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Questão de lógica: você não teme a automação (e nem a reforma da previdência); você teme a inflação
Com uma moeda estável, seu futuro seria muito menos incerto

Um temor bastante recorrente na atualidade é o de que um eventual aumento na automação causará desemprego em massa e, consequentemente, a situação financeira futura das pessoas será pior.

Sejamos claros e diretos: não é a automação o que assusta as pessoas, mas sim a inflação — isto é, a perda do poder de compra da moeda.

Isso pode parecer estranho à primeira vista, mas a realidade é que a promessa de um futuro bastante automatizado — com as máquinas substituindo grande parte do esforço físico humano — só pode ser vista como uma ameaça porque as atuais moedas mundiais são fundamentalmente inflacionárias.

Como era antes e como é hoje

Até o início do século XX, quando o mundo utilizava o ouro como moeda, os preços de bens e serviços caíam ano após ano: por exemplo, de 1814 a 1913, nos EUA, os preços caíram em média 0,58% ao ano, o que significa que algo que custava $100 em 1814 passou a custar $56 em 1913, ano da criação do Federal Reserve. Neste mesmo período, o PIB real cresceu 4% ao ano (de $14,43 bilhões para $680 bilhões).

No Reino Unido, similarmente, no mesmo período, os preços caíram 0,34% ao ano, e o PIB real cresceu 2,12% ao ano.

Hoje, infelizmente, a realidade é inversa: os preços aumentam ano após ano, e o crescimento econômico se tornou, na melhor das hipóteses, intermitente.

Ou seja, já incorporamos a idéia de que, no futuro, o poder de compra de cada unidade monetária será inevitavelmente menor do que é hoje. E é aí que residem nossos temores.

No mundo atual, quem simplesmente trabalha e poupa verá o poder de compra do seu dinheiro guardado diminuir ao longo do tempo. Mas este não é o estado natural das coisas, como hoje pressupomos. Trata-se de um fenômeno que foi artificialmente criado. A razão pela qual os preços tendem a aumentar é que o dinheiro perde seu poder de compra em decorrência de medidas criadas por políticos e burocratas. (Veja aqui e aqui como ocorre no Brasil).

Apenas pergunte a si próprio: mais inovações, concorrência e competição não deveriam significar, por definição, que estamos nos tornando mais produtivos e, consequentemente, capazes de obter os mesmos benefícios (bens e serviços) por custos menores? Isso é exatamente o que ocorre em algumas indústrias de alta tecnologia (smartphones, tablets, notebooks, televisões etc.). Onde há um genuíno livre mercado, com empresas privadas produzindo e concorrendo entre si em busca de consumidores, os preços caem.

O motivo por que a quantidade de dinheiro necessária para comprar um item aumenta é simplesmente porque a quantidade de dinheiro em circulação está aumentando a um ritmo maior do que o aumento da produtividade. Os preços sobem porque o sistema bancário, em conjunto com os bancos centrais controlados pelos governos, está continuamente criando dinheiro. Os preços dos bens e serviços simplesmente se ajustam a este dinheiro adicional em circulação.

Em outras palavras, os sistemas de metas de inflação implantados pelos bancos centrais nada mais são do que metas de se criar dinheiro a uma taxa que supere os ganhos de produtividade. Exemplo: se um Banco Central diz que sua meta de inflação é de 4%, seu objetivo é criar dinheiro a uma taxa que supere os ganhos de produtividade em quatro pontos percentuais a cada ano.

E uma taxa de aumento de preços de 4% ao ano significa que, daqui a 30 anos, os preços estarão, em média, 3,25 vezes maiores. Ou seja, um indivíduo terá de ter uma renda nominal 3,25 vezes maior (terá de mais do que triplicar seu salário) apenas para manter seu padrão de vida.

Consequências

E o que isso significa para a automação?

A inflação faz com que seja imensamente difícil para o cidadão comum poupar dinheiro visando à aposentadoria. Praticamente impossibilita o objetivo de acumular fundos que durem para o resto da vida. Praticamente impossibilita o objetivo de utilizar essa poupança para reduzir seu tempo de trabalho.

Consequentemente, para que a poupança do cidadão comum não perca poder de compra ao longo do tempo, ele terá de continuamente investi-la no mercado financeiro, o que significa que ele corre o risco de perder o que já tem.

Neste cenário, a conclusão é óbvia: perder o emprego — ou seja, perder sua fonte de renda — se torna um enorme problema, independentemente de você ter ou não uma poupança. Logo, a ausência de um emprego em um eventual futuro em que as máquinas poderão fazer todo o trabalho físico (ou, quem sabe, até mesmo os trabalhos mentais) se torna uma temível ameaça.

