente corretos e realistas."

    Adorei o "leviano" pois deixa claro que a intenção do comentário é o embate e não a conciliação. Parece que não estamos concordando com nada quando ao que me parece você concorda com o artigo... assim como eu. Até o seu nome "leitor antigo" mostra que você está de acordo com o artigo e veio em defesa do mesmo. De qualquer forma também sou um leitor antigo e estamos no mesmo barco, apesar de não comentar por pura preguiça de eventos como este.

    Passada esta ressalva, é claro que os demais itens não são infinitos. Tenho certeza que você entendeu o que eu quis dizer mais uma vez mas caso não tenha o termo correto é renovável. O Petróleo não é uma fonte de energia primária renovável na escala de tempo humana. Isto é o cerne do meu comentário que faz com que ele seja diferente das demais commodities.

    4- "E no que isso se difere em relação a todas as outras commodities? Milho não pode passar por um período de escassez? Arroz? Carne? Soja? Trigo? Já ouviu falar em períodos de seca e estiagem?"

    Difere muito das demais commodities por poder ser uma escassez artificial. Seca e estiagem são eventos que fogem do controle dos produtores enquanto a diminuição da produção de óleo organizada pela OPEC é feita de forma proposital. Aliás, é óbvio que eu já ouvi falar de seca e estiagem, podemos ver aqui mais uma vez recursos para tentar ridicularizar o que foi dito. Após este recurso temos o "Nada faz sentido." Bom, acho que faz bastante sentido sim, posso dar meus argumentos, este tipo de frase só mostra recursos de "retórica". Pode afirmar que não faz sentido novamente mas acho mais interessante explicar onde meu ponto de vista é falho ao invés de utilizar frases de efeito.

    5- "A comparação começou em 1994. A queda de preços foi praticamente anual desde então. Gentileza dizer onde exatamente começou o efeito da tecnologia. Se a tecnologia a que você se refere é recente (como você deu a entender), então por que os preços já caíam antes dela?"

    O efeito da tecnologia existe desde os primórdios da humanidade no entanto ele foi acentuado drasticamente desde a revolução industrial. Não me refiro a nenhuma tecnologia recente. Eu não dei a entender que a tecnologia é recente, o que eu disse é que "Hoje qualquer bem manufaturado é muito mais barato que no passado e muitos inclusive nem existiam." Utilizei a atualidade como ponto de comparação pela facilidade para o entendimento mas o comentário se aplica ao comparar qualquer dois momentos da história com uma razoável distância e logicamente respeitando as particularidades do local.


    "Aliás, por que os preços caíram nos EUA de 1814 a 1913?"

    Os preços caíram nos EUA de 1814 a 1913 pelo mesmo motivo que eles caíram de 1814 até hoje ou de 1913 até hoje. Não é só o fator capitalismo. É a tecnologia que reduz os custos de produção. Aliás isto é exatamente o que eu quis dizer. Em 1913 um americano poderia comprar um carro que não existia em 1814. Ao compararmos somente os preços de commodities nós perdemos a oportunidade de comparar bens manufaturados onde o efeito de queda dos preços é notável e de fácil entendimento. Pede para qualquer brasileiro comparar o preço de uma televisão de hoje com o passado e ele vai entender que com o tempo os preços caem apesar da inflação. O capitalismo é a forma de iteração dos agentes do mercado que permite o desenvolvimento da tecnologia. O que reduz o custo de produção no final das contas é palpável e visível a olho nu. Neste caso você deve estar pilotando um computador ou celular feito com alta tecnologia produzido de uma forma inimaginável em 1994. Isto é muito fácil de entender para qualquer um. Não é o único fator mas definitivamente é um muito importante.

    6- "Este Instituto sempre fez questão de ressaltar que os termos inflação e deflação são inerentemente monetários. E, por isso, quando se refere a preços, sempre fala "inflação de preços" e "deflação de preços"."

