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O atalho para o totalitarismo - por que não se deve brincar com a ideia de controle de preços
Eis uma ilustração, passo a passo, das consequências desta medida

O governo ouve as queixas do povo de que o preço da carne subiu. A carne é, sem dúvida, muito importante, sobretudo para a atual geração em crescimento, para as crianças.  

Ato contínuo, o governo resolve controlar o preço da carne, reduzindo por decreto o seu valor e, com isso, estabelecendo um preço máximo para esse produto — preço máximo que é, obviamente, inferior ao que seria o preço potencial de mercado.  

E então o governo diz: "Estamos certos de que fizemos tudo o que era preciso para permitir aos pobres a compra de todo a carne de que necessitam para alimentarem a si próprios e a seus filhos".

Mas que de fato irá acontecer? 

As consequências não-premeditadas

De um lado, o menor preço da carne provoca o inevitável aumento da demanda pelo produto; pessoas que não tinham meios de comprar carne a um preço mais alto podem agora fazê-lo ao preço reduzido por decreto oficial.  

De outro lado, dado que os custos de produção continuam inalterados (pois a realidade econômica é irrevogável), temos que parte dos produtores de carne, aqueles que estão produzindo a custos mais elevados — isto é, os produtores marginais — começam a sofrer prejuízos, dado que o preço final da carne decretado pelo governo é inferior aos custos do produto.  

Ou seja, os custos de produção continuam altos, mas as receitas caíram artificialmente, por causa de um decreto do governo.

Este é o ponto crucial de uma economia de mercado. O empreendedor privado não está no ramo para sofrer prejuízo. No cômputo final de suas atividades, ele tem de trer um lucro. Caso contrário, ele simplesmente se retira daquela atividade e muda de ramo. 

E, dado que ele não pode ter prejuízos com a carne, ele, de início, simplesmente irá restringir a venda deste produto para o mercado. O normal é que ele passe a vender apenas no mercado negro, a preços maiores que os decretados pelo governo.

É também esperado que ele venda alguns de seus bois e vacas para frigoríficos mais poderosos (o que aumenta a concentração de mercado). Ele pode também, em vez de carne, se concentrar na produção de leite, e vender derivados do produto, como coalhada, manteiga ou queijo.

Ato contínuo, o governo resolve punir a produção destes derivados (aumento impostos sobre estes produtos, por exemplo), como forma de obrigar os produtores a voltarem a se concentrar na produção de carne. Obviamente, esta nova restrição à produção tem o efeito apenas de reduzir ainda mais a criação de gado, bem como agora a oferta destes laticínios, piorando toda a economia.

O início do colapso

A interferência do governo no preço da carne redunda, portanto, em menor quantidade do produto do que a que havia antes, redução que é concomitante a uma ampliação da demanda. As pessoas dispostas a pagar o preço decretado pelo governo não conseguirão comprar carne.  

Outro efeito inevitável serão as filas. O enxame de pessoas ansiosas por chegarem em primeiro lugar às lojas fará com que elas sejam obrigadas a esperar do lado de fora.  As longas filas diante das lojas são um fenômeno corriqueiro em economias cujo governo decreta preços máximos para as mercadorias que lhe parecem importantes. Em economias socialistas, isso é uma rotina diária.

O caminho para o totalitarismo

Mas quais as outras consequências do controle governamental de preços? O governo se frustra. Pretendia aumentar a satisfação dos consumidores de carne, mas, na verdade, descontentou-os.  

Antes de sua interferência, a carne estava cara, mas era possível comprá-la. Agora, a quantidade disponível é insuficiente. Com isso, o consumo total se reduz.  

As famílias passam a comer menos carne, e, no extremo, chegam a nem sequer conseguir comer — pois é difícil encontrar o produto nos supermercados.  

Em meio a essa escassez, a medida a que o governo recorre em seguida é o racionamento. 

Mas racionamento significa tão-somente que algumas pessoas são privilegiadas e conseguem obter carne, enquanto outras ficam sem nenhum. Quem obtém e quem não obtém passa a ser algo determinado de forma totalmente arbitrária pelo governo. Pode ser estipulado, por exemplo, que famílias com mais crianças devem ter acesso a mais carne, e que famílias com menos devem receber apenas a metade da ração. E indivíduos solteiros ou mesmo casais sem filho não têm direito.

Neste cenário, obviamente, as fraudes se tornam crescentes. Indivíduos solteiros começam a apresentar certidões de nascimento falsas (para dar a impressão de que têm filhos). Indivíduos ricos passam a subornar burocratas do governo (que agora estão encarregados de supervisionar o racionamento nos supermercados). E as famílias realmente pobres e com muitos filhos acabam ficando sem nada (pois a carne acabou devido à fraudes dos outros grupos acima).

A expansão do totalitarismo

Faça o governo o que fizer, permanece indelével o fato de que, agora, a disponibilidade de carnes é muito menor do que a de antes.  

Consequentemente, a população está ainda mais insatisfeita que estava antes do controle de preços. 

O governo, já desesperado, pergunta aos produtores de carne (pois não tem imaginação suficiente para descobrir por si mesmo): "Por que não produzem a mesma quantidade que antes?".  

E obtém a resposta: "É impossível, uma vez que os custos de produção são superiores ao preço máximo fixado pelo governo".  

Ato contínuo, as autoridades se põem a estudar os custos dos vários fatores de produção. E então descobrem que um deles é a ração.  

"Pois bem", diz o governo, "o mesmo controle que impusemos à carne vamos aplicar agora à ração do gado. Determinaremos um preço máximo para ela e os pecuaristas poderão alimentar seu gado a preços mais baixos, com menor dispêndio. Com isso, tudo se resolverá: os produtores de carne terão condições de produzir em maior quantidade e venderão mais." 

O que acontece nesse caso? Repete-se, com a ração, a mesma história acontecida com a carne. E, como é fácil depreender, pelas mesmíssimas razões. A produção de ração diminui, o gado não mais engorda, toda a situação piora ainda mais, e as autoridades se veem novamente diante de um dilema. 

Nessas circunstâncias, os burocratas se debruçam novamente sobre o problema, agora com o intuito de descobrir o que há de errado com a produção de ração. E recebem dos produtores de ração uma explicação idêntica à que lhes fora fornecida pelos produtores de carne.  

Consequentemente, o governo se sente compelido a dar um outro passo, já que não quer abrir mão do princípio do controle de preços: determina preços máximos para os bens de capital necessários à produção de ração. Tratores, fertilizantes, colheitadeiras,  milho, soja, farelo de trigo etc.: todos os preços passam a ser controlados pelo governo.

Ao mesmo tempo, ele decreta empréstimos a juros subsidiados (ou seja, bancos pelos impostos dos cidadãos) a estes setores. Tamanha injeção de crédito na economia irá apenas estimular a demanda das pessoas, sem qualquer efeito na oferta.

E a mesma história, mais uma vez, se desenrola.  

Assim, o governo começa a controlar não mais apenas a carne, mas também o leite, o queijo, a soja, o milho, os fertilizantes, os tratores, as colheitadeiras e vários outros artigos essenciais.  Simultaneamente, a demanda segue crescendo.

E, em todas as vezes, alcança o mesmo resultado. Em todos os setores, a consequência é sempre a mesma: a partir do momento em que fixa preços máximos para bens de consumo, vê-se obrigado a retroagir para os bens de produção, e a limitar os preços dos bens de produção necessários à fabricação daqueles bens de consumo com preços tabelados.  

E assim, o governo, que começara com o controle de alguns poucos fatores, recua cada vez mais em direção à base do processo produtivo, fixando preços máximos para todas as modalidades de bens de produção, incluindo-se aí, evidentemente, o preço da mão-de-obra — pois, sem controle salarial, o "controle de custos" efetuado pelo governo seria um contra-senso.

O ápice do totalitarismo: uma economia controlada

Por fim, o governo não tem como limitar sua interferência no mercado apenas ao que ele acredita ser bens de primeira necessidade: carne, leite, manteiga, ovos e carne.  Ele precisa necessariamente incluir os bens de luxo, pois, se não limitasse seus preços, o capital e a mão-de-obra abandonariam a produção dos artigos de primeira necessidade e recorreriam à produção dessas mercadorias que o governo reputa supérfluas.  

No final, a interferência isolada no preço de um ou outro bem de consumo sempre gera efeitos — e é fundamental compreendê-los — ainda menos satisfatórios que as condições que prevaleciam anteriormente: antes da interferência, a carne estava caro; depois, tudo começou a sumir do mercado, inclusive os laticínios.

O governo considerava esses artigos tão importantes que interferiu; queria torná-los mais abundantes, ampliar sua oferta. O resultado foi o oposto: a interferência isolada deu origem a uma situação que — do ponto de vista do governo — é  ainda mais indesejável que a anterior, que se pretendia alterar.  E o governo acabará por chegar a um ponto em que todos os preços, salários, taxas de juro, em suma, tudo o que compõe o conjunto do sistema econômico, é determinado por ele.  

E isso, obviamente, é o ápice do totalitarismo — ou seja, o socialismo. 

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Esse texto é uma ligeira adaptação do terceiro capítulo do livro As Seis Lições. No original, Mises se referia a um tabelamento do preço do leite. No artigo acima, o editor simplesmente alterou para 'carne', com o intuito de torná-lo mais adequado aos tempos atuais. Excetuando-se isso, todo o resto do texto foi mantido.

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Leia também:

Recordações de um Brasil socialista

Quatro mil anos de controle de preços



autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • João Marcelo  09/12/2019 19:00
    Explicar essa lógica simples que é o complicado, o povão vai confiar mais no demagogo que fala em "direitos".
  • undefined  10/09/2020 17:04
    Nesses tempos de ignorância econômica , já diria um sábio: "É mais fácil enganar alguém, do que mostrar que esse alguém foi enganado"
  • Ex-microempresario  09/10/2020 20:16
    Se você conseguir mostrar a uma pessoa que ela foi enganada, ela ficará com mais raiva de você do que de quem a enganou.
  • Revoltado  10/10/2020 10:54
    Olá, Ex-Microempresário,

    É off-topic o que responderei, mas lá vai: até 2007, eu acreditava que as mulheres gostavam de homens românticos, sensíveis e correlatos. Graças à amizades da Internet à época, percebi que não era bem assim e raiva mesmo passei a sentir pelas mulheres que mentiram para mim em palavras e ações.
    Não à toa, tenho de lá para cá preferido relacionar-me com elas exclusivamente dentro do mercado de garotas de programas e travestis, desde então. Ser otário tem limites!

    Quanto ao tema do tópico, basta vermos o que ocorre na Argentina e seu crescente número de imigrantes rumo ao também vizinho nosso Uruguai e brevemente, receberemos ainda uma boa parte dos "hermanos" à busca duma melhor vida, que com todos os problemas, o Brasil ainda pode lhes oferecer, ao que parece.
  • HELLITON SOARES MESQUITA  09/12/2019 19:01
    Hoje em dia já não funciona tanto. Tenho mais medo de inflação pra gerar empregos. É fácil gerar empregos assim. Depois que gerar desemprego a conta cai no próximo governo. Que pra controlar tem que ter ainda mais desemprego. E ai o cara volta como salvador da pátria.
  • Guilherme  09/12/2019 19:06
    O que "já não funciona tanto" hoje em dia?
  • Paulo Henrique  09/12/2019 19:26
    Tudo gira em círculos. Ideias são postas em prática, fracassam, morrem, mas depois de algum tempo ressuscitam. Sempre foi assim.

    Inflação pra gerar empregos foi a mais recente ideia posta em prática no Brasil nos anos Dilma. Como terminou em catástrofe, seu apelo ainda vai demorar um pouco para voltar.

    Já controle de preços tem mais tempo. O último grande esquema foi em 1991, no governo Collor. Teve o da gasolina e da eletricidade de 2012 a 2014 (com a diferença sendo arcada pelo Tesouro, ou seja, nossos impostos), mas o povo ainda não associou esse congelamento ao desarranjo das contas públicas. E as experiências dos Planos Collor 1 e 2, e do próprio Plano Cruzado, não fazem parte da vida da atual geração.