Em termos puramente econômicos, é claro, a automação não é uma ameaça, mas sim uma oportunidade. As máquinas, historicamente, sempre nos libertaram do fardo do trabalho pesado, monótono, perigoso, estafante e, por que não?, emburrecedor. As máquinas nos possibilitaram "terceirizar" para elas o trabalho extenuante para que pudéssemos nos dedicar a outros afazeres e a novos empreendimentos. Isso se traduziu em um espetacular aumento em nossa riqueza e em nosso padrão de vida.

E como elas reduzem nossa necessidade de trabalhar exaustivamente ao mesmo tempo em que aumentam nossa produtividade (podemos produzir mais com menos esforço e com menos custos), os preços teriam de cair ainda mais rapidamente. Logo, nossos salários deveriam durar muito mais.

Porém, em um mundo de moedas inflacionárias, isso parece impossível, pois a percepção é a de que devemos trabalhar cada vez mais horas apenas para conseguir manter nosso padrão de vida.

Afinal, se a cada ano, o poder de compra da moeda cai entre 3 e 5%, isso significa que temos de aumentar nossa renda nominal neste mesmo valor apenas para conseguirmos comprar os mesmos bens e serviços de antes com nosso salário.

Ou, colocando de outra forma, imagine como seria se você nunca tivesse um aumento salarial: seu padrão de vida iria cair anualmente em decorrência do aumento de preços causado pela inflação monetária.

Esta perda anual no poder de compra, comparada ao aumento no poder de compra que deveríamos ter em decorrência do aumento da produtividade, é subtraída de nós pela inflação. Caso tivéssemos uma moeda sólida e estável, os preços cairiam anualmente, pois estaríamos sendo beneficiados pelo comprovado aumento de produtividade causado pela maior automação.

E é exatamente esta realidade da perda do poder de compra causada pela inflação que faz com que um futuro de ampla automação pareça uma ameaça.

Por que temer?

Mesmo com uma moeda fiduciária propositalmente inflacionária, os preços de vários bens de consumo — que inicialmente eram de luxo e hoje se popularizaram — desabaram. Os preços de utensílios domésticos como fogão, geladeira, televisão e todos os tipos de sistemas de entretenimento doméstico, lava-louças, churrasqueiras, microondas, forno elétrico, panelas especiais, torradeiras, esteiras de ginástica, aspiradores de pó, vários tipos de roupas etc. caíram 81% entre 1960 e 2013 em termos de horas de trabalho necessárias para adquirir a renda para comprar esses itens.

Já os preços de vários serviços que também eram luxo — comunicação e informação — não apenas desabaram, como caíram para zero. 

Esta é uma característica intrínseca do capitalismo: em setores em que há  livre concorrência, e pouca ou nenhuma regulação, os preços reais tendem a cair. E tendem a cair porque capitalistas visando ao lucro fazem contínuos investimentos com o objetivo de produzir mais por menos. Caso não o façam, perdem mercado para a concorrência.

Mas, infelizmente, trata-se de um fenômeno localizado. Para outros setores, como saúde, educação, habitação, energia elétrica, saneamento, infra-estrutura etc., que são amplamente regulados, os preços tendem a subir muito em termos reais. [Veja números impressionantes para o Brasil].

Se tivéssemos uma moeda sólida e estável — ou seja, um arranjo no qual nos beneficiaríamos totalmente de nosso aumento de produtividade (individual e coletivo) —, a automação significaria simplesmente que poderíamos trabalhar menos ao mesmo tempo em que temos mais tempo para usufruir um maior padrão de vida — pois todos os preços iriam consistentemente cair, e provavelmente a um ritmo crescente.

Mais ainda (e isso é algo de que poucos se dão conta): sem um dinheiro inflacionário, nem sequer haveria a necessidade de constantes reformas do sistema previdenciário. Dado que a moeda ganha poder de compra com o tempo, os infindáveis debates sobre a reforma da previdência virariam mera curiosidade masoquista.

Como isso pode ser temido?

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Leia também:

As bênçãos de uma deflação de preços

A automação de empregos: é assim que uma sociedade progride

A automação e os robôs não causam desemprego; quem causa são os políticos

O que realmente faz com que os preços subam continuamente? Eis a explicação para o Brasil



autor

Per Bylund

foi consultor de negócios na Suécia, é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e é professor de Empreendedorismo e Livre Iniciativa na Escola de Empreendedorismo da Oklahoma State University.