    Continuo achando que inflação de preços e deflação de preços são termos ruins que dificultam o entendimento do que é realmente a inflação e a deflação. Se você acha que esta definição é pertinente pois assim o Instituto o quis, ótimo, eu fico com a minha opinião.

    Não é cherry picking, não estou discordando do artigo nem desmerecendo o mesmo por fazer uma ressalva e uma crítica construtiva. Realmente acho que estes termos causam confusão e por isso fiz o comentário. A sua postura me parece mais uma mistura de sentimento de ofendido com a máxima "se não está conosco está contra", o que é um absurdo obviamente.

    7-" Qual termo você usaria na frase que você destacou? "A economia de mercado e o capitalismo são inerentemente ____________"?

    Preencha a lacuna."

    Aqui é o ápice dos recursos de debate e ridicularização. Me perdoe mas neste caso foi até infantil. De todo modo vou responder eu não construiria a frase desta forma, simples assim. Se não tem nenhum termo adequado altere a sua forma de expor o pensamento ou então crie um termo com tal finalidade. O problema é utilizar um termo "deformado" para explicar a deformação.

    Resumindo meus pontos que permanecem:
    1- Óleo/Gasolina não é uma boa commoditie para comparação com as demais por ser:
    1.1 Fonte de energia não renovável na escala humana de tempo
    1.2 Sofrer forte intervenção dos governos através da OPEC e NOCs.
    2- Ao incluir na comparação de preços os bens manufaturados é possível :
    2.1 Demonstrar de forma muito interessante a queda real de preços.
    2.2 Demonstrar como o desenvolvimento de tecnologia promove uma melhora na qualidade de vida através de itens que nem mesmo existiam.
    3- Os termos "inflação de preços" e "deflação de preços" mais confundem que ajudam quando utilizados justamente para demonstrar os efeitos da inflação e/ou deflação.
  • Leitor Antigo  11/11/2020 00:31
    Bom, dado que você nada respondeu do que eu perguntei, não forneceu os links que pedi, e limitou-se apenas a responder minhas perguntas com outras perguntas (o que até me lembrou de um episódio do Chaves), não vejo motivos para dar prosseguimento.


    P.S.: No entanto, notei que você entende a evolução tecnológica como algo completamente separado do capitalismo. Você trata evolução tecnológica e capitalismo como coisas completamente distintas e descorrelacionadas.

    Você realmente acredita que a evolução tecnológica não foi uma consequência direta da acumulação de capital? Seria possível haver evolução tecnológica em sociedades que não buscassem o lucro e não premiassem os investimentos?

    Mais ainda: você realmente acha que haveria evolução tecnológica em regimes não-capitalistas e anti-propriedade privada, isto é, regimes que não premiassem inventores e que confiscassem seus proventos?
  • Iuri Rossi  11/11/2020 16:07
    É claro que respondi, podemos ver aqui mais recursos de retórica com o objetivo de "sair por cima" mas vai além pois posso provar que respondi as perguntas, portanto é realmente uma mentira.

    Não só respondi mas como também fiz outras perguntas. Apenas uma na verdade, que eu repito ao final deste comentário. Eu não respondi uma pergunta com outra, eu expliquei o ponto de vista que você parece fazer força para não entender ou ignorar.

    Na minha opinião você parece ter entendido os pontos que coloquei e viu que esta discussão é infrutífera e sem objetivo, pointless cairia perfeitamente aqui mas para não dar o braço a torcer se usa dos recursos disponíveis como por exemplo a questão dos links.

    Por que eu deveria responder as suas perguntas mas você não deveria responder as minhas? Esta soberba seria proposital? E quanto as fontes, se eu não as referenciei não significa que o que eu falei não é verdade, mas para não dar esta brecha, vamos lá, no final deste comentário seguirão algumas referências para sua consulta de uma forma que não será possível dizer que não são "sérias" pois logicamente esta era uma carta na manga que você estava guardando.
    Isto é tudo tão obvio...