    Ou seja, no momento, controle de preços de um item ("ah, é só a carne, não fará estrago nenhum") tem muito mais apelo do que "produzir inflação para gerar emprego" (aliás, francamente, o povo nunca fez essa ligação).
  • Dirce  11/12/2019 12:48
    João e Helliton, exatamente isso.
    Os que fazem as cagadas de tabelamento perdem a eleição, os que vem levam a culpa, independente de implantarem livre mercado ou não, daí os que fizeram o tabelamento voltam como 'salvadores'..... e assim o ciclo se repete.
    Às vezes acho que aquela teoria de conspiração de alguns grupos na internet faz sentido.... em alguns fóruns por aí, a teoria diz que há um arranjo bem orquestrado entre 'oposicionistas' e governantes pela alternância de poder, de forma que nenhum grupo arque com a consequência direta de suas ações. Desse modo, quando a esquerda 'quase' quebrar tudo, vem a direita para corrigir, daí a esquerda vem de novo supostamente 'corrigir direitos' tirados pela direita e por aí vai..... Sempre achei sem sentido, mas será??
  • Lee Bertharian  13/12/2019 23:31
    Sim, será. E sempre foi.
    Não interessa se ajuda ou atrapalha, se está certo ou errado... o que interessa é estar no controle.
    O nome disso é "política".
  • Rafael Pereira  23/12/2019 00:57
    Negativo, vide a Argentina, com os congelamentos de precos, e a subida de impostos de 30% para exportadores agrarios, os proprios agentes economicos( fazendeiros) ja estao destruindo suas reservas, por nao ser rentavel produzir, alguns ja vendendo seus lotes/terras, e imigrando para Paraguai, Brasil. Mas como disse acima o rapaz, o povao vai preferir acreditar no demagogo.
  • Daniel Cláudio  09/12/2019 19:03
    Mises não explica. Ele desenha.
  • Matheus  10/12/2019 16:07
    E mesmo assim os políticos brasileiros não aprendem...desolador
  • Anti-BC  10/12/2019 17:02
    O objetivo dos políticos é sempre obter mais e mais poder.
    O controle de preços permite isso.
  • Bozo  09/04/2020 04:38
    E o objetivo dos capitalistas é obter mais e mais lucro, ou seja, poder econômico. Os políticos, na verdade, tornaram-se reféns do capital financeiro.
  • Patati  09/04/2020 14:58
    "E o objetivo dos capitalistas é obter mais e mais lucro"

    Esse é o objetivo de qualquer indivíduo na terra. Principalmente você. Ou será que você recusa aumento salarial? Ou será que entre dois empregos que exigem o mesmo, mas pagam diferente, você opta pelo que paga menos? Ou será que você acha ruim quando há promoções (que aumentam sua renda disponível)?

    Todos queremos ter receitas maiores que as despesas. Desde o CEO de um megaconglomerado à faxineira diarista. Querer o oposto não apenas seria imbecilidade, como também deveria à extinção da humanidade (pois levaria a uma completa destruição de capital).

    Pare de ser hipócrita.

    "Os políticos, na verdade, tornaram-se reféns do capital financeiro."

    Coitadinhos! Eu não sabia que quando politico, ao exigir propina em troca de declarar determinada empresa vencedora de uma licitação, estava se tornando "refém do capital financeiro".

    Eu não sabia que quando diretores do alto escalão da Petrobras exigiam propinas da Odebrecht, em troca de conceder a ela contratos exclusivos, estavam se tornando "refém do capital financeiro".

    Como a gente faz para ajudar essas pobres e desesperadas almas?

    Sim, há um Mecanismo que governa o país - e sua ideologia é bem clara

    "Para impedir que os ricos influenciem a política, temos de aumentar o estado!". Faz sentido?
  • Bozo  11/04/2020 09:27


    Meu caro Patati,
    O conceito de lucro que você utilizou para criticar o meu comentário aqui é amplo demais e tem o único propósito de confundir, em vez de explicar. Na sua concepção, um tanto simplória e genérica, lucro seria qualquer tipo de vantagem econômica. Confundir lucro com salário é não saber o básico de economia. Tratam-se de remunerações de naturezas completamente distintas. Quando eu falo de lucro, estou me referindo especificamente à remuneração do capital investido pelo empresário capitalista, seja no comércio, seja na indústria, seja no mercado financeiro. Já o salário é a remuneração do trabalho, paga ao empregado pelo empregador, seja ele o empresário capitalista ou o governo. Aumento salarial decorre do poder de barganha do empregado (o trabalhador assalariado) ou, o que é raro e praticamente inexistente, da benevolência do empregador. Lucro, por sua vez, na visão "ingênua" dos liberais (mises.org.br/Article.aspx?id=1374 ), tem a ver com a expertise (visão de mercado) e a competência (administrativa) do empreendedor (o capitalista) em transformar seu capital em lucro, reproduzindo-o ad infinitum, ou, segundo Marx, em se tratando especificamente do capital produtivo (industrial), com a exploração do trabalho não remunerado - em outros termos, com a mais-valia. "Lucrum unius est alterius damnum" ("O lucro de um é o prejuízo do outro") - dizia um antigo provérbio.
    Que o objetivo, ou melhor, o desejo dos políticos seja obter mais e mais poder, o dos capitalistas, mais e mais lucros e o dos trabalhadores, salários maiores, é dizer nada além do óbvio. E discutir o óbvio, assim como acusar de "ideológico" todo e qualquer argumento que não se enquadre na sua estreita visão de mundo, totalmente desconectada da realidade, é para as mentes pequenas e fracas, como as dos olavistas-bozoístas.
    O que eu disse efetivamente (e você desvirtuou completamente o meu pensamento) é que, tanto os políticos quantos os capitalistas (e podemos acrescentar também os trabalhadores), desejam sempre mais e mais poder, seja ele político ou econômico. Isso é do ser humano.
    Quando eu disse que os políticos se tornaram reféns do capital financeiro eu estava me referindo sobretudo aos canalhas (os "coitadinhos" são por sua conta) que estão, em geral, a serviço desse capital que não gera nenhum desenvolvimento para o país, nenhum benefício para a população, a não ser para os próprios bancos e outros "investidores" (melhor dizendo, especuladores) que operam no mercado financeiro. O financiamento de suas campanhas eleitorais é cobrado depois, com juros altíssimos, na forma da aprovação de leis e reformas que são do interesse exclusivo dessa elite do dinheiro, e quem paga a conta, como sempre, é o trabalhador assalariado, o pequeno empreendedor, o desempregado, ou seja, a população menos favorecida em geral. Enganam-se aqueles que acham que essa elite defende a livre concorrência. Ela necessita do Estado para que este garanta e legitime a sua prática de rapina da riqueza social e nacional e a proteja de eventuais concorrentes. Aqui no Brasil, o mote dessa elite que se diz "liberal" é o seguinte: é com o Estado (mínimo, para uma maioria de pobres, e máximo, para uma minoria de ricos) que se ganha mais dinheiro. O exemplo da Odebrecht que você citou (e eu acrescentaria outras empresas, como a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez, que já no período da ditadura militar, ou mesmo antes, beneficiavam-se dessa prática do favorecimento em processos licitatórios em troca do pagamento de propina - ressaltando que, nestes casos, o empresário que paga a propina é tão corrupto quanto o político ou servidor público que a recebe) se encaixa perfeitamente no meu pensamento.
  • Valdir  10/09/2020 13:42
    Não complique o que deveria ser simples. Recomendo a leitura do livro Os Axiomas de Zurique. pt.wikipedia.org/wiki/Os_Axiomas_de_Zurique

    Não existe investimento, só existem apostas.

    Remuneração por trabalho, remuneração por capital investido, juros, lucro é tudo a mesma coisa. É pagamento em troca de algum produto ou serviço resultado de uma aposta.

    Um trabalhador vende/aposta o seu tempo, um investidor arrisca/aposta seu capital, um agiota arrisca/aposta seu capital, um empresário arrisca/aposta seu capital e muita vezes vende/aposta seu tempo junto.

    Enquanto alguém pode pensar que um trabalhor tem uma função mais nobre do que a de um agiota, especulador ou grande empresário, na prática, na planilha, ambos são iguais apostando seu tempo ou capital com o intuito de receber um pagamento em troca.

    Essa mentalidade de que lucro é vergonhoso e que apenas o salário é nobre é o que mantém muitas pessoas na síndrome de vira-lata.

    O risco do trabalhador é ser demitido.
    O risco do agiota é não receber e perder capital.
    O risco investidor é perder capital.
    O risco do pequeno empresário é perder capital e tempo.

    Eu escolhi ser trabalhador pois consegui criar uma reserva e mitigar o risco da demissão e não quero assumir o risco e as responsabilidades do pequeno empresário.
  • Patatá  10/09/2020 21:03
    "Lucro, por sua vez, na visão "ingênua" dos liberais (mises.org.br/Article.aspx?id=1374 ), tem a ver com a expertise (visão de mercado) e a competência (administrativa) do empreendedor (o capitalista) em transformar seu capital em lucro, reproduzindo-o ad infinitum, ou, segundo Marx, em se tratando especificamente do capital produtivo (industrial), com a exploração do trabalho não remunerado - em outros termos, com a mais-valia. "Lucrum unius est alterius damnum" ("O lucro de um é o prejuízo do outro") - dizia um antigo provérbio.

    Por que é exploração?

    Dicionário:
    Exploração: vantagem, proveito obtido (de uma situação ou oportunidade); uso abusivo, ilícito ou antiético.

    Mas achar que uma coisa é abusiva, ilícita ou antiética é algo subjetivo, não é?

    Então, por que a subjetividade do Marx vale e a dos liberais, que negam que seja exploração, não vale? (mas os liberais não acreditam que seja subjetivo)

    Ahhhhhh...já sei...o Marx se baseou na teoria do valor-trabalho...mas ela está errada e, se você, Bozo, não sabe disso é porque o ingênuo é você! (Na União Soviética, o ingênuo é você!)

    Então, todas as vezes que um socialista falar de "exploração capitalista", peça para ele explicar a teoria do valor-trabalho e mostrar o porquê dela estar correta pois devemos bater forte no ponto fraco dos inimigos (o IMB está perdendo tempo ao não fazer um milhar de artigos "sensacionalistas, concisos e escandalosos" atacando de todos os ângulos a teoria do valor-trabalho)
  • Moraes Sérgio  18/09/2020 13:58
    Sensacional...essa foi voadora no lustre...
  • Régis  09/12/2019 19:20
    A própria mídia está implorando por tabelamento. É só você ver o tom das chamadas. Uma simples googlada traz as seguintes manchetes:

    "Apesar da forte alta, Bolsonaro diz que não vai tabelar o preço da carne" (Estadão)

    "Bolsonaro diz que, mesmo com alta, não vai tabelar ou congelar o preço da carne (Globo)

    "Mesmo com alta, Bolsonaro defende "mercado aberto" e diz que não vai tabelar preço da carne" (Revista Fórum)

    "Apesar da alta recorde, Bolsonaro descarta tabelar o preço da carne" (Jovem Pan News)

    "Bolsonaro não vai fazer nada para impedir alta da carne bovina" (Conversa Afiada)

    "Bolsonaro descarta ação do governo para conter alta da carne bovina" (Correio do Povo)
  • Leigo  09/12/2019 19:58
    Eu tive que pesquisar pra acreditar.
  • Batista  09/12/2019 21:58
    Com um Estado interventor nosso País quebrou. Controlou-se tarifas públicas, preço dos combustíveis, tarifas de energia elétrica, juros dos bancos públicos. Foram concedidos empréstimos subsidiados para amigos do rei etc...etc...etc... Foi muita intervenção na economia. O resultado estamos sentindo na pele: 13 milhões de desempregados, milhões de empresas fecharam, e vários estados da federação entraram em situação pré-falimentar.

    E o pior: qualquer tentativa de se afastar desse modelo nefasto é imediatamente rotulada como "ultra-liberalismo" e "reacionarismo", sem aparentemente se darem conta de que são dois termos exatamente opostos.

    O fato de o presidente ser a voz mais racional contra o tabelamento do preço da carne (e a imprensa ser a mais estridente a favor) mostra bem o nível da "classe bem pensante" deste país.
  • Carlos  09/12/2019 22:36
    Sim, o Brasil é a prova irrefutável que economia dirigida sempre irá fracassar. Realizando intervenções na economia, dona Dilma conseguiu acabar com o Brasil. Além das intervenções que você citou, Dilma também maquiou as contas do governo gerando grande incerteza nos mercados. Em algumas tacadas conseguimos a façanha de sermos rebaixados por 3 agências de Rating. Grande proeza.
  • Lucius  11/12/2019 14:00
    A questão não é essa. A imprensa está fazendo o trabalho dela, que é "criar polêmica" pra vender ou ganhar mais com anúncios. E ela faria isso com qualquer um. Não gosto do estilo de Bolsonaro, mas não sou cego pra notar que ele e os ministros estão fazendo um bom trabalho. Acredito que o problema não é ser esquerda, direita ou centro. O problema é e sempre vai ser a economia. Se seguirem a cartilha econômica liberal, se observarem os países que o fizeram e que estão bem hoje, iremos "pra frente" também.
  • B%C3%83%C6%92%C3%82%C2%A1rbara Maffessoni  12/12/2019 13:35
    Como se o Conservador, o Keynesiano e o Comunista insistem com essa baboseira de impor agenda social a um povo que sempre foi NATURALMENTE depravado amadinho? Economia sempre fica em segundo plano pra essa gente, ele quer é insistir em reeducar pessoas livres, indivíduos que não querem a porcaria da Linguiçona do Kid Governo enchendo o saco e sim o povo tem essa mentalidade totalitarista também.
  • 4lex5andro  10/09/2020 15:01
    Que se reconheça, a governança do Brasil melhorou.