  • Socram Suiciniv  08/07/2019 17:31
    Tenho 20 anos, então desde já estou buscando me educar financeiramente para começar a investir no mercado financeiro. temo pela minha estabilidade financeira, nunca se sabe como será o dia de amanhã. Esta página tem me ajudado com os conhecimentos necessários.
  • Lucas Lopes  08/07/2019 17:37
    Boa sorte. Você precisará. Quem não souber investir e quem não se dedicar com muito afinco aos investimentos, não só não irá se aposentar (nunca haverá um sistema previdenciário público satisfatório, por melhor que sejam as eventuais futuras reformas), como ainda irá passar aperto no futuro quando for inevitavelmente substituído por uma máquina mais produtiva.
  • Usaky  10/07/2019 18:26
    A única moeda estável que pode combater essa ciclo maldito dos governos para se beneficia-se da inflação é Bitcoin que colocara um fim nisso ou pelo menos atrapalhar um pouco planos malignos das máquina estatal parasita mundial.
  • Marcos Roberto Schneider  16/10/2020 16:55
    moeda? estável?
  • 4lex5andro  15/09/2020 12:47
    Compre ouro.
    Ou, no mínimo, invista nele.
  • Humberto  08/07/2019 17:37
    A meta para a inflação no Brasil é de 4%.

    Isso nada mais é do que o Banco Central abertamente dizendo que vai trabalhar para que sua qualidade de vida se deteriore 4% ao ano.
  • Antonio Jose  08/07/2019 18:24
    O Raphael do canal Idéias Radicias teve uma sacaa genial uma vez. Meta de inflação nada mais é que meta de roubo, o governo estabelece a meta de que você será roubado em até 4%.
  • Alex Ranauro  12/01/2020 22:41
    Não. Rouba mais de 4%, porque ele também te rouba o aumento de produtividade. Se o produto custava 100 e agora custa 104, mas custaria 98 se não fosse a impressão da moeda, então o governo te roubou 6,12%.
  • Antonio Jose  08/07/2019 18:39
    Quanto ao trabalhar menos aqui no Brasil tem um problema legal que dificulta ou mesmo impede isso, o fato de ganharmos por mês e não por hora trabalhada. Se o empregador tiver de pagar a mesma coisa se o empregado trabalhar 8 horas ou 6 horas porque deixaria trabalhar por menos? Teríamos de mudar o sistema legal para salários por hora.
  • Michel  13/01/2020 05:04
    Salários por hora ajudaria muito, porém melhor seria se não tivesse qualquer regulação. Quem sabe um dia...
  • Flávio Ribeiro Gomes  08/07/2019 17:52
    Bons pontos. Realmente, parando pra pensar bem, todas as incertezas em relação ao futuro nada mais são do que incertezas quanto ao seu poder de compra. Se você tivesse a certeza de que tudo no futuro estaria mais barato, seus temores quanto a desemprego e saúde seriam muito menores.

    Sabendo que sua renda hoje poderá comprar muito mais coisa no futuro do que compra hoje, você já teria imediatamente uma qualidade de vida muito maior. Temores, ansiedades e até mesmo depressões e transtornos mentais seriam bem menores.

    Aliás, é curioso que esse tipo de doença (como enfartes) eram bem menos corriqueiros em termos per capita no início do século XX. Há quem diga que o problema está na alimentação, que mudou para pior de lá para cá. Pode até ser. Mas a questão da economia não pode ser ignorada. Naquela época, inflação era coisa rara. Hoje é corriqueira. Seria interessante mais pesquisas sobre isso.
  • Caio  08/07/2019 18:24
    Também já pensei nisso, mas nunca consegui encontrar nenhum material profundo a repeito.
  • Pensador crit%C3%83%C2%ADco  10/07/2019 20:59
    "Para morrer basta estar vivo",ditado antigo e verdadeiro,mas que o estado com sua inflação, incertezas,crises, flagelos e guerras aumentaram a incidência de enfarte e estresse na sociedade dita moderna é fato consumado,todo médico recomenda viver tranquilo e com dieta saudável,mas isto só é possível em um ambiente inflacionário para quem tem altas rendas e\ou participa da corrupção e parasitismo estatal e os grandes empresários apesar de sua alta renda vivem morrendo de infarto e câncer,tais estatísticas podem ser comprovadas por pesquisas de grandes universidades dos países ditos desenvolvidos(Na realidade organizado(Apesar de sua burocracia),ao contrário dos países pobres(Desorganizados com sua burocracia)),portanto inflação e suas incertezas matam sim pessoas honestas e pacificas.
  • Guilherme - Quito Ecuador  08/07/2019 18:31
    Nessa época aí as pessoas morriam de tuberculose, cólera ou de um simples corte infeccionado antes de terem a oportunidade de morrerem de infarte.