    RESPOSTAS ao último e-mail:
    1. "P.S.: No entanto, notei que você entende a evolução tecnológica como algo completamente separado do capitalismo. Você trata evolução tecnológica e capitalismo como coisas completamente distintas e descorrelacionadas."

    Pois notou errado. Aqui não teve nenhuma pergunta mas o disclaimer se faz necessário. Veja que no meu comentário anterior eu disse claramente:

    "O capitalismo é a forma de iteração dos agentes do mercado que permite o desenvolvimento da tecnologia."

    Vale a pena ressaltar que o capitalismo não apenas permite o desenvolvimento da tecnologia mas como permitiu numa velocidade incomparável em toda a história da humanidade.

    No entanto, porém, contudo, todavia não é necessário capitalismo para que exista desenvolvimento de tecnologia.
    Se fosse, de duas uma:
    a) Só existiria desenvolvimento de tecnologia nos anos em que o mundo "é/foi capitalista"
    b) O mundo sempre teria sido capitalista.
    O que obviamente não é verdade. O Capitalismo permitiu que os agentes do mercado tivessem todos os incentivos além dos recursos necessários para o desenvolvimento de tecnologia em velocidade acelerada e merece os louros por isso mas é obviamente errado afirmar que SOMENTE existe desenvolvimento por meio do capitalismo.
    Antes que você se utilize do recurso de me perguntar quando que o capitalismo começa, o que obviamente não tem uma resposta objetiva, rápida e simples eu te digo que você pode escolher qualquer janela histórica onde você considere que o capitalismo começa. Pode ser no fim da Idade Média ou na Idade Moderna, ou qualquer outro período, tanto faz, é possível comprovar com fontes sérias que o desenvolvimento de tecnologia se deu muito antes. Como eu já disse, desde os primórdios da humanidade.

    Você infere coisas erradas e depois afirma no corpo do texto que eu "dei a entender" ou que notou que eu "entendo" de tal maneira. Me parece que você está focado em "ganhar" o debate ao invés de trocar conhecimento e desenvolver o assunto. Realmente se utiliza de sofismas para desacreditar tudo o mais que foi dito partindo de uma piada – vide chaves – ou outra ironia qualquer.

    Por favor, não desvie do ponto, não me venha com recursos e responda esta pergunta minha. Você acha que o desenvolvimento de tecnologia se deu APENAS durante o capitalismo?

    2. "Você realmente acredita que a evolução tecnológica não foi uma consequência direta da acumulação de capital?"

    RESPONDENDO: Bom, é claro que eu nunca disse que não foi. Eu acredito que a evolução tecnológica na velocidade acelerada que se deu durante a história recente da humanidade é uma consequência direta da acumulação de capital sim. A palavra velocidade não pode ser excluída pois caso contrário significaria que fora do capitalismo não existe desenvolvimento de tecnologia de qualquer natureza.

    3. "Seria possível haver evolução tecnológica em sociedades que não buscassem o lucro e não premiassem os investimentos?"

    RESPONDENDO: Sim, é possível.

    Ex.1:Podemos pegar um exemplo fácil, URSS entre 1917 e 1987. Você acha que não houve desenvolvimento de tecnologia? Acha que um carro não era fabricado na URSS em 1987 por um custo muito mais baixo do que em 1917 quando provavelmente não existia nenhuma fábrica?

    Bom, antes que você me venha com recursos e desvie do foco falando de URSS vamos pegar outro exemplo. Vamos dizer que este exemplo não vale. Pode descartá-lo.

    Ex.2: Durante a Idade Média o mundo não era capitalista, certo? Vou partir desta premissa, se discordar pode falar. Pois é fácil de comprovar que houve desenvolvimento de tecnologia durante este período, diferentemente do que os professores de história gostam de propagar "1.000 anos de trevas". Esta é uma retórica Iluminista.

    Ex.3: Durante qualquer período da humanidade como Período Neolítico, Idade do Cobre, Idade do Bronze e Idade do Ferro. O mundo não era capitalista e no entanto houve um desenvolvimento de tecnologia, facilmente comprovável, com fontes sérias.