    Em outros tempos teria havido intervenção, ao modo portenho, diga-se.

    De novo tem inflação, agora sobre o arroz e outros alimentos, como a soja, e novamente o governo se nega a se lançar sobre o varejo para controlar preços...

    Por outro lado, fez o certo, zerou o imposto sobre o grão até o fim do ano, algo que jamais foi feito em outros governos.

    Isso tudo apesar do clamor midiático por mais controle...o mesmo clamor que busca dioturnamente derrubar um governo eleito e sem esquema de corrupção (nem investigado, muito menos comprovado).

    Só faltam congresso e ministério da economia se convencerem da urgência em prestigiar o real, e agilizarem as reformas tributária e administrativa, quem sabe assim a moeda nacional possa ser valorizada novamente.
  • Sideshow Bob  09/12/2019 20:02
    A mesma coisa ocorreu com o tabelamento do frete: "melhora" no início pra então agravar o problema
  • Pobre Paulista  09/12/2019 20:38
    Substitua "carne" por "taxa de juros" e vc terá treta com Chicaguistas hehehe
  • Trader  09/12/2019 22:47
    Bingo! Exatamente. E eles ainda juram que Banco Central tabelando juros é o supra-sumo do liberalismo.
  • thiago  10/12/2019 15:05
    mas se o BC está diminuindo a taxa, não está trabalhando no sentido exatamente de liberar e não controlar?
  • Pobre Paulista  10/12/2019 15:54
    Aumentar juros = controle de juros
    Diminuir juros = controle de juros
    Manter os juros = controle de juros

    Qual a dificuldade?
  • Anti-BC  10/12/2019 16:48
    O eminentíssimo Banco Central CONTINUA controlando a taxa do juro interbancário.
  • Lucio  09/12/2019 20:43
    O que temos aqui é apenas um claro e perfeito exemplo de que, quando o estado de se envolve, sempre vai dar ruim, mas mesmo assim, muitas preferem acreditar que o estado cumpre sua função, protege os pobres, te dá e educação e segurança e tal, mas o que temos na realidade, é justamente o oposto, muita coisa(ou tudo) só não vai pra frente mesmo como poderia, simplesmente pelas correntes físicas e mentais que ele coloca em muitas pessoas, se tornando uma escravidão legalizada.

    Um bom ponto a reforçar é: Não confie muito no que a mídia(de maneira geral) diz, ela apenas tem seus interesses pessoais e políticos acima de qualquer coisa, inclusive da verdade, na qual o jornalecos deveriam tanto prezar, apenas quer gerar um cenário de caos politico, se aproveitando de qualquer deixa e deslize que ocorra, divulgando e falando mentiras e meias verdades, ela se aproveita de migalhas e gera um falso incêndio, e as pessoas que ainda confiam nela acreditam, e depois sai como a exaltada e poderosa no final.
  • Rene  09/12/2019 21:13
    Alguns dias atrás, estava conversando com minha mãe sobre a época do plano cruzado. Naquela época, o leite estava em falta em toda parte, por causa dos controles de preços do Sarney. Como eu era muito novo e precisava de laticínios (eu tinha dois anos quando o plano cruzado começou), a mãe substituía o leite por Yakult, pois este era um produto encontrado com relativa facilidade nos mercados. Foi um tempo difícil para todos. Se eu mostrar este artigo para minha mãe, ela nem vai precisar imaginar a situação hipotética descrita pelo Mises. Ela só vai lembrar do passado.
  • Ninguém Apenas  09/12/2019 21:34
    Incrível, estava relendo o As Seis Lições e acho incrível como todo mundo ignora as teorias econômicas e quer fazer política unicamente com a emoção. O controle de preços é um dano praticamente eterno, nenhuma nação consegue anular 100% os efeitos pós-controle de preços, mesmo que estes sejam posteriormente abolidos. A única exceção é o país adotar uma política muito pró-mercado por décadas a fio, de forma que as gerações novas passem sem um novo controle. A Alemanha fez isso, conseguiu escapar da herança maldita (ao menos em grande parte). No entanto, a América Latina e os países do Leste Europeu, além da maior parte da Ásia ainda paga o preço diariamente pelas políticas de 30 anos atrás.

    Os capitalistas simplesmente não querem habitar países assim.
  • Sandnigger  10/12/2019 00:24
    Venho bater palmas pro trabalho que a imprensa está fazendo para conseguir esconder a relação do aumento recente da carne com a política do Lula das campeãs nacionais.

    O Cachaceiro simplesmente acabou com nossos frigoríficos. A carne está em péssima qualidade, é tudo merda velha e embalada a vácuo, cheia de plástico, e, ainda por cima, cara. A competição antes reduzia a margem de lucro nessa fase da "produção" e distribuição de carne. Agora só tem lobby das campeãs nacionais com os sauditas e provavelmente com os chineses também. A tendência é apenas a coisa piorar. Quando essas grandes empresas se juntam às grandes redes de mercado, é uma desgraça para uma desgrudar da outra. Os pequenos e novos produtores que quiserem vender aos supermercados terão sua margem de lucro minimizada e forçados a reduzir a qualidade caso queiram aumentá-la ou a simplesmente honrar contratos. Isso sempre ocorreu, mas com a destruição do mercado nacional da carne que o Cachaceiro nos rendeu, a coisa apenas cresceu e se consolidou no setor da carne.

    Se não fosse a JBS-Friboi engolir as outras menores, haveria maior competição, o lucro delas se equilibraria com a demanda do brasileiro, poderia haver redução de lucro e divisão dos prejuízos entre vendedor e consumidor. Da forma que está, apenas o produtor rural e os consumidores que tomam no rabo.

    Como estamos num período de escassez de boi também, os produtores teriam mais opções para vender e encarecer sua carne. Hoje não têm essa opção. O próximo problema, agora, será a volta, quando o dólar baixar, quando a oferta aumentar. Uma vez que não existe competição, as grandes redes puxarão o lucro para o lado deles. Por exemplo, se os supermercados conseguirem vender certo corte por 30 reais o quilo de forma estável, é porque o gado permitiu que isso ocorresse. Como o gado de hoje é mal-acostumado e joga dinheiro no lixo, o novo preço será 30 reais também, mesmo com maior oferta. Ao menos até que tenha competição. Sem competição, não tem por que os preços baixarem. Se as distribuidoras de carne também não têm com quem competir, os pequenos donos de mercado e açougue não têm como pressionar para que o preço baixe, não têm como, por sua vez, competir com as grandes redes de supermercado. E toda a competição fica travada pelos lobbies desses oligopólios que, para piorar, antes do Bolsonaro contavam com dinheiro infinito do BNDES.

    O gado brasileiro devia ser mais ciente de que o Cachaceiro cagou com a carne do Brasil. Acabou com o preço e com a qualidade, que costumava ser uma das melhores do mundo por ser criado na base do capim, e não confinados comendo ração.
  • anônimo  10/12/2019 01:05
    E, como sempre, isso já havia sido previsto aqui:

    www.mises.org.br/article/2651/a-carne-fraca-pergunta-quem-regula-os-reguladores
  • CRISTIANO TAROUQUELA MEDEIROS  10/12/2019 00:26
    Pelo visto em um governo baseado pela escola economia mises nao deveria existir ministro da economia ?
  • Alberto Carlos  10/12/2019 01:04
    Primeiro traduza para um idioma compreensível. Depois, explique o que você quer dizer.
  • Estado o Defensor do Povo  10/12/2019 02:02
    Exato, não deveria, e digo mais, não deveria haver Estado, nenhum tipo de organização com o monopólio da força é aceitável.
  • PAULO RICARDO DE CARVALHO SARACELLI  10/12/2019 04:02
    Duas medidas ao meu ver são cabíveis!
    1) importar de um país produtor a custos menores e possivelmente de pior qualidade para repassar a população (não é novidade!)

    2) restringir as exportações (a culpada) para aumentar a concorrência interna.

    Um controle de preços só seria. Iavel ao meu ver se o tabelamento fossem em cima da % de lucro, não só da carne mas de todo o setor produtivo primário para não ter pra onde correrem. O difícil no caso é conseguir comprovar o real custo de produção pra isso. Seria bom pra evitar sobre preços e custos abusivos, mas não creio que tenha como viabilizar isso não...
  • Leandro  10/12/2019 04:12
    Restringir a exportação é uma medida que reduz a produção, exatamente o oposto do que se quer.

    Imagine que você é um pecuarista. Você está produzindo para mandar pra fora, pois, ao exportar, você ganha dólares, que é uma moeda forte. É muito melhor produzir para vender para estrangeiros ricos que pagam em dólar do que vender para o populacho que paga em reais.

    Se as exportações começarem a ser restringidas, você, obviamente, não continuará produzindo o mesmo tanto para agora vender apenas para o populacho em troca de reais. Se você fizer isso, você estará pagando para trabalhar e produzir (você estará produzindo o mesmo tanto, mas ganhando muito menos; na prática, seu custo de produção aumentou).

    Logo, você obviamente irá reduzir sua produção até o ponto em que a redução da oferta aumente os preços e lhe traga uma receita satisfatória.

    Ou seja, trata-se de uma medida que, ao contrário do que se almeja, reduz a oferta de carne produzida.

    A solução é uma só e é a mesma que este Instituto repete dia sim, dia também: fortalecer o real; fazer com que o real seja uma moeda tão demandada quanto o dólar. Se o real fosse forte, ninguém pensaria em exportar em vez de vender para o mercado interno.

    Concomitantemente — e aí você acerta — zerar as tarifas de importação das carnes de Argentina, Uruguai e Austrália. Com essas duas medidas, carne cara seria coisa de museu.
  • Anti-BC  10/12/2019 18:45
    Prezado Leandro,

    Como o real poderia ser fortalecido sem os tais leilões e sem o Currency Board?

    Abraço!
  • Leandro  10/12/2019 19:27
    Para começar, o principal nome da economia deveria literalmente "calar a boca", ou seja, parar de falar em público que "não vê problema nenhum em um dólar a R$ 4,30".

    Assim que ele veio a público e falou essa insanidade, o dólar imediatamente saltou de R$ 4,15 para R$ 4,27. Só não foi adiante porque tal valor estava bizarro até mesmo para os padrões pombísticos do atual Banco Central, que teve de fazer dois leilões-surpresa para conter o estrago.

    Tanto a teoria quanto a empiria demonstram que governos conseguem a moeda que querem. Nos EUA, quando o presidente (ou o Secretário do Tesouro) diz querer um dólar forte, o mercado imediatamente entrega um dólar forte.

    Foi assim com Reagan, que falou em sua campanha que queria um dólar forte e até mesmo restaurar o padrão-ouro (o dólar, que estava na lona sob Jimmy Carter, começou a subir imediatamente após Reagan vencer a primária de New Hampshire e se consolidar nas pesquisas). Foi assim com Clinton, cujo Secretário do Tesouro Robert Rubin falava abertamente que ter um dólar forte era do interesse dos EUA. Foi assim com Bush, cuja equipe dizia que queria um dólar fraco para concorrer com a China. Não é de se estranhar que a economia foi ao chão com ele. E foi assim com Obama, cujo Secretário Jack Lew falava abertamente sobre as vantagens de ter uma moeda forte.

    Sim, quando presidente, Ministro da Fazenda e presidente do Banco Central deixam claro em seus discursos que querem uma moeda forte, e que irão trabalhar para isso, o mercado imediatamente aquiesce e torna a moeda forte (para especuladores, há ganhos a ser feitos tanto com moeda forte quanto fraca, de modo que, para eles, pouco importa a força da moeda, mas sim a direção do movimento da moeda. Se o governo quer a moeda em uma direção, eles entregam essa direção e ganham com isso).

    É claro que é importante ter um orçamento equilibrado e ser bem receptivo ao investimento estrangeiro, mas o gogó ajuda. E muito.

    Gustavo Franco, por exemplo, praticamente manteve o real forte no gogó. O fiscal não ajudava e juros altos não são garantia de nada, tanto é que quando houve a desvalorização de 1999 os juros estavam muito maiores do que no período 1996 - 1998. Ou mesmo em 2015, com SELIC a 14,25% e dólar ultrapassando os R$ 4,00. (Sobre a atuação de Franco durante todo o Plano Real, leia o livro "3.000 dias no Bunker", de Guilherme Fiúza).