  • Guilherme - Quito Ecuador  08/07/2019 18:37
    Aqui no Ecuador a inflação gira na casa do 0% anualmente há um bom tempo e é bem comum as pessoas terem aumentos de 10 e 15 dólares em seus salários e ficarem felizes.
  • Régis  08/07/2019 18:45
    Sim, a moeda aí é o dólar. Longe de ser o ideal, mas muito melhor do que qualquer moeda latino-americana.


    P.S.: era você que morava na Argentina, né? O que está achando da mudança para Quito, melhor, pior ou a mesma?
  • Guilherme - Quito Ecuador  08/07/2019 19:05
    Sim antes estava em B.A. Em geral a mudança foi pra melhor, entre os pontos positivos são a estabilidade econômica do país para padrões latino americanos, o ambiente social é muito menos insalubre e o clima é perfeito.

    Tem empates como a segurança que é quase igual, a beleza da cidade que dispõe de um centro histórico gigante e perfeitamente preservado, a natureza ao redor de Quito é simplesmente deslumbrante e o transporte, recentemente foi inaugurado um moderno metrô que cobre quase toda a cidade, passagem US$0,45.

    O que piorou para mim foi a perda de viver numa metrópole super conectada e agitada, a oferta cultural é bem minguada por aqui e transporte aéreo que é caríssimo, um voo ida-volta low cost bem planejado B.A. Mendoza sai por uns 160 reais ou B.A. Ushuaia pode se conseguir por 320 reais, e agora um simples vôo de 45min Quito - Guayaquil onde tem praias custa pelos 500 reais.

    Como andam as coisas aí no Brasil? Mas não as do noticiário, o clima em geral das pessoas e as impressões do novo governo.

  • Régis  08/07/2019 19:25
    Deu uma melhorada. Eu sempre falei que no Brasil, sempre que possível, você tem de morar no interior. As capitais e as grandes cidades são barris de pólvora (a mentalidade da esquerda universitária revolucionária ainda é forte), ao passo que no interior há um maior conservadorismo, mais segurança e um maior laço entre as pessoas. E o custo de vida é bem tolerável (moro no interior do ES).

    O maior problema era o preço da gasolina, mas este caiu forte ultimamente porque o real se valorizou. Parece que, por causa disso, começou a haver uma tímida reação econômica. Com a reforma da previdência aprovada, as atenções se voltam para a tributária. Esta, em conjunto com a MP da liberdade econômica, tem tudo para fazer a economia dar uma deslanchada. A grande preocupação fica sendo cenário externo.

    Em suma, já estivemos piores.
  • Juliano  08/07/2019 22:28
    E hoje teve nova redução na gasolina e no diesel.

    www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/precos-de-venda-as-distribuidoras/gasolina-e-diesel/

    As maravilhas de uma moeda (um pouco mais) forte.
  • Vicente  10/07/2019 19:03
    Argentina tem empresa aérea low fare de verdade, isso está correto? Alguém pode confirmar por favor?
  • Felipe  10/07/2019 19:11
    Sim. Alas del Sur, American Jet, Andes Líneas Aéreas e FlyBondi.
  • Andre  09/07/2019 02:16
    15 dólares de aumento salarial no Brasil são menos de 60 reais, mesmo quem ganha salário mínimo por aqui esperaria mais e um profissional qualificado encararia tal aumento como ofensa, mas já tive a sorte de viver em um país barato onde 15 dólares a mais VALEM a pena serem recebidos. Realmente nada como moeda forte para que os pobres sejam menos pobres.
  • Ninguem Apenas  08/07/2019 22:29
    Também gostaria de encontrar um material que explorasse esse assunto mais a fundo, seria excelente.
  • Stalinmarquisson da Silva  17/07/2019 06:53
    A causa dos infartos e outras doenças pode estar ligada à outra coisa: tratamento de canal.

    Deem uma olhada nesse video, bem interessante:

    www.youtube.com/watch?v=QXEusYlPVW0
  • Trader  08/07/2019 18:24
    Uma moeda-commodity, que é o que o mundo sempre usou, gera uma deflação lenta e suave ano após ano, o que permite que todos se tornem ricos no longo prazo. Por que há pessoas contra esse arranjo (padrão-ouro, ou, no mínimo, moeda sólida) é algo que sempre me espantou.
  • Socram Suiciniv  08/07/2019 18:42
    creio que seja simples,não querem que pessoas comuns enriqueçam usando seus talentos e conhecimentos. Creio que seja um dos principais fatores.
  • Auxiliar  08/07/2019 18:52
    "Por que há pessoas contra esse arranjo (padrão-ouro, ou, no mínimo, moeda sólida) é algo que sempre me espantou."