    4. "Mais ainda: você realmente acha que haveria evolução tecnológica em regimes não-capitalistas e anti-propriedade privada, isto é, regimes que não premiassem inventores e que confiscassem seus proventos?"

    Aqui é possível ver mais um recurso que é o da dicotomia. É como se na sua opinião só existisse Capitalismo e Totalitarismo como o Comunismo. A resposta das perguntas anteriores deixa claro que essa dicotomia está errada. Existem outras formas de relação entre os entes econômicos. Mas vamos lá, um regime não-capitalista e anti-propriedade privada (dos meios de produção, não esqueça deste detalhe importante) como o Comunismo da URSS seria possível haver evolução tecnológica? A resposta é sim, embora de forma demasiada lenta justamente por não premiar os inventores e confiscar os seus proventos.

    Poderíamos provar isto facilmente dizendo que houve desenvolvimento de tecnologia na URSS nos anos sob o regime de Chumbo do Comunismo porém, contudo, todavia este desenvolvimento NUNCA seria na velocidade que o Capitalismo permite. Isto além de todos os demais males do Regime que eu não vou entrar no mérito. Isto aqui NÃO é uma defesa do Comunismo, porém não podemos confundir as coisas. Precisamos ir atrás da verdade.

    Este é um terreno delicado pois se utilizarmos o argumento do Mises do cálculo econômico, a URSS só foi possível de existir por conta do comercio com o mundo não comunista. Eu tendo a concordar com este argumento. Ok, talvez se o mundo TODO estivesse sob um regime anti-propriedade privada dos meios de produção como o Comunismo da URSS o desenvolvimento global estancaria. Talvez o mundo caísse no caos, eu particularmente acredito nisso, no entanto, porém, contudo, todavia o desenvolvimento de tecnologia é um resultado direto dos esforços dos inventores como você mesmo disse e cada um tem os seus motivos próprios, o que não é fácil de ser determinado por um regime. Sou contra o determinismo histórico através do regime econômico. O que eu quero dizer é que ser materialista é um erro, da mesma forma que os Comunistas são materialistas. O desenvolvimento de tecnologia sistemático é resultado de um sistema que tem incentivos e permite acesso a recursos, ok, no entanto existe desenvolvimento nas condições mais impróprias. Isto é devido à singularidade da história. Se não entender o que eu quero dizer posso explicar com mais calma.
    Podemos argumentar se é da natureza humana ou não buscar o desenvolvimento, conhecimento, aprendizado, transformação do entorno, geração de riqueza, mas não tem como negar que houve desenvolvimento de tecnologia em um mundo pré-capitalista. Mais uma vez, o mundo pré-capitalista não era um regime anti-propriedade privada, portanto a sua dicotomia não faz sentido, me perdoe.

    A resposta direta da pergunta é: É possível sim, porém improvável de maneira sistemática. No entanto a dicotomia não serve, é errada.


    RESPOSTAS ANTERIORES

    Para deixar claro que eu RESPONDI as perguntas do comentário anterior vou fazer aqui um apanhado rápido, para ver a resposta completa eu recomendo reler o comentário já feito.

    1."Monopólio mundial dos governos?"

    RESPONDENDO: Não é propriamente um monopólio mas um mercado que sofre de maneira muito forte com intervenção por parte da OPEC e NOCs.

    2." Gentileza citar fontes sérias que comprovem isso."

    ATENDENDO A PEDIDO: Apesar da preguiça seguem fontes ao final do comentário.

    3." por que:

    a) há total liberdade de formação de preços nos mercados spot e futuros?"

    RESPONDENDO: Porque não é um Monopólio, é um mercado que sofre de forma severa com intervenção como já havia sido respondido na pergunta anterior.

    4. "por que:

    b) por que preços caem a mínimas históricas em determinadas ocasiões?"