    Além de Reagan e Paul Volcker, que também fizeram farto uso das palavras (ambos falavam claramente que queriam um dólar forte, e conseguiram) e de Bill Clinton e seu secretário do Tesouro Robert Rubin, a Alemanha também fez o mesmo durante todo o pós-guerra.

    "Ah, mas se é tão fácil assim, por que ninguém faz?" Ora, porque vivemos na era da insanidade monetária. Hoje, o senso comum diz que, se a moeda não for desvalorizada, não haverá exportação, a economia não será competitiva, e a indústria irá acabar. Com efeito, dado que o próprio Guedes é um adepto aberto desta teoria (como ficou claro na entrevista concedida ao site O Antagonista), aí é um abraço. Nada pode ser feito.

    O mercado financeiro não entrega moeda forte para uma equipe econômica que diz abertamente que quer uma moeda fraca. Infelizmente, está aí a resposta para a sua pergunta.
  • Anti-BC  10/12/2019 22:26
    Muitíssimo obrigado pela resposta, Leandro!

    Sério, que estupidez da "equipe econômica".

    Um real forte arrumaria um monte de problemas e faria a popularidade de Bolsonaro ir às alturas.
  • Anti esquerdista  11/12/2019 14:12
    Leandro. Eu vi o video,o que o Paulo Guedes fala sobre o cambio. Até concordo com voce. O certo mesmo era privatizar tudo e tirar o maximo o estado de cenz,porem,o Paulo Gudes sabe que isso é muito complicado no momento pois tem muito parasita dificultando a coisa e a economia tem que andar. O Paulo Gudes tem boas intençoes,tanto é que ele procura explicar ao maximo sobre a economia ao povo e povao que nao entende nada do assunto,e essa do cambio ele acabou falando demais. Porem,se ele aumentasse os juros e controlasse o cambio,o pais nao estaria muito melhor porque o pais precisa crescer,o certo seria mais investimento externo,porem,para o Brssil ter condicoes de competir,teria que mudar leis e baixar taxas coisa que os parasitas fazem tudo para atrapalhar. O problema do Brasil nao é so politica e economica,é moral tambem. Ninguem que tem carguinhos publico as custas dos pagadores de impostos quer largar a teta,existe o excesso de egoismo e dinheirismo as custas de outras pessoas. O Paulo Guedes esta fazendo o que ele pode no momento. As pessoas batem no cara errado,tem que bater de frente com o funcionalismo publico,mais bater forte mesmo a ponto do cara se envergonhar de ser funca e viver as custas dos pagadores de impostos,tem que acabar com as mamatas dos funcionarios publicos pois boa parte sao eleitores de esquerda pro comunismo.
  • B%C3%83%C6%92%C3%82%C2%A1rbara Maffessoni  11/12/2019 22:31
    Se a gente depender disso pode esquecer amadinho, não são apenas os políticos que o populacho trata como Deuses, ele vive lambendo o saco dos funças também, exatamente porque sonha em ser um deles. Com os salários ultra-inflados do setor público, é lógico que os imbecis que pensam pequeno, vão preferir por exemplo, ganhar 4.000 lavando privada em alguma sede dos Correios, do que ganhar 2.000 reais em qualquer emprego da iniciativa privada.

    O brasileiro é histórica e culturalmente contra empreendedorismo e iniciativa privada. Como que um país vai evoluir assim? Como que um país irá crescer, com quase metade da população querendo fazer parte da estrutura que compõe a Linguiçona do Kid Governo? Pode até ser que o país não vire a Venezuela ou a Argentina, mas com um populacho de quinta chinelagem desses, vai continuar nesse ioiô social-democrata e estado cada vez mais inchado.
  • Lillian  19/02/2020 00:02
    "O brasileiro é histórica e culturalmente contra empreendedorismo e iniciativa privada." Concordo plenamente com você. Basta ver o ensino nas escolas públicas e privadas. Todos os alunos são incentivados a fazerem faculdade ou concurso público. Não há incentivo para empreenderem, com algum comércio, por exemplo. Para o brasileiro, o empreendedor é aquele que não estudou, perdeu o emprego, pegou o FGTS e resolveu montar seu próprio negócio. Ou seja, aquele que não deu certo na vida. Conheço inúmeros empreendedores, que vendem alimentos na rua (cachorro quente, churrasquinhos e sanduíches) que no final do mês tem rendimento muito maior que de funcionários públicos "inteligentes" que "estudaram muito" para "estarem onde estão", mas que falam para seus filhos estudarem e prestarem concurso, para não terem de ficar trabalhando como eles. Essa cultura precisa ser modificada.
  • Felipe  11/12/2019 21:00
    "Com efeito, dado que o próprio Guedes é um adepto aberto desta teoria (como ficou claro na entrevista concedida ao site O Antagonista), aí é um abraço. Nada pode ser feito. "

    Leandro, quando o Paulo Guedes falou sobre câmbio sobrevalorizado de maneira pejorativa, ele estava se referindo aos primeiros anos do Plano Real? Poderia ser dito que foi, de fato? Porque em câmbio sobrevalorizado, eu já imagino um BC fazendo alguma gambiarra para manter uma moeda artificialmente valorizada.
  • Desanimado  10/12/2019 04:17
    Entenderam agora por que a coisa no país é desesperadora? Veja só a mentalidade totalitária desse povo. Até o cara acima, que tem até algumas ideias liberais corretas (liberar a importação), defende, no final, o totalitarismo estatal. Ele quer que burocratas com armas e distintivos definam para quem um empreendedor pode ou não pode vender seu produto.

    Medida idêntica foi tomada pelo governo Sarney, que mandou prender boi no pasto.

    Se o povo tem mentalidade socialista e totalitária, é óbvio que um governo socialista e totalitário acabará chegando ao poder. Desesperador.

    Quanto ao Bolsonaro, eu mesmo achava que ele era meio beócio. No entanto, ao ver sua postura neste assunto, e ao compará-la com a de outros seres "bem pensantes", concluo que o cara é praticamente um gênio da economia.

    Veja a que ponto chegamos…
  • Bárbara Maffessoni  10/12/2019 05:03
    Brasil e Argentina são casos perdidos amadinho, justamente por isso: A mentalidade estatista do povo.

    Ele é idêntico ao Russo, ao Português e ao Francês, muita coisa que acontece hoje, tem o dedo de pedidos do próprio Gado de Corte brasileiro, que quer insistir na pobreza gerada pelo famigerado "Estado de Bem Estar Social", ou socialismo fabiano/comunismo pela metade.

    Considero o Keynesianismo, apenas uma peça de tabuleiro do Marxismo, uma maneira "mais fácil" de se implantar, forçar o Comunismo, sem o povo perceber que está sendo enganado.
  • Junker  10/12/2019 22:15
    Eu li aqui que um real desvalorizado mas estável é melhor do que um real valorizado só que instável...confere?...um real estável, mesmo estando desvalorizado, é mais atrativo para o investimento externo e também ajuda na poupança...então o plano do Guedes de achar o "valor de equilíbrio" pode ser bom? (ao contrário do que a mídia vomita)
  • Trader  10/12/2019 23:21
    Com certeza você não leu isso aqui.
  • Andre  10/12/2019 23:24
    Esqueça qualquer racionalidade cambia do Guedes, pra ele câmbio flutuante é pra flutuar e preço do dólar é tão importante quanto preço de cebola.
  • anônimo  12/09/2020 12:56
    É, mas foi o pensamento de Keynes, que salvou o mundo no pós -guerra.
    Em situações anormais, o Estado deve controlar os preços.
  • Fernando  12/09/2020 19:11
    Engraçado. O mundo no pós-guerra estava no padrão-ouro (que Keynes desprezava) e não havia controle de preços (algo que nem Keynes defendia).

    Você conseguiu a façanha de cometer dois erros factuais e um erro de lógica em apenas duas frases. Parabéns. Um portento.
  • anônimo  15/09/2020 02:19
    E você não entendeu o que eu quis transmitir, ou então, desviou o enfoque.
  • Arthur  10/12/2019 14:25
    Mas o caso específico desse aumento da carne é aumento da demanda, não? Porque o texto fala sobre custos de produção.

    Por exemplo:
    - Pecuarista tem 100 bois para vender para 100 pessoas (valor R$ X)
    - Agora, com aumento de demanda chinesa, ele tem os mesmos 100 bois, com mesmo custo, mas para vender para 400 pessoas (valor R$ 4x).

    Então, o burocrata pode pensar que "controlando o preço da carne, não tem mais vantagem vender pra fora e isso não impacta o pecuarista, porque os custos continuam os mesmos. Ele só não vai ser mais um capitalista maldito e vai ajudar os brasileiros".

    Então, mesmo essa aumenta de demanda aumenta os custos pra produção dos mesmos 100 bois?
  • Carlos  10/12/2019 14:42
    Aumento da demanda chinesa e aumento do dólar (o que torna mais atraente vender pra fora em troca de dólar). Mas também houve encarecimento da ração (soja e milho).

    De resto, não entendi nada do que você falou.
  • Thiago  10/12/2019 15:22
    Não é justificável o controle de preços ou de qualquer outra coisa nem por esse motivo. Sendo o aumento da demanda duradoura, o aumento da produção virá naturalmente, só questão de tempo.

    Assim, os preços tendem a baixar novamente com a maior oferta que virá.
  • Caio Vila  10/12/2019 16:14
    Leandro, fugindo um pouco do tema...

    Senti faltar de um comentário seu a respeito da arrogância, ignorância e espantalhos feitos por ortodoxos nos últimos dias a respeito da EA.

    Eles aparentam estar bem exaltados e chiliquentos com pessoas normais (muitos jovens estudiosos fizeram simples perguntas e foram ofendidos e bloqueados por essa corja) "ousando" questionar os seus respectivos conhecimentos e doutorados a respeito da matéria em questão.

    Sei que é um assunto chato e que o Beltrão e o Professor Bira já responderam devidamente, mas você sempre tem algo a agregar.
  • Observador  10/12/2019 17:04
    Meu Deus, você está querendo que os caras se rebaixem a bater boca no Twitter com Samy Dana (quem?)? Se fizerem isso será algo extremamente decepcionante.

    Em todo caso, já que você quer repostas bem embasadas, aqui está:

    twitter.com/fernandoulrich/status/1204430803435954176
  • Samy Dana enterrou Escola Austríaca  23/01/2020 16:47
  • Guilherme  24/01/2020 14:57
    E o pior é que eu assisti tudo. Estou até agora procurando onde ocorreu a enterrada. O argumento todo do Dana está perfeitamente sintetizado no marco 56:30 a 58:20. Ali está tudo o que você precisa saber da "refutação dele".
  • Leandro  10/12/2019 17:42
    Sobre o ocorrido (keynesianos, chicaguistas e demais neoclássicos se unindo para atacar a Escola Austríaca com o fulminante argumento de que ela tem "pouca matemática" e não é "convencional dentro da Academia"), a única coisa que posso dizer é exatamente aquilo que sempre disse aqui.

    Essa turma está desesperada não só por estar percebendo sua impotência e crescente irrelevância perante os interessados, como também por não ter como escapar de suas responsabilidades e fracassos.

    1) Em primeiro lugar, como é bem sabido, nenhum deles previu a crise financeira de 2008. Os austríacos foram os únicos. Isso os desmoralizou e os deixou raivosos. Compreensível.

    2) Mas, em termos de Brasil, a coisa é ainda pior. É aqui que eles realmente fulminara tudo.

    3) Os keynesianos (Mantega, Arno Augustin e Nelson Barbosa) e neoclássicos (Alexandre Tombini) derreteram a economia com Dilma.

    4) Aí entrou um chicaguista (Joaquim Levy) e simplesmente enterrou ainda mais fundo cadáver. Além de sair aumentando impostos em plena recessão, foi sob Levy que a moeda mais se desvalorizou e que o PIB mais encolheu.

    5) E então entrou a dupla Ilan e Meirelles e deu uma estancada na sangria. Meirelles foi quem realmente restaurou a confiança do mercado financeiro no governo. Só que, para azar da academia, Meirelles nunca se declarou adepto de nenhuma escola econômica (com efeito, ele nem sequer é economista; é engenheiro civil com MBA em administração). Consequentemente, nenhum grupo acadêmico organizado pôde puxar para si os louros. Ou seja, ficaram no vácuo.