    O principal argumento utilizado por essas pessoas é que, se os indivíduos sabem que os preços cairão continuamente, então eles irão postergar ao máximo seu consumo, esperando tudo ficar mais barato. Consequentemente, com o consumo em queda, o desemprego aumentaria e toda a economia entraria em uma permanente depressão.

    Na prática, essas pessoas estão dizendo que, entre comprar hoje ou postergar a compra em cinco anos, quando os preços estarão menores, todos optarão pela segunda alternativa.

    Em primeiro lugar, é verdade que preços em queda criam um incentivo para a poupança. Mas isso, por si só, é ótimo. Enquanto a preferência voluntária dos consumidores for pela poupança em detrimento do consumismo, isso irá criar os fundamentos para um crescimento econômico futuro. A poupança é exatamente a atitude que possibilita uma maior acumulação de capital e um maior volume de investimentos. E consumidores poupam por um motivo óbvio: para poderem gastar mais no futuro.

    Em segundo lugar, não há nenhuma evidência de que uma queda nos preços faça com que as pessoas posterguem suas compras. Se isso de fato ocorresse, ninguém jamais compraria televisões, smartphones, câmeras, notebooks e demais apetrechos eletrônicos, pois sabemos perfeitamente bem que tais itens estarão mais baratos e com ainda mais qualidade no ano que vem. O que ocorre na realidade é que as pessoas acabam comprando uma maior quantidade de todos esses itens.

    As pessoas compram coisas quando necessitam delas, e levam em consideração a tendência dos preços (afinal, ninguém pode adiar compras para sempre).

    Ademais, e isso é ainda mais importante, o ser humano sempre irá preferir ter um bem hoje a ter esse mesmo bem apenas no futuro distante. Isso é o básico da teoria da preferência temporal. Logo, sempre que possível, consumidores preferem consumir no presente. Além de você não poder postergar sua demanda por alimentos, roupas, moradia e alguns outros bens, há também o fato de que você não necessariamente irá adiar sua aquisição de um bem hoje só porque ele estará mais barato daqui a uma ano. Porque mesmo comprando-o hoje a um preço maior, você sabe que seu poder de compra será maior no futuro. E isso muda tudo.

    Se você vive em um ambiente em que os preços estão caindo, você sabe que seu poder de compra futuro será maior que o atual. Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu dinheiro estará valendo mais. Não obstante seu gasto de hoje, você terá maior poder de compra para aquisições futuras. É justamente o fato de você saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir seu consumo presente.

    Ao contrário: é até bem possível que o consumo presente possa aumentar.

    Portanto, eis o que temos em um cenário de deflação de preços: 1) ou as pessoas pouparão mais, o que será ótimo para o futuro da economia; ou 2) elas consumirão mais, o que é o exato oposto do que temem os economistas anti-deflação de preços.
  • Eduardo  08/07/2019 19:31
    Deflação só é um problema para banqueiros extremamente alavancados e para burocratas. Para todo o resto da população, é uma bonança. Banqueiros sobrealavancados temem a deflação porque ela reduz o valor de seus colaterais (as garantidas obtidas em troca de empréstimos). Burocratas temem a deflação porque ela reduz as receitas tributárias (logo, seus proventos).

    Consequentemente, estes dois grupos (politicamente muito poderosos) entram em conluio e fazem de tudo para impedir a deflação. Daí surgiram os bancos centrais.
  • Alfa BR  22/07/2019 23:51
    O que acham dessa crítica ao padrão-ouro?

    "Simples: não tem ouro no mundo que possa cobrir a conversão monetária circulante e escriturada. O padrão ouro sucumbiu, ali pelos anos trinta do XX, porque já não era prático e não era respeitado. Padrão ouro, hoje, corresponderia à paralisia da geração de riqueza, a um retrocesso produtivo ao nivel do início do seculo XX, só possível concomitante a um genocídio massivo, aquela catástrofe apocalíptica que a nova direita adora e mal vê a hora em que se consume…
    Dinheiro não é moeda (metal ou papel, ou mesmo meio de pagamento), dinheiro é uma forma de pensar. A economia ocidental se baseia não em bens (na circulação e avaliação de sua qualidade e perenidade), mas em dinheiro, na transformação de tudo em fluxo de valores ou cotações. Retornado o padrão ouro, retornaria, inclusive, a contrabando, a idéia greco-romana da escravidão humana como uma segunda reserva de valor… Estou certo que ninguém quer isso."
  • Guilherme  23/07/2019 14:25
    Muito boa. Bastante equilibrada, sensata, realista e imparcial. Escrita por alguém que claramente domina o assunto. Crítica extremamente científica e totalmente irrefutável, eu diria.