    RESPONDENDO: Porque não é um Monopólio, é um mercado que sofre de forma severa com intervenção como já havia sido respondido na pergunta anterior.

    5. "De resto, estaria você dizendo que o petróleo barateia por ser monopólio?"

    RESPONDENDO: Não, não estaria, nunca disse isso e de fato não faz o menor sentido. Nem precisava responder já que esta não é uma pergunta séria mas sim um recurso de argumentação para desacreditar o que foi dito.

    6. "As outras commodities são infinitas? Quais? Alimentos são infinitos?"

    RESPONDENDO: Não, não existem commodities infinitas. O que eu diz dizer é que as demais são renováveis enquanto o Petróleo não é renovável na escala de tempo humana. Isto também foi respondido anteriormente de forma mais detalhada e clara.

    7. "E no que isso se difere em relação a todas as outras commodities?"

    RESPONDENDO: Também foi respondido de forma clara. Difere das demais pois existe uma escassez artificial que PODE ser gerada para atender interesses. Escrevi "Difere muito das demais commodities por poder ser uma escassez artificial."

    8." Milho não pode passar por um período de escassez? Arroz? Carne? Soja? Trigo? Já ouviu falar em períodos de seca e estiagem?"

    RESPONDENDO: Nem precisaria responder obviamente. Foram apenas recursos para desmerecer o que foi dito. É claro que todas as commodities podem passar por períodos de escassez mas a influência dos governos na indústria do Petróleo é maior que na indústria de alimentos. Já estou com preguiça pois você vai me pedir fontes para comprovar que as fazendas ao redor do mundo não estão na mão dos governos e não são fazendas estatais. Apesar de ser apenas um recurso até aqui eu já havia respondido dizendo que "Aliás, é óbvio que eu já ouvi falar de seca e estiagem". Mas se não entendeu eu repito:
    Todas as commodities podem passar por períodos de escassez. Arroz inclusive. Carne inclusive. Soja inclusive. Trigo inclusive. Sim eu já ouvi falar de períodos de seca e estiagem.

    9." Gentileza dizer onde exatamente começou o efeito da tecnologia. Se a tecnologia a que você se refere é recente (como você deu a entender), então por que os preços já caíam antes dela?"

    RESPONDENDO: Iniciei minha resposta dizendo que "O efeito da tecnologia existe desde os primórdios da humanidade no entanto ele foi acentuado drasticamente desde a revolução industrial." Também precisei ressaltar que eu não dei a entender que ela é recente dizendo "Não me refiro a nenhuma tecnologia recente. Eu não dei a entender que a tecnologia é recente,..."
    E o porquê dos preços terem caído durante o período que você ressaltou eu respondi também "Os preços caíram nos EUA de 1814 a 1913 pelo mesmo motivo que eles caíram de 1814 até hoje ou de 1913 até hoje. Não é só o fator capitalismo. É a tecnologia que reduz os custos de produção."

    10. " Qual termo você usaria na frase que você destacou? "A economia de mercado e o capitalismo são inerentemente ____________"?"
    Preencha a lacuna."

    E por último eu me recusei a preencher a lacuna por não existir um termo que se adeque. Por isso eu disse "eu não construiria a frase desta forma, simples assim. Se não tem nenhum termo adequado altere a sua forma de expor o pensamento ou então crie um termo com tal finalidade."

    Me recusar a preencher a lacuna não é me recusar a responder, obviamente.

    Meus pontos anteriores permanecem.

    Seguem algumas fontes sobre produção global de O&G, OPEC e NOCs:

    Boletim Anual de Preços 2014: preços do petróleo, gás natural e
    combustíveis nos mercados nacional e internacional /
    Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
    Rio de Janeiro: ANP, 2014.
    ISSN 2238-9458
    www.anp.gov.br/images/Boletim-Anual/Boletim-2014.pdf

    Este relatório é sensacional, explica a histórica influência da OPEP de forma clara e objetiva.

    YERGIN, D. O petroleo: uma história de ganância, dinheiro e poder. São Paulo: Scritta, 1993. (Coleção Ensaios).