    6) Aí agora entrou uma equipe econômica chicaguista e neoclássica e, de diferente, ela só tem a mostrar o enfraquecimento da moeda (que, na prática, significa uma brutal redução no salário da população). O crescimento econômico já estava contratado no governo Temer, mas foi abortado pela greve dos caminhoneiros e pela incerteza eleitoral; a reforma da previdência foi obra do Congresso e se baseou no aumento de impostos sobre a renda (a medida do INSS vai aumentar a partir de março do ano que vem); e a CPMF só não foi recriada agora porque houve gritaria. O "liberal" Guedes em momento algum falou em reduzir o IOF de 6,50% sobre o câmbio, taxa essa criada por Guido Mantega no governo Dilma. No governo Lula, essa taxa era de 0,38%. Isso é vergonhoso.

    7) As coisas boas do atual governo ou já vieram prontas do governo anterior (reforma trabalhista, teto de gastos e encolhimento dos bancos estatais, por exemplo) ou foram feitas fora de Chicago: a MP da liberdade econômica foi toda ela escrita pelo Geanluca Lorenzon (egresso daqui) e o Ministério da Infraestrutura é puramente técnico (comandado por engenheiros do IME). O Banco Central, por outro lado, é pavoroso. E sob o completo controle de Chicago.

    8) Por fim, vale ressaltar que a atual equipe econômica de fato fez algo meritório: reduziu bastante algumas tarifas de importação sobre bens de capital. No entanto, de nada adiantou, pois a moeda derreteu (aliás, creio que reduziram as tarifas exatamente porque já tinham a intenção de deixar a moeda desvalorizar impiedosamente).

    Para resumir: em todos as áreas em que os keynesianos/chicaguistas/neoclássicos se intrometeram, a coisa desandou (exatamente como a EA sempre disse que ocorreria). Onde as coisas melhoraram? Naquelas áreas das quais eles ficaram longe.

    E aí, quando a gente aponta isso, a turma fica brava e sai "xingando muito no Twitter" e falando que não compreendemos a bela e verdadeira profundidade da economia que eles defendem (na verdade, nada mais que um emaranhado de equações que se pretende capaz de matematizar o comportamento humano).

    Essa atitude desesperada deles é compreensível. Creio que, se fosse eu, também faria a mesma coisa. Quando não há argumentos contra um oponente superior, o qual reconhecidamente supera você, só lhe resta xingar.



    P.S.: apesar de tudo isso, não me entenda mal: sim, a economia vai crescer e a situação vai melhorar, mas isso aconteceria como que por gravidade. A década de 2010 foi perdida, e qualquer coisa agora fará a economia crescer. Só é lamentável que este crescimento esteja sendo engendrado via desvalorização, que nada mais é do que uma prática retirada diretamente do manual desenvolvimentista.

    Fosse feita uma reforma genuinamente supply-side, a moeda seria estabilizada perante uma cesta de commodities, os juros seriam livres e toda a produção seria desonerada (a MP da liberdade econômica vai nessa direção). Com as barreiras governamentais retiradas de cena (moeda instável, regulações, restrições ao livre comércio e burocracia), todo o crescimento ocorreria de forma robusta. E com a população com poder de compra. E isso não é teoria. Foi feito nos governos Reagan e Clinton. Imitar o que comprovadamente deu certo -- em vez de ficar ressuscitando teorias desenvolvimentistas fracassadas -- já seria um monumental avanço.
  • Rene  10/12/2019 20:34
    Já faz algum tempo que tenho acompanhado este site. Ninguém me tira mais da cabeça que Economia de verdade é só a Escola Austríaca. Todo o resto é só pessoas com muito estudo tentando te levar na conversa com jargões técnicos que você não entende. Deve mesmo desesperador ouvir outras pessoas gritando que o rei está nu.
  • Caio Vila  10/12/2019 20:39
    Sensacional!

    Estou absolutamente satisfeito, muito obrigado Leandro.
  • Kennedy  11/12/2019 11:01
    Acho que as tarifas foram reduzidas exatamente para que pudessem amenizar as consequências da desvalorização que a moeda iria sofrer mesmo... deve ter sido isso que o Guedes quis dizer quando disse que o Brasil está "preparado" para um câmbio mais desvalorizado.
  • Felipe  12/12/2019 00:42
    Leandro, dado que investimento em títulos do governo é naturalmente destrutivo e improdutivo, por que seria ruim ver uma fuga de pessoas indo aplicar nos títulos do governo americano, ao invés de aplicarem no Brasil, dado que a diferença entre a taxa aqui e lá estar cada vez menor? Além da taxa de juros influir nos títulos do governo, em quais outros tipos de aplicações essa taxa influi, tanto a SELIC quanto a taxa americana?

    Desculpe em caso de falha de entendimento. Preciso aprender muito ainda.
  • Leandro  12/12/2019 05:49
    "dado que investimento em títulos do governo é naturalmente destrutivo e improdutivo, por que seria ruim ver uma fuga de pessoas indo aplicar nos títulos do governo americano, ao invés de aplicarem no Brasil"

    O déficit do governo continua existindo e continua tendo de ser financiado. Se não for por nós, muito menos será pelos estrangeiros (até porque, sem o grau de investimento, vários fundos estrangeiros são proibidos de vir para cá).

    Logo, se esse dinheiro for para fora (e dado que o dinheiro de fora não vem para cá), faltará financiador aqui. Logo, os juros subirão até o ponto em que voltarem a ser atrativos.

    Mas se os juros dos títulos públicos sobem, todas as outras taxas de juros da economia sobem, pois os títulos públicos são considerados os investimentos mais seguros do país (pois as chances de o governo dar o calote são mínimas: ele pode tributar, pode se endividar para pagar e pode imprimir dinheiro).

    Se os juros pagos pelo governo (o melhor devedor do país) subiram, então a dona Maria da quitanda terá de pagar juros muito maiores caso vá ao banco pedir um empréstimo, pois, tudo o mais constante, o banco prefere emprestar para o governo do que para ela. Quanto mais juros o governo se dispõe a pagar aos seus credores, muito mais juros a dona Maria terá de pagar caso queira disputar esse mesmo dinheiro que está sendo emprestado para o governo.

    "Além da taxa de juros influir nos títulos do governo, em quais outros tipos de aplicações essa taxa influi, tanto a SELIC quanto a taxa americana?"

    Acho que ficou explicado acima.

    Quando o governo se endivida, isso significa que ele está tomando mais crédito junto ao setor privado. E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. 

    E isso é fatal para as micro, pequenas e médias empresas.

    Imagine que você seja uma empresa à procura de crédito. Você consegue pagar juros de até, digamos, 10% ao ano. Mas aí vem o governo federal, com déficits enormes, e oferta uma enxurrada de títulos pagando 14% ao ano. 

    Como você vai concorrer com ele? Se o banco pode emprestar a 14% para o governo, sem risco nenhum, por que ele emprestaria a 10% para você, e ainda correndo muito risco de calote?

    Com o governo em cena competindo pelo crédito e se oferecendo para pagar 14% ao ano, a única forma de você conseguir algum crédito é se dispondo a pagar juros de, suponhamos, 20% ao ano. Por menos que isso o banco não vai lhe emprestar. É muito arriscado.

    E o efeito ocorre em cascata. Se as pessoas físicas podem emprestar para o governo — via Tesouro Direto — por 14% ao ano, então os bancos pequenos e as financeiras terão de ofertar CDBs, LCs, LCIs e LCAs a taxas muito mais altas para conseguir concorrer com o governo por essa captação. 

    Tendo de pagar mais pela captação, os bancos pequenos e as financeiras terão de cobrar juros mais altos de pequenos empreendedores que recorrem a eles. 
    No final, o crédito para investimentos produtivos se torna caro por causa dos déficits do governo, gerados por seus altos gastos.

    Se não fossem os déficits do governo, os bancos e as financeiras provavelmente teriam emprestado para você. Mas com o governo em cena, suas chances se tornam praticamente nulas.
  • Felipe  12/12/2019 12:54
    Então em tese, essa nova redução de juros para 4,50% será benéfico ou essa pouquíssima diferença com relação aos juros do governo americano irá provocar fuga de capitais?
  • Supply-Sider  12/12/2019 19:30
    Não muda nada. Ambos os Bancos Centrais são rate followers, e não rate setters. Ou seja, eles simplesmente seguem as taxas de juros de longo prazo já determinadas pelo mercado. Eles próprios não determinam nada.

    O corte aqui e a manutenção lá já eram amplamente esperados e já estavam totalmente precificados.

    Banco Central tem de cuidar é do poder de compra da moeda, e não ficar fixando taxa de juros de curto prazo. Ele tem de manter a moeda estável em relação a uma cesta de commodities, e não ficar fixando o preço do crédito.

    Taxa de juros e poder de compra da moeda são coisas totalmente descorrelacionadas. Teoria e empiria já comprovaram isso sobejamente.
  • Felipe  12/12/2019 21:27
    Mas o Leandro disse meses atrás de que o BC brasileiro reduziu os juros mais do que o previsto pelo mercado, enquanto o Fed fez o que já era esperado. Isso não estaria se repetindo agora?
  • Leandro  12/12/2019 21:55
    A redução de 31 de julho foi mais intensa do que a até então precificada. Ao mesmo tempo, no mesmo dia, o Fed, também ao contrário do que se esperava, adotou uma postura bem mais hawkish. Ou seja, o BACEN ficou mais pombo do que se esperava, e o Fed, mais falcão.

    Mas todas as outras reduções foram em linha com o esperado.

    Mas a encrenca é que, exatamente nos dias seguintes ao fatídico 31 de julho, vários eventos foram se combinando em sequência, criando a famosa tempestade perfeita.

    Descrevi a sequência aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3180&comments=true#ac245237
  • Mr Citan  12/12/2019 20:25
    Leandro, bote nessa lista o picareta do Luiz Gonzaga Belluzo, que f*deu a economia do país duas vezes.
    A primeira foi em 1986 quando estava no governo do Sarney e era um dos cabeças do Plano Cruzado.
    A segunda vez foi como guru econômico da Dilmanta, no qual ela fez as bizarrices de congelar as tarifas elétricas na canetada, e que foi um dos imbecis que encabeçaram o tal "Manifesto dos Economistas" no governo da anta.
    Já cheguei a argumentar com os seguidores dele sobre a austeridade de Portugal, e o nível de keynesianismo dos Belluzominions desanima qualquer um.
  • Nome  10/12/2019 18:02
  • Mr Citan  10/12/2019 20:18
    Esse negócio de controle de preços, me lembra a época de hiperinflação, época que eu tenho lembranças bem marcantes.
    As vezes a minha mãe substituía o café com leite por chá de mate leão, que era mais barato e rendia mais. Quando sobrava um dinheiro, a gente tinha mais chance de tomar café com leite.
    Refrigerante? Só as tubaínas, e bem de vez em quando, com o dono do bar emprestando o casco.
    Quando ela recebia o salário, a gente ficava um tempão na fila do banco, e com o dinheiro na mão, já ia correr para o mercado para fazer a "despesa" do mês, senão você só comprava o básico, e ficaria sem dinheiro para comprar a "mistura", que podia ser salsicha, ovos, coxa de frango.
    Nugets, e outros congelados só no sonho.
    Na época do Plano Cruzado, lembro do discurso do Sarney na televisão, e da festança que o povo fazia.
    Nego ia no mercado e na padaria, com aquelas tabelas da Sunab que muitos pegavam no jornal, principalmente do jornal "Notícias Populares", que toda a semana tinha uma chamada na capa com tabela da Sunab, com novas atualizações de produtos.
    É nessa época o surgimento dos famosos "Fiscais do Sarney".
    Gerente de mercado, ou até mesmo o dono de mercado, padaria ou açougue era tratado como se fosse bandido. Tinha gente que achava que tinha poder de polícia só por que o Sarney falou que as pessoas eram os próprios fiscais do plano. Loucura.
    Lembro até hoje, quando começou a faltar os produtos e as prateleira ficarem vazias, a Globo fez algumas propagandas do tal "Tem que dar Certo", que tinha a Lucélia Santos e até os trapalhões, falando que a falta das coisas era culpa do comércio, e que o plano "Tinha que dar certo", como se fosse na base da boa vontade.
    Aí veio a dureza para fazer despesa: Não precisava correr para o mercado, mas tinha que levar os filhos juntos para garantir a cota do que podia comprar. Quem não se lembra das famosas filas do leite?
    Lembro que o PMDB ganhou disparado aqui em São Paulo naquela época. O Quércia virou governador, e que anos depois acabaria com o Banespa.
    Aí depois da eleição os preços dispararam. Tinha voltado o costume de correr para o mercado pra fazer a despesa do mês. Pior era pra aqueles que tinham tripudiado dono de padaria e mercado, tiveram que voltar com o rabo entre as pernas.
    Dose é que o pessoal mais novo (abaixo dos 40 anos) não viveu aquela época, e acha que é só congelar os preços que resolve.
    Controle de preços não funciona desde a Roma Antiga. Ingenuidade achar que vai funcionar agora.
  • Anti-BC  10/12/2019 23:08
    Cara, que relato!