    É cada coitado...
  • Michel Davi  08/07/2019 19:20
    Ótimo artigo caro colega.

    Creio que a palavra-chave que tenha faltado neste artigo é: recursos.

    Em seus variados tipos. Matéria-prima, mão-de-obra.

    Enquanto houver demanda, haverá trabalho assim como, enquanto houver pessoas, haverá máquinas.
    As máquinas (por enquanto) não pensam como humanos e idealizam projetos como nós.

    Nós somos a capacidade de criação, a máquina de realização, mas, para realização ela necessita de pessoas.

    Será um período de adaptações e evoluções, muitos perderam seus postos, e isso será o caminho do futuro, porque estes para sobreviver terão de descobrir habilidades que talvez estejam adormecidas.

    O futuro ainda é grande para resumir em máquinas e capital.
  • Rene  08/07/2019 19:48
    A preocupação do artigo deve ser multiplicada por 5 se levarmos em consideração a realidade brasileira. Se olharmos em um cenário longo, como 30 anos no futuro (Se estamos falando de previdência, é necessário olhar longe assim): Qual é a chance de aparecer no Brasil, nos próximos 30 anos, mais um doido como a Dilma que irá arrebentar a moeda e a produtividade brasileira?
  • Imperion  09/07/2019 00:56
    É bem alta. Os liberais são minoria, enquanto que os esquerdistas estatistas e direitistas estatistas são maioria. O brasileiro em si tem mentalidade estatista. É provável que se tenha somente 25 por cento de chance de um liberal ganhar eleição, e 75 por cento de algum estatista keynasiano intervencionista de esquerda ou direita ganhar. E desses intervencionistas, é capaz de metade ser dilmista.

    É só vc ver que os três primeiro colocados na eleição não eram liberais. Todos tinham um pouco de intervencionismo no sangue. O segundo colocado Haddad teve quase um terço do eleitorado.

    Basta a preferência do eleitorado oscilar um pouco pra cima e estaríamos de novo na programação normal.
  • Jairdeladomelhorqptras  09/07/2019 14:17
    Caro Imperion,
    Ótima análise. Gostaria de mencionar a facada. Sem a facada, seria bem mais difícil Bolsonaro ganhar. Teríamos algum outro esquerdista. Talvez uma disputa entre o PT e Ciro!
    Abraços
  • Breno  12/01/2020 22:37
    Caso esse governo não obtenha êxito na economia, quase certo, assim como ocorreu com a Argentina. Mas creio que Paulo Guedes está fazendo um grande trabalho dentro do possível
  • nao me deixe ter esperança  08/07/2019 20:02
    Caros leitores o que voces acham dessa palestra?

    É para ter algum tipo de esperança que esse homem consiga fazer isso tudo que ele disse nessa palestra?

    www.youtube.com/watch?v=lSXP54B95Jg
  • Milton Friedman Cover's  09/07/2019 09:36
    Fantástico, este texto! Repito o que já escrevi em outros comentários: todos deveriam ter acesso as informações aqui presentes, no IM ( na verdade, qualquer pessoa pode ter, é só entrar aqui e ler, mas tem que saber procurar, garimpar na internet, e aí está o problema: poucas pessoas fazem isso....). Deveria ter um meio de espalhar informações daqui do Instituto Mises em outros sites, no meio dos inúmeros textos inúteis das redes sociais, WhatsApp, etc., mas é pedir muito, rs.

    Sem inflação o nosso dinheiro jamais perderia valor e todos nós poderíamos programar com tranquilidade o nosso futuro, sem medo de problemas financeiros lá na frente.

    Todos nós seríamos mais felizes, mais produtivos também, pois quem é feliz produz mais e melhor, incluindo nas relações pessoais.

    Mas querem, o governo e quem se beneficia dele, que vivamos em constante preocupação e atraso material, financeiro.

    Um dos melhores textos que já li aqui, Obrigado, IM.

    Quem sabe, com a ideia se espalhando possamos mudar esta situação um dia. Por que não? Abraços.
  • Auditor  09/07/2019 13:30
    Quem teme "inflação" é quem tem dinheiro. Questão de LÓGICA. ;)

    O povão nem chegou nesse estágio... o povo pobre NEM DINHEIRO tem.

    Como se consegue dinheiro ?
    Resposta: Com emprego

    E emprego tem pouco -> As máquinas estão roubando seus empregos;


    E os que tem emprego vão ter que trabalhar por mais tempo -> A previdência vai obrigá-los a trabalhar por mais tempo e receber menos.


    Então artigo REFUTADO com sucesso.