    YERGIN, Daniel. A Busca: Energia, segurança e a reconstrução do mundo moderno. Primeira. ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.

    Estes são obras primas. Se quiser entender a história da indústria do petróleo não tem outro lugar.

    Se não se der por convencido da influência da OPEP e NOCs é fácil pegar a lista de NOCs na internet e verificar a estrutura acionária comprovando a influência dos governos nas tomadas de decisão internas a cada companhia.

    E agora a repito minhas únicas duas perguntas:
    1- Você acha que o desenvolvimento de tecnologia se deu APENAS durante o capitalismo?
    2- Você concorda que os governos influenciam fortemente na formação destes preços (indústria O&G)? Que os governos intervém cada um à sua maneira de acordo com os seus interesses?
  • Kennedy  09/11/2020 15:02
    O preço da grama do ouro está caindo... atualmente em R$ 321,26. Vocês chutam que ele cai até quanto no máximo?
  • Trader  09/11/2020 17:51
    Hoje é um excelente dia para comprar. Todo mundo vendendo para entrar na bolsa (que já está no topo histórico), guiados pela notícia da vacina da Pfizer e do gridlock na política americana. Não houve absolutamente nenhuma alteração nos fundamentos. Não houve absolutamente nenhuma sinalização de que os PCs vão abandonar a Teoria Monetária Moderna. Há apenas especulação.

    Aliás, petróleo e commodities estão disparando, o que sinaliza ainda mais carestia à frente.

    Compre ouro e bitcoin. Dia mais propício dificilmente haverá. (Não sei quanto a você, mas eu adoro comprar coisas valiosas em promoção).
  • Trader  12/11/2020 19:53
    E aí, Kennedy? Segui meu conselho e comprou a R$ 321? Hoje já está a R$ 330. Se seguiu, já está com ganho de 2,80% em dois dias.

    Ouro é assim: nas raras vezes em que cai (em reais), é pra comprar sem dó. Não tem erro. É como ver uma BMW zero em promoção.

    P.S.: também tenho me enchido de Bitcoin, embora bem atrasado pra festa. Moeda estatal de papel é algo com os dias contados.
  • Felipe  09/11/2020 17:50
    Atualizações sobre a inflação geral...

    O IPCA acumulado dos últimos 12 meses, do mês de outubro, ficou em 3,92 %.
  • Miniliberal  12/11/2020 19:23
    Pessoal, o que voces acham de fundos de investimentos lastreados no Ouro?
  • Neto  12/11/2020 19:54
    Prefira Pax Gold, disponível no Mercado Bitcoin.
  • Realista  12/11/2020 20:31
    Não sejam inconsequentes.

    Se você tem condição de ir para um fundo regulado em ouro é muito mais seguro do que um token supostamente lastreado em ouro como PaxGold.

    A insistência irresponsável das pessoas aqui com este ativo de altíssimo risco (pax gold) beira a insanidade. As pessoas sequer entendem de fato a tecnologia do blockchain e os riscos que correm?
  • anônimo  01/12/2020 18:23
    valor.globo.com/brasil/noticia/2020/12/01/ipca-deve-subir-mais-de-4percent-em-2020-com-energia-mais-cara-mas-vies-para-2021-e-de-baixa.ghtml

    Já estão prevendo IPCA maior que o centro da meta do politburo, agora, é preciso notar algo. Conseguir isso usando um calculo enviesado, com escolas fechadas, tarifas hospitalares congeladas, mudança no padrão de consumo no geral (menos restaurantes, viagens de avião, etc).. Com uma economia deprimida e pessoas entesourando dinheiro.

    Tem de caprichar demais no dedo frouxo da impressora
  • Meirelles  01/12/2020 19:29
    E olha que tem uma turminha aí, bem heterodoxa, que jura que "quando há recursos ociosos (alto desemprego e recessão), não tem como ter inflação de preços".

    Não sabem p.n. de economia...


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