    Quem viveu sob o socialismo sabe que se trata de um verdadeiro inferno na Terra.

    Quem não sofreu com ele acha que se trata da maior maravilha do mundo.

    Gostei muito do seu relato. Fale e escreva sobre isso, pois os eminentíssimos P. Guedes e R. C. Neto desejam uma moeda esfacelada.

    Abraço!
  • Mr Citan  11/12/2019 04:31
    Cara, antes do Plano Cruzado, no final do Regime Militar, a gente tinha uma inflação braba aqui, mas era contornável.
    Quero dizer, o pobre da minha redondeza ainda conseguia sobreviver, mesmo que pra isto tivesse que gastar logo o dinheiro que recebia com comida e pagar as contas.
    Ou que precisasse de vez em quando pedir emprestado para o vizinho uma xícara de açúcar ou uma xícara de farinha de trigo pra fazer bolinho de chuva.
    Era uma situação confortável? Claro que não. Mas o brasileiro pobre e classe média tinha um padrão de consumo, mesmo que seja com produtos mais baratos, por exemplo, beber Leite C, aquele de saquinho que nem era pasteurizado, e que tinha que ferver pra tomar com café.

    Lembro até hoje, de quando eu tinha 11 anos, a vizinha pediu a mim e um outro colega meu pra ajuda-la a carregar uns tijolos baianos pra dentro do quintal dela.
    Eu e o meu amigo levamos cerca de 20 tijolos cada um, da calçada para o quintal, e no fim ganhamos 2 moedas de 50 cruzeiros, que logo gastamos no bar ao lado com uma tubaína bem gelada.

    Mas depois do Plano Cruzado, a inflação descambou.

    Poha, o dinheiro perdia 3 zeros a cada 3 anos, como se fosse país africano saído da guerra.
    Eu tive sorte que naquela época não tinha estas merdas de ECA e eu pude trabalhar, senão estaríamos lascados.

    Quando eu trabalhava eu finalmente pude comer lanche fora e beber refrigerante, mas só lá para os anos de 1994, com o Plano Real, é que pudemos colocar coisas mais gostosas pra casa, e mais carne.
    Melhor argumento pessoal que eu tenho em favor de moeda forte.

    Socialismo não foi só na época do Sarney. Collor também foi outro que roubou a riqueza das pessoas com o confisco forçado.

    E o que deixa indignado é que estes merdas ainda estavam na política, mesmo com o Socialismo e o roubo descarado que fizeram, quando na verdade mereciam ter sido jogados ao mar por helicópteros.
  • anônimo  10/12/2019 23:54
    Pior que tem gente na minha família que viveu aquela época e afirma que o congelamento de preços foi a melhor coisa que o Sarney fez - ou que teria sido a única medida dele "que prestou". Afirma que foi nessa época que pôde comprar coisas a um "preço justo". Diz que o congelamento só fracassou "porque os fabricantes mudavam o nome/marca dos produtos para burlar o tabelamento e poder cobrar mais caro".

    Ou seja, é ilusão acreditar que as pessoas vão "aprender" algo quando o socialismo fracassa. Sempre vai ter uma desculpa ou algo ou alguém para colocar a culpa!
  • Mr Citan  11/12/2019 04:51
    A sua família não deve ter sido a única a ficar deslumbrada e achar que o Sarnento foi o melhor presidente de todos.
    Afinal, o Sarnento tava congelando os preços, dando aumento, e dizendo pro povão brigar com padeiro, açougueiro, dono de mercado, por causa da lista da SUNAB.
    Época maravilhosa pra encher o carrinho.

    E pra piorar, a televisão e os jornais populares davam a idéia para o povão de que comerciante era o desonesto, e que era culpa dele que estava faltando comida, ou que estava roubando o povo porque tal coisa não estava na lista da SUNAB.

    Um exemplo: Lembro até hoje de um quadro nos trapalhões, no qual o Didi vai no mercado, e começa a brigar com o gerente, que era o dublador do Wolverine, falando que ele tava cobrando caro, agitando o pessoal, ia chamar a polícia, e o gerente do mercado pedindo pro Didi ficar calmo e não chamar a polícia.
    Povão foi feito de pato no final.

    Hoje graças a Deus temos a internet, e os vídeos daquela época socialista.
    Povão pode não aprender, mas pelo menos tem um aviso.
  • Anti-BC  11/12/2019 16:27
    A verdade toda é que a maioria (o "povão") é formada por gente de muita ignorância, de pouca memória, de visão de curtíssimo prazo, de raciocínio raso.

    O "povão" sempre cai na lábia dos demagogos.
  • Renegado  11/12/2019 18:15
    MR citan, te conheço lá do bolha imobiliária (embora não frequento aquele site a anos). Lembro de vc por causa dessa foto de cachorro kkk. De vez em quando te vejo por aqui também, embora eu não comente muito. Gostei do seu relato. Abraços.
  • Mr Citan  12/12/2019 20:17
    Dá uma chegada la no Muquiranas.com, é aonde os lúcidos do BOB se juntaram.
    Abraços e tamos aí.
  • Revoltado  24/01/2020 16:31
    Mr Citan,

    Surreal isto que li, e para mim continuará sendo, embora tenha lido mais coisa sobre o Brasil nos anos 80, o que significa que não deixarei de me surpreender jamais!

    Tracei mentalmente um paralelo com qualquer país do lado de lá da Cortina de Ferro na mesmíssima época. O cartão da SUNAB poderia desempenhar bem o papel do "cartão de racionamento" com o qual os pobres eslavos, magiares e romenos podiam pegar a escassa comida existente.
    Era uma economia de URSS versão tropical o que vivíamos!
  • anônimo  12/09/2020 13:06
    Errado.
    Até nos USA há controle de preços em situações que podem gerar desequilíbrio social intenso.
    Iniciemos pela História.
    Europa
    Em 301 d.C., o imperador Diocleciano impôs a todos os domínios romanos um edital que estabelecia um limite de preços máximos para uma lista de mercadorias e serviços.[1]
    Durante a Revolução Francesa, quando foi implatada a ditadura jacobina, foi introduzido na constituição um congelamento de preços de produtos básicos pela Lei do Preço Máximo.
    Em agosto de 1993, a Iugoslávia, em guerra civil, tentou um congelamento de preços
    Estados Unidos
    Durante a segunda guerra mundial, através da OPA (office of price administration), visava controlar os preços frente a crescente inflação enfrentada por muitos países durante aquele período.
    Em 15 de agosto de 1971, o presidente estadunidense Richard Nixon anunciou o congelamento de preços e salários por 90 dias.

    Um problema grave é que vocês, neoliberais, adeptos da Escola de Chicago, da Escolha Pública e da Escola Austríaca vivem em um mundo ideal, mas se esquecem do real.
    Outro fato, é que se submetem ao "Deus Mercado", como se ele pudesse organizar todas as atividades sociais.
  • Guilherme  12/09/2020 18:54
    Você tá de zoeira, né? Só pode.

    Você citou exatamente todos os casos de controle de preços que terminaram em colapso social. O da Revolução Francesa simplesmente terminou em guilhotina. O próprio defensor do controle de preços — Robespierre — foi guilhotinado em decorrência da balbúrdia econômica que seu decreto causou.

    Os dois primeiros foram ironizados aqui:

    www.mises.org.br/article/772/doze-trapalhadas-economicas-historicas

    O último está aqui:

    www.mises.org.br/article/1591/a-hiperinflacao-mais-negligenciada-da-historia

    Aposto que você é daqueles fakes de rede social que gostam de ridicularizar a esquerda fazendo se passar por um esquerdista e defendendo as teses mais hilárias e toscas possíveis.
  • Alfredo  12/09/2020 19:10
    Jesus amado! O cara citar Diocleciano, Robespierre e Milosevic como exemplos de políticos a serem seguidos é óbvio que se trata de zoeira. Faltou citar Sarney e Maduro para tudo ficar completo.
  • Felipe  12/09/2020 20:14
    Realmente nos EUA há esse controle de preços para situações de calamidade. Isso é tanto verdade que, sempre que está na iminência de um furacão, é normal as prateleiras dos supermercados se esvaziarem, porque não podem aumentar os preços. É justamente nesses períodos que não pode ter controle de preços, eles vão lá e impõem essa medida socialista.
  • Imperion  12/09/2020 20:33
    Foram feitos esses controles de preços e a economia dos cidadãos se estrepou. O que vc queria provar com isso? Que só porque fizeram, não teve problema, ou que dado que os austríacos são contra controle de preços, eles estão errados só porque algum tosco de nome famoso fez controle de preços?

    Saber se presta é pelos resultados. Robespierre é só nome. Só porque ele fez não significa se prestou.
  • Fernando Vaz  10/12/2019 20:52
    Para liberar a importação de carne sem tarifas, como seria o procedimento legal? Dependeria do Congresso, Senado, ou só do Presidente?
  • Andre  10/12/2019 23:29
    Baixar tarifas de importação de carne dos países do Mercosul é canetada simples do ministro da economia junto com aval da ministra da agricultura.
  • distributista  10/12/2019 20:59
    A economia é importante? É. Mas tem certas coisas que eu não aceito. Tem certas coisas que não são justas.

    Por exemplo, imagine que ocorra um desastre natural em uma cidade — um furacão — e centenas de famílias fiquem desabrigadas. A demanda por habitação aumenta. É justo que os preços das habitações nesta cidade aumente 100% porque a demanda por habitação aumentou devido ao desastre natural? Por essas e por outras que devemos pensar se a lei da oferta e demanda.
  • Anti-BC  10/12/2019 23:26
    Com o controle de preços, simplesmente não existem incentivos para construir novas moradias (aumentar a oferta de habitação).

    A escolha é: ou moradias com preços mais altos, ou nenhuma moradia.

    Os preços mais altos incentivam a construção de novas moradias.
  • Racionalista  10/12/2019 23:45
    Se isso que você defende fosse implantado, seriam exatamente os pobres (ou seja, os mais necessitados), que ficariam absolutamente sem nada.

    Explicação desenhada aqui:

    www.mises.org.br/article/2898/em-um-cenario-de-escassez-abrupta-o-preco-abusivo-e-a-unica-solucao-realmente-humanista
  • Anti-BC  10/12/2019 23:54
    Os maravilhosos efeitos benéficos de uma moeda forte (cujo poder de compra aumenta ao longo do tempo) são realmente verdadeiros.

    Um real forte arrumaria um monte de problemas e faria a popularidade de Bolsonaro ir às alturas.

    Que estupidez da "equipe econômica" em fazer exatamente o contrário.
  • Intruso  11/12/2019 09:16
    Essa atual equipe de governo é ocupada por gente que se beneficia diretamente pelo fato de nossa moeda estar fraca. São pessoas intimamente ligadas ao agronegócio.
  • Anti-BC  11/12/2019 16:29
    Concordo.

    Mas isso pode acabar se tornando um tiro no próprio pé.
  • Juan  11/12/2019 02:46
    Leandro, você poderia produzir um artigo tratando do plano econômico do Enéas?! Ele dizia ser contra as privatizações do governo FHC, pois haviam empresas estatais cujo lucro de um curto período cobria o valor da venda, além de que o BNDES participou ativamente das privatizações. Também falava em restringir importações ao mínimo necessário por alguns meses, nos quais também manteria os preços controlados com base em um período anterior, para, então, lançar uma nova moeda lastreada em minérios abundantes no Brasil e escassos no exterior, como o Nióbio, pois o real não se sustentaria por muito tempo. Propunha fazer investimentos na agricultura e na indústria(Não sei se subsidiados). Poderia fazer uma análise a respeito? Apresentar os pontos positivos e negativos?
  • Kennedy  11/12/2019 10:49
    No último vídeo do Nando Moura, ele contou o relato de um inscrito dele que vem sofrendo com a escalada dos preços de diversas coisas — gás, alimentos, energia e etc. Paulo Guedes no seu cargo de ministro com certeza não sabe o que o povão sofre com uma moeda fraca... é muito decepcionante ver um governo que tinha tudo para dar certo e popularizar o Liberalismo Econômico fazendo essa série de escorregões e sujando o nome do Liberalismo.

    E parece que não é nem questão de advertir o PG ou o Bolsonaro sobre a fraqueza da moeda, é questão de convencer, porque ambos estão determinados a continuar com essa loucura.

    Se alguém aqui ainda tem alguma ilusão, ainda espera alguma coisa do governo, pode esperar deitado. Se você quer sentir melhora na sua qualidade de vida, então vá arrumar um emprego melhor, invista seu dinheiro, pare de gastar com coisas supérfluas e até mude de país, porque a tendência por aqui é sempre piorar.
  • Felipe  11/12/2019 21:04
    Acho que a melhor coisa é sair do país.