  • Inspetor  09/07/2019 14:11
    "Quem teme "inflação" é quem tem dinheiro. Questão de LÓGICA. ;)"

    Claro. Quem não tem dinheiro é totalmente indiferente à inflação. Para tal pessoa, pouco importa se o preço do pão é constante ao longo de anos ou se sobe 80% por dia. Não faz diferença nenhuma...

    Dica: se você vive em um país de moeda forte, uns 5 minutos de malabarismo no semáforo já garantem o suficiente para você comer o básico do dia. Já se você vive em uma Venezuela, você pode mourejar durante 15 horas por dia, e ainda assim não terá dinheiro suficiente para comprar uma coxa de frango.

    É cada coitado que despenca por aqui...

    "O povão nem chegou nesse estágio... o povo pobre NEM DINHEIRO tem."

    E como vive esse tal "povão que não tem dinheiro nenhum"? Estou curioso. Eles assaltam? Mas aí, se assaltarem, estarão por definição usando dinheiro. E aí voltamos à estaca zero. É melhor roubar uma moeda forte como o franco suíço ou uma moeda lixo como o bolívar venezuelano?

    "Como se consegue dinheiro ? Resposta: Com emprego"

    Correto.

    "E emprego tem pouco -> As máquinas estão roubando seus empregos"

    Ao contrário: nunca houve tanto emprego no mundo. Vide EUA, por exemplo, em que há recorde do número de pessoas trabalhando.

    Aliás, você vai cair de costas, mas aqui mesmo no Brasil o número de pessoas trabalhando (com e sem carteira, e como autônomo) está nas máximas históricas:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-employed-persons.png?s=brazilempper&v=201906281219a1&d1=19190101&d2=20191231

    A tecnologia simplesmente criou empregos que até então eram inimagináveis há 10 anos.

    Apenas derrotistas acham que não conseguirão fazer nada só porque há um robô montando um automóvel.

    "E os que tem emprego vão ter que trabalhar por mais tempo -> A previdência vai obrigá-los a trabalhar por mais tempo e receber menos."

    Quem não poupa e não investe realmente vai ter de fazer isso. Mas tal comportamento é totalmente opcional. Quem é frugal e investe bem já consegue se aposentar tranquilamente aos 45 anos.

    "Então artigo REFUTADO com sucesso."

    Na verdade, sua vida e sua inteligência foram refutadas com sucesso.
  • Lucas-00  09/07/2019 14:46
    É cada coitado arrogante que cai de paraquedas aqui...
  • Bovino Gadoso  09/07/2019 14:24
    Aí o governo liga a impressora de dinheiro e distribui tudo para os pobres, então todos ficam ricos, cheios da grana.
    Será que eles não ligam a impressora porque está faltando tinta, papel e energia elétrica, ou porque não gostam de "póbri" mesmo ?.
  • Rodolfo Andrello  10/07/2019 16:07
    Tenho 99% de certeza que esse Bovino Gadoso tem alguma inspiração no canal ancapsu.
  • Bovino Gadoso  11/07/2019 22:52
    Foi de lá mesmo que eu vim, mas tem outros bovinos gadosos, eu não sou o mais famoso.
    múúúúúúú
  • Antonio Jose  09/07/2019 16:29
    Esse papo de que evolução tecnológica acaba com os empregos existe desde o começo da Revolução Industrial. O mais que acontece é que alguns exemplos acabam mas são substituídos por outros melhores, como por exemplo datilógrafos substituídos por usuários de computador, condutores de charrete substituídos por motoristas, etc.
  • Igor  09/07/2019 17:11
    Dúvida estudantil:

    Por que os economistas mainstream criticam a deflação? Há algum fundamento? O que há de errado com estas criticas?
  • Régis  09/07/2019 17:40
  • Dúvida  09/07/2019 18:16
    Gente, não tem nada a ver com o artigo, mas faz algum sentido o que eles dizem? Video um pouco longo. Assistam por favor:
    m.youtube.com/watch?v=Qoo03RZIaXo
  • Dúvida  09/07/2019 19:56
    E sobre esse vídeo aqui?
    m.youtube.com/watch?v=3J-T2lW54bw
  • Renato  09/07/2019 21:40
    A inflação não é também consequência de um sistema econômico e social completamente regulamentado e burocratizado? O meu temor é esse, de viver em um Estado, como o Brasil, que nunca consiga diminuir e deixar seus cidadãos mais livre para fazer suas escolhas. Não quero viver em país parecido com a China, quero viver em país parecido com o Cingapura ou Nova Zelândia, sem dominação do Estado e de megacorporações. Recursos aqui não faltam, o que falta mesmo é pessoas que pensam da mesma forma.
  • André de Lima  10/07/2019 00:24
    Boa noite galera, tenho uma dúvida.
    Se tivéssemos um sistema onde não houvesse a impressão de moeda, o padrão ouro por exemplo, como funcionariam os juros (teclado bugado não funciona o ponto de interrogação)
    Pergunto pois, de onde viria o valor a mais que deveria ser pago por conta dos juros. Penso que se você tem uma quantidade estipulada de dinheiro na economia, sem poder imprimir mais moeda, de onde viria esse dinheiro para cobrir os juros, pergunto numa boa e agradeço as respostas dos colegas... mesmo daqueles mais esquentados de pavio mais curto e os irônicos de plantão rsrsrs, que são muitos!