    Podem esquecer, moeda forte não teremos nesse governo, a não ser que eles liberem o Dólar Americano em circulação.
  • B%C3%83%C6%92%C3%82%C2%A1rbara Maffessoni  11/12/2019 22:23
    Sinceramente amadinho, a mentalidade desse povo é uma coisa que considero impossível de ser mudada. Ele sempre vai pedir estado forte, sempre irá demonizar o empreendedorismo, sempre irá insistir em querer ser funcionário público, sempre irá pensar pequeno, enfim. Brasileiro só não é mais asno de puxar carroça do que o francês e o argentino.

    Não adianta explicar, o quanto o liberalismo seria benéfico para o país, o quanto uma moeda forte faria bem ao cidadão, enfim, ele sempre irá ficar nesse iorô de Chicaguismo-Kenyesianismo-Ultra-Esquerdismo. Eu mesma desisto, prefiro a mudança de país.
  • Felipe  11/12/2019 22:50
    E é ainda humilhante, porque você fica esperando e dependendo da vontade dos políticos, de todo esse aparato burocrático que vem te sabotar. Claro que tem gente que é bem-sucedida no Brasil, mas os seres humanos possuem limites e cada indivíduo é de um jeito. Depois que voltei da Flórida, eu percebi que o Brasil era pior do que eu imaginava.
  • Barbara Maffessoni  12/12/2019 13:44
    Aí é que tá, o brasileiro desconhece a palavra "Indivíduo", ele é totalmente coletivista e obcecado em chegar a um "bem comum para todos", ele é egoísta em sua grande maioria. Pro Liberalismo dar certo por aqui, o brasileiro precisa aprender primeiro a pensar como indivíduo, essa tara de coalizão e dividir tudo "em partes iguais" com terceiros que a pessoa não conhece, não existe apenas na burrocracia que compõe a Linguiçona do Kid Governo, existe no dia a dia do cidadão médio, do cidadão comum.

    O Liberalismo só dará certo se emularmos a forma de pensar de Gramscy, caso contrário, liberais e libertários serão sempre jogados na latrina do mainstream dos monarquistas e dos pombos lesos que pedem intervenção militar: Meia dúzia de gatos pingados com "opiniões exóticas".
  • Kennedy  12/12/2019 15:29
    Emular o Gramsci? o que a Esquerda fez no meio acadêmico é quase irreversível. Pra você ter uma ideia, já vi pessoas do meio acadêmico tentando argumentar que o Fascismo supostamente têm raízes liberais porque a ideia de injetar crédito na economia (mesmo que apenas para os amigos do Rei) possui o intuito de estimular o capitalismo. Dentro do meio acadêmico, o Liberalismo é completamente descaracterizado e se você se diz liberal ou adepto disso, as pessoas ao seu redor vão pressupor um monte de erros ao seu respeito.

    Pergunte a qualquer liberal/libertário daqui ou até mesmo fora, pergunte para um liberal do MBL por exemplo se intervenção estatal para injetar crédito subsidiado pela sociedade na economia é defensável. A resposta imediata que você vai receber é um não. Enquanto que um esquerdista extremo do PT ou o Ciro Gomes defendem isso com todas as suas forças. E essa distorção por eles é proposital para que consigam empurrar a Extrema-Esquerda para o Centro e assim possam posar de moderados.

    Não existe mais nenhuma discussão técnica ou puramente argumentativa, e a soberania da autoridade acadêmica dos digníssimos doutores contribui para isso. Debati com um keynesiano cursando economia há um tempo atrás e os caras entram em parafuso se você fizer questionamentos básicos sobre os fundamentos do pensamento deles. O máximo da argumentação deles é: utilizar apelos de autoridade, inverter o ônus da prova, manipular dados, confundir correlação com causalidade, agir com wishful thinking, acusá-lo de defender banqueiros ou coisa similar e imputar apelidinhos pejorativos. Os caras "argumentam" em uma linha tênue entre argumentação válida e sofismo de um mau caráter.
  • Pensador Puritano  11/12/2019 19:25
    Sem acabar com o déficit público,impossível ter moeda forte,pois com a moeda forte até a arrecadação aumentar quem iria financiar o estado glutão?
  • Felipe  11/12/2019 21:29
    Pessoal, li agora há pouco essa matéria e eu vou colocar um trecho que me chama a atenção:

    "O Latin NCap encontrou diferenças na forma e no volume das bolsas infláveis laterais entre carros produzidos na Colômbia e os feitos no Brasil e na Argentina: na versão colombiana a bolsa, com volume de 22 litros e maior área de cobertura, oferece maior proteção que nas outras (18 litros)."

    E sabem qual é a maior coincidência? O Peso Argentino e o Real se desvalorizaram mais do que o Peso Colombiano.
  • Ex-microempresario  12/12/2019 20:36
    Em geral na Europa os air-bags são menores porque são projetados para funcionar junto com o cinto (que todo mundo usa). Nos EUA os air-bags são maiores porque muita gente não usa cinto.

    Carros brasileiros e argentinos sempre seguiram os padrões europeus (exceto os dodges, galaxies e mavericks dos anos 70).

    Provavelmente (chute meu) os colombianos estão usando peças dos EUA.

    A influência da escala na indústria automobilistica é tão grande que um air-bag menor feito só para Brasil e Argentina certamente sairia mais caro, ao invés de economizar.
  • Pensador Puritano  12/12/2019 10:30
    Pessoal me respondam,com a estabilização da moeda(Seguindo os princípios da escola austríaca,que eu concordo em tese,mas em termos de pragmatismo político e realidade dos fatos estamos longe deste ideal) sem cortes profundos de gastos da máquina pública,quem irá financiar o estado glutão?Talvez esteja ai a timidez da equipe econômica em manter o dólar flutuando rumo ao abismo?!
  • Rodolfo Andrello  12/12/2019 11:40
    Alguém acompanhou o embate nessa semana entre o Samy Dana e alguns adeptos da escola austríaca? Se sim, gostaria de ver se os senhores tem algo à acrescentar. Honestamente o que eu queria mesmo era um artigo resposta do Leandro Roque, mas não sei se o IMB consideraria essa sugestão.
  • Skeptic  12/12/2019 16:53
    UAU! O Leandro Roque faz muita falta nesses debates.
  • Vinicius.  09/09/2020 18:45
    De volta pra 1986 pessoal:

    valor.globo.com/brasil/noticia/2020/09/09/ministerio-da-justica-notifica-supermercados-por-alta-nos-precos-dos-alimentos.ghtml
  • JBL  09/09/2020 21:57
    Agora vem a pergunta inevitável, isso é previsto na legislação, por causa dos poderes aleatórios que esse ministério possui, ou porque funças preguiçosos resolveram aparecer na mídia?
  • weberth  09/09/2020 19:56
    Troca a carne por arroz agora, dia 09/09/2020... a mídia está louca para o governo congelar o preço.
    Isso me leva a pensar no perigo que passamos ao quase eleger o PT de novo. Por mais trabalhada que há com o Bonoro, ainda assim ele se põe contra essas ideias.
    Agora imagine...
    O PT no poder, pandemia, governos autoritários fazendo ABSOLUTAMENTE TUDO que querem, crise econômica, lockdown, preço dos alimentos aumentando.
    Imaginem o que esse governo não teria tentado com todas essas situações ocorrendo mutuamente.
    Creio que estaríamos já dentro de uma ditadura socialista.
  • 4lex5andro  10/09/2020 14:54
    Tanto que não interferiu nos preços ano passado.
    E tudo se normalizou... e já anunciou, o atual governo, não vai interferir nos preços.

    Pegou mal, claro, pedir para os varejistas diminuírem suas margens (quase inexistentes) de lucro, mas isso é bem diferente de uma ordem ou ''decreto'' pra obrigar mercados a segurar preços.

    Por outro lado, felizmente, zerou o imposto de importação do arroz, em vez de imprimir mais reais pra subsidiar sua compra no mercado interno... correto.

    Talvez desse modo, as coisas devem caminhar melhor, e a inflação na cesta básica arrefecer um pouco... e quem sabe assim, a equipe econômica corrija essas taxas de juros que só colaboram pra depreciação ainda maior da moeda do país.
  • Felipe  09/09/2020 20:16
    "Ministério da Justiça notifica supermercados por alta nos preços dos alimentos"

    Bolsonaro falou que não vai controlar preços, ao mesmo tempo em que um Ministério simplesmente vai lá e notifica o setor privado por "preço abusivo". Ou seja, quem trabalha e produz é punido por algo que o governo causou que foi a expansão monetária e desvalorização cambial. O governo fica sem culpa alguma.
  • Imperion  10/09/2020 00:58
    E já começaram as notificações aos comerciantes, através dos Procons e Ministério Público. A única coisa que não ocorre é o governo assumir que foi ele o provocador da inflação.

    Deixa os ricão pagar 100 no arroz. O comerciante então vai ter dinheiro pra abastecer quando oferta aumentar e o preço cair.

    Obriga ele a vender por menos que pagou e ele não terá motivo nenhum pra vender nada. Depois de todos os comércios falidos pelo lockdown, agora é a vez dos vendedores de alimento.

    Obrigar um comerciante a vender por menos que pagou é roubo.
  • Imperion  10/09/2020 19:22
    Ele mostrou um pouco de bom senso. Poderia ir além e cortar o subsídio à exportação também. O dólar ele não vai conseguir baixar, mas o subsídio pode ser cortado.
  • Fã do Ciro Gomes  09/09/2020 20:59
    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/09/supermercados-limitam-pacote-arroz-cliente-campinas.amp

    PARABÉNS, PAULO GUEDES. ÓTIMO TRABALHO.
  • Leandro  10/09/2020 01:02
    Foram brincar de pós-keynesianismo e de Teoria Monetária Moderna, e agora estão estranhando as consequências.

    Quem poderia imaginar que imprimir moeda a rodo, colocar juros reais negativos (menores que os da Suíça) e desvalorizar o câmbio geraria carestia, né?
  • Imperion  10/09/2020 02:09
    Um ditado: a pessoa cria o proprio inferno e depois culpa o diabo.
  • Felipe  10/09/2020 13:45
    Fenômeno similar tivemos em 2015, não é?

    Agora um monte de gente repete igual papagaio colocando a culpa exclusivamente nos lockdowns e nos donos de supermercado. A equipe econômica fica sem culpa alguma. Os lockdowns estão aqui desde março e os supermercados não pararam de funcionar (até teve contratações aqui na cidade onde moro), então não faz sentido.

    Interessante que, nesse período, a produção cresceu e as exportações aumentaram. Então na prática eles aumentaram a produção para atender à exportação.

    Alguém precisa distribuir aqueles livrinhos de moeda que o Steve Hanke fez, porque ainda não aprenderam que câmbio desvalorizado só dá problema. Sorte a dos peruanos e equatorianos, que possuem moeda ainda forte. Os preços ao produtor no Peru quase não se alteraram.. Se pegar inflação de alimentos, os peruanos estão melhores até do que os americanos, apesar dos juros negativos. Bolívia também está mais civilizada.

    Faltar comida como na Venezuela não vai (pelo menos o governo quer zerar tarifas de importação de alimentos), mas seremos forçados a conviver com essa carestia. Poderia agora ser o Lula querendo proibir exportações, embora eu ache que o Lula tenda a ser mais pragmático.

    Meirelles pode ter vários defeitos (como ele ter enfiado aquele aumento de imposto nos combustíveis e falado que "imprimir dinheiro que não geraria inflação"), mas ele pelo menos não destruiu a moeda. Chame-o, Bolsonaro.
  • Felipe  10/09/2020 13:51
    Esqueci de perguntar: a inflação de alimentos subiu mais quase no mundo inteiro. Isso se deveu à maior procura por alimentos, com mais pessoas querendo fazer estocagem, com o pânico causado pelo coronavírus? Quais seriam os outros motivos?
  • Vladimir  10/09/2020 14:12
    Lá fora, indústrias de processamento foram fechadas por causa do vírus. Nos EUA, em abril, houve o risco de faltar carne de porco. As granjas estavam funcionando normalmente, mas os frigoríficos fecharam.

    E aí ocorreu algo bizarro: o preço do suíno nas granjas (preços aos produtores) desabaram, pois os frigoríficos (fechados) não estavam comprando. Mas os preços da carne suína nos supermercados dispararam, pois não havia oferta.

    Ou seja, na ponta produtora, oferta excessiva. Na ponta do varejo, desabastecimento. E isso simplesmente porque o intermediário fechou.

    Uma simples fábrica fechada (frigoríficos) destruiu toda a cadeia. Isso ocorreu em vários países. Mas já foi normalizado.