    Grato.
  • Magno  10/07/2019 01:13
  • André de Lima  11/07/2019 06:23
    Obrigado.
  • André de Lima  11/07/2019 06:58
    Li o artigo e é realmente muito interessante. Só não consigo visualizar um aumento contínuo na produção ano a ano como ele descreve, é pouquíssimo provavel, acredito.
    No entanto, o simples fato de garantir que a poupança não tenha seu valor corroído já é motivo de jubilo! Contudo, não seria o real papel do banco central, garantir a estabilidade da moeda para que seja preservada a poupança (teclado bugado...)
    Por ultimo, de que forma isso poderia, hoje, ser implantado no Brasil... completamente utopico, eu sei, mas hipoteticamente, como seria feita essa implantação
  • Lucas-00  10/07/2019 13:33
    As taxas de juros são resultado da oferta e demanda da quantidade de dinheiro poupada.
    Os juros vieram antes do dinheiro impresso, e não o contrário.
  • Lucas-00  10/07/2019 13:37
    Dúvida off-topic também (falando nisso, bem que vocês podiam criar um fórum hein, se quiser eu posso ajudar usando o MyBB).
    Num ciclo econômico, de acordo com o livro do Rothbard, quando começa a crise ocorre uma deflação de preços devido à um aumento da procura pela liquidez, que é o dinheiro.
    Porém, deflação não é a diminuição da oferta monetária?
    Porque lembro de já ter visto pessoas confundindo inflação com subida de preço geral, isso não pode ser aplicado a deflação nesse caso?
    Obrigado!
  • Alberto Carlos  10/07/2019 14:00
    Deflação = redução da oferta monetária

    Inflação = aumento da oferta monetária

    Deflação de preços = redução de preços

    Inflação de preços = aumento de preços

    Falar apenas "deflação" para se referir a uma queda de preços é tecnicamente errado. O mesmo vale para "inflação", que é aumento da oferta monetária.

    Artigo inteiro sobre isso:

    A atual definição de inflação impede a adoção de políticas sensatas


    P.S.: sobre o Rothbard, ele não disse que ocorre deflação, mas sim que os preços dos bens de capital caem mais (o simplesmente passam a crescer menos) que os dos bens de consumo.

    Artigo inteiro sobre isso, aplicado ao Brasil:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2852
  • Lucas-00  10/07/2019 16:34
    Olá Alberto, obrigado pela explicação, mas Rothbard disse sim que ocorre a deflação (como redução da base monetária mesmo).
    No livro dele A Grande Depressão Americana (link aqui para o PDF), um capítulo se chama "Efeitos secundários da depressão: a contração deflacionária do crédito" (página 56), que ele fala como ocorre a deflação num ciclo econômico.
    Na verdade, agora com você que lembrei que o livro fala sobre isso e acabei de reler e tive minha dúvida respondida.
  • Guilherme  10/07/2019 17:25
    Pode sim ocorrer deflação monetária nos casos mais extremos. No Brasil mesmo ocorreu em 2015 e 2016.

    Mas isso não é a regra para toda a recessão.

    Já os preços de fato tendem a cair, mas apenas no setor de bens de capital (como também aconteceu no Brasil). Preços caírem no setor de bens de consumo é totalmente atípico.
  • Sandbrand  10/07/2019 11:45
    bom dia!

    Prezado, esse período citado nesse texto (por exemplo, de 1814 a 1913, nos EUA, os preços caíram em média...); esqueceu de mencionar que havia vida urbana, as pessoas viviam em grande parte, na zona rural, não havia pressão inflacionária, as necessidades básicas era produzido pelas próprias pessoas, portanto os preços tinham que cair. Que comparação mais fajuta.
  • Sandbrand  10/07/2019 11:52
    O capitalismo é em essência o nosso instinto predatório, pois em nome do mercado a maioria "incompetente" nesse jogo do lucro pelo lucro, deve morrer