    Agora, façanha mesmo é o que está acontecendo aqui: somos os maiores produtores mundiais de alimentos, a produção no campo não parou nem um único dia (ao contrário: a safra é recorde), mas estamos vivenciando um desabastecimento interno causado por uma política monetária e cambial ultra-heterodoxa. Coisa de profissional.


    P.S.: alguém viu na imprensa uma única crítica ao Banco Central e sua política de juros? Como eu já disse, este é o BC mais incensado da história. Bizarro.
  • Felipe  10/09/2020 14:40
    Isso nos EUA até fiquei sabendo e virou piada até.
  • Imperion  10/09/2020 20:24
    Também ocorreu aumento por estocagem. Já esperavam inflação, compraram pra estocar, revender. Tudo isso devido ao pânico espalhado por essa doencinha fraca.

    Mas quando no futuro realmente aparecer uma doença de verdade que derrube a humanidade, vai ter mesmo uma super corrida por estocagem. Pois quem estocar vai viver mais tempo. Quem não, vai morrer, se houver quebra na produção de alimentos.

    Dizem que foi assim que o império maia ou asteca acabou. Fome generalizada porque a terra não produzia mais. Os ricos estocaram e os pobre começaram a morrer.

    Depois vieram os sacrifícios humano pra apaziguar os deuses. Muito pobre querendo morrer motivo religioso pra garantir algum pra família. Quem migrou se deu bem, pois fora ainda tinha regiões produtoras.

    Fico vendo num futuro distante aparecer uma doença de verdade e os da cidade invadir as propriedades rurais pra roubar alimentos.
  • Patrick  09/09/2020 22:31
    Que lindo, Paulo Guedes defendendo aumento do teto salarial de funcionário publico.

    g1.globo.com/politica/noticia/2020/09/09/guedes-defende-aumento-do-teto-salarial-do-funcionalismo-publico-para-valorizar-a-meritocracia.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1

    O pior de tudo é que o Guedes ta sujando a imagem do liberalismo de um jeito inimaginável. O homem simplesmente abandonou tudo o que aprendeu em chicago.
  • anônimo  10/09/2020 18:48
    O que diabos aconteceu com esse velho gaga?
  • Dorval Uber  09/09/2020 23:26
    Nem precisa se espelhar na Venezuela, nós também temos nossos especialistas ,vide governo Sarnei que laçava boi no pasto e a Globo apoiava os teatros do governo.
  • Mário Henrique Seixas Filho  10/09/2020 17:44
    E que tal se o governo passasse a tributar a exportação do arroz? Isso resolveria o problema?
  • Leandro  10/09/2020 17:51
    Tal medida iria apenas reduzir a produção, exatamente o oposto do que se quer.

    Imagine que você é um agricultor. Você está produzindo para mandar pra fora, pois, ao exportar, você ganha dólares, que é uma moeda forte. É muito melhor produzir para vender para estrangeiros ricos que pagam em dólar do que vender para o populacho que paga em reais.

    Se as exportações começarem a ser tributas com o intuito de serem restringidas, você, obviamente, não continuará produzindo o mesmo tanto para agora vender apenas para o populacho em troca de reais. Se você fizer isso, você estará pagando para trabalhar e produzir (você estará produzindo o mesmo tanto, mas ganhando muito menos; na prática, seu custo de produção aumentou).

    Logo, você obviamente irá reduzir sua produção até o ponto em que a redução da oferta aumente os preços e lhe traga uma receita satisfatória.

    Ou seja, trata-se de uma medida que, ao contrário do que se almeja, reduz a oferta de arroz produzido. E isso não é condizente com preços menores.

    Não tem mágica, meu caro. Não tem truques. Não existe soluções simplórias. E muito menos a solução está no autoritarismo (sua media é autoritária, pois advoga a imposição de uma coerção estatal com o intuito de obrigar alguém a fazer algo que ele voluntariamente não quer).

    A solução é uma só e é a mesma que este Instituto repete dia sim, dia também: fortalecer o real; fazer com que o real seja uma moeda tão demandada quanto o dólar. Se o real fosse forte, ninguém pensaria em exportar em vez de vender para o mercado interno.

    Em termos práticos, a solução é abolir de vez essa atual e insana política monetária ultra-heterodoxa e de juros reais negativos menores que os da Suíça, a qual é a responsável por tudo.

    Sem isso, nada feito.
  • Guilherme  10/09/2020 19:17
    O governo da Argentina fez exatamente isso. Aumentou as retenciones sobre os produtores de trigo e soja.

    www.canalrural.com.br/sites-e-especiais/projeto-soja-brasil/argentina-aumentara-imposto-sobre-a-soja-e-produtores-podem-fazer-greve/

    E o resultado foi uma maravilha:

    revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/noticia/2020/06/argentina-termina-colheita-da-soja-com-producao-10-menor-na-safra-20192020.html

    www.udop.com.br/noticia/2020/05/20/argentina-ve-complexo-de-soja-comprometido-pela-desvalorizacao-cambial-logistica-e-coronavirus.html

    Aliás, é a primeira vez que leio essa bizarra teoria de que aumentar impostos irá aumentar a oferta de produtos no mercado. Nem mesmo marxistas e keynesianos acreditam nisso. É a mesmíssima lógica de dizer que aumentar impostos sobre o cigarro irá aumentar a produção de cigarros e irá barateá-los.
  • 4lex5andro  11/09/2020 16:29
    Negativo.

    Felizmente, não só a equipe econômica não aumentou/criou mais tributos, como zerou as tarifas de importação do cereal até o fim de 2020.

    Mas é um paliativo, o ideal era o Real estar melhor precificado como moeda, coisa que a equipe do atual governo ainda não atentou pra isso, pelo jeito.

    Quem sabe dessa vez.
    E com as reformas tributária e administrativa aprovadas, a moeda nacional se valorize um pouco.
  • Matheus  11/09/2020 00:13
    Quando li "As Seis Lições" (esse artigo em específico), foi tudo tão obviamente claro que pensei comigo "meu Deus, temos um novo evangelho aqui!"

    Se o Brasil produz grãos em quantidade recorde (era o começo do governo Dilma, e sempre tinha propaganda na TV), pensei comigo, era só tirar os impostos que deixavam a comida mais cara, que todo mundo ganhava: o produtor por poder vender ainda mais, o povo por poder comprar ainda mais comida e a tendência é que ficasse ainda mais barato.

    Pensei ainda, que isso iria ajudar o povo da minha quebrada, pois, ia sobrar mais grana pro churrasco e ainda poderia sobrar grana pra investir num cursinho ou ensino técnico pra num futuro o povo ainda ter mais grana, e assim, mais coisas pra comprar e conforto.

    Mas a experiência acabou me mostrando que das duas, uma: os governantes não leram "As seis lições", ou eles não queriam saber de nada disso.

    Torci muito (e até militei muito) pensando que era a primeira opção, mas infelizmente era a segunda ''/
  • Felipe  11/09/2020 14:45
    "Arroz está caro por culpa dos lockdowns."

    Então eu gostaria que me explicassem isso:

    - Aumento de 823% nas exportações de arroz entre junho de 2019 e junho de 2020. Agora passando de julho de 2019 a julho de 2020, aumento de 242%;
    - Em julho houve aumento de 1108% nas exportações de arroz. Em agosto, aumento de 93%;
    - Preço internacional do arroz despencou após 1 º de junho;

    Gostaria de saber as explicações para isso.
  • anônimo  11/09/2020 14:59
    E esse aumento da diferença do IPC-BR para o IPCA? Ambos usam a mesma cesta de produtos, com a diferença que um é calculado pela FGV e o outro pelo IBGE, a diferença estava relativamente estável até 2020
    Estamos virando a argentina e manipulando dados?
    i.imgur.com/llEn8Un.jpg
  • Felipe  11/09/2020 15:35
    Não, os dados não estão sendo manipulados. É que o IPCA engloba itens que não sofreram grande inflação nesse período de lockdown, como passagens de avião e mensalidade escolar. Alguns setores reprimidos que contam no cálculo não sofreram inflação.

    O problema é que o BCB se preocupa só com isso. Então, ao passo que tivemos um aumento pornográfico no índice de preços ao produtor (com recorde histórico de mais de 20%), o IPCA continua comportado já que também há o fato de que é impossível repassar os preços na totalidade.
  • Guilherme  11/09/2020 15:40
    Ainda é cedo para tais acusações (e, convenhamos, burocratas do IBGE não têm incentivos para ocultar a inflação, mesmo porque, com inflação mais alta, eles podem pleitear reajustes). Vejamos o futuro.

    O que é bastante claro — e isso é uma tendência mundial — é que a atual cesta de consumo que o IBGE utiliza como padrão não serve mais. Mensalidades escolares têm um grande peso, mas as escolas estão fechadas e quase todos os pais pararam de pagar. Passagens aéreas caíram forte, mas poucos estão voando. Vestuário barateou, mas ninguém está comprando, pois as lojas estavam fechadas.

    Ou seja, virou uma cesta fictícia.
  • Thiago  11/09/2020 15:52
    Não sei se teria a ver, mas o IBGE estava coletando os preços à distância por causa da pandemia.

    Mas que essa inflação do IBGE está estranha, a isso tá. Mesmo com a demanda reprimida não faz sentido a inflação estar na casa dos 2% (o peso líquido dos produtos está diminuindo, inflação escondida) com esse juros negativos e essa moeda destroçada.

    Onde tem as informações de quebradeira de CNPJ? O atual deve estar dando inveja na Dilma.
  • Felipe  11/09/2020 15:48
    Para quem quiser refrescar a memória, vejam essa entrevista de 2010 do Meirelles para The Economist. Ela já revela porque o Lula foi reeleito e a aprovação dele entre os mais pobres subiu.

    E aproveitando, vejam só que irônico esse tuíte do Lula:

    "Sempre lembro da minha felicidade quando era presidente e alguém me falava que o preço do Tio João tinha baixado...

    - "Ô Lula, você viu que o arroz tá 8 reais?!"

    Nossa como eu ficava feliz.

    O povo precisa ter dinheiro pra comprar comida."


    Claro que o arroz ficou mais acessível... o real ficou cada vez mais forte e a economia brasileira cresceu consideravelmente no período. Mas ele infelizmente não aproveitou esse momento bom para fazer reformas estruturais e preferiu bombar os bancos estatais com crédito (por isso que a inflação no período era mais alta do que no governo Temer). E pagamos o preço até hoje.

    Bolsonaro poderia sim usar um discurso "populista" em prol de uma moeda forte, usando algo como "Moeda forte é bom para o trabalhador brasileiro, para você dona de casa, para você que tem uma pequena quitanda e para você que tem uma pequena indústria, pois o nosso custo de vida cai."
  • Andre  11/09/2020 21:12
    Bolsonaro não entende nada de coisa alguma, e pra piorar escolheu uma equipe econômica chicaguista que acha que preço de dólar é tão relevante quanto preço de tomate.
  • Guilherme  13/09/2020 17:49
    Surpresa!!!

    Produtos somem das lojas na Argentina após congelamento

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/09/produtos-somem-das-lojas-na-argentina-apos-congelamento.shtml

    E olha que é a Folha, hein? Se chegou ao ponto de a própria Folha estar tendo de falar disso, então é porque a situação real deve estar muito pior...
  • Jojo  13/09/2020 18:29
    Como é bom ter um presidente...
  • Imperion  13/09/2020 19:47
    Jornais só comentam pra ter polêmica, como se o congelamento fosse bom. Não mostram o lado contrário. Daí quando vem o resultado eles mostram. Se mostrassem antes, e a opinião pública se mostrasse contra, e não tivesse o congelamento, não teriam a noticia.

    O negócio dele é ficar em cima do muro. Poucos veem que eles conduzem as notícias. 
  • Felipe  14/09/2020 17:21
    No meio de tanta insanidade, eis uma boa medida para nós:

    "Contran proíbe radares móveis e fixos escondidos a partir de novembro"

    Sinceramente e sendo até estatista, com esse tanto de multa que é "arrecadado" por radares acho que até daria para pavimentar o Brasil com rodovias alemãs, ou estou exagerando? Para onde esse dinheiro todo vai?

    Na Flórida eu sei que as cidades possuem controle mais rígido de velocidade (em bairros residenciais inclusive), ao passo que em rodovias é mais flexibilizado. Se não me engano lá os radares são só com policiais presentes.

    Bolsonaro vai ser reeleito na moleza. Agora ele tem que "cuidar" da moeda.
  • Rinaldo Lucas  25/09/2020 10:57
    O Governo Sarney foi um exemplo clássico do controle de preços , chegou um momento que não tínhamos nada nas prateleiras do supermercado, faltava leite , carne, pão , foi um momento difícil na vida dos brasileiros .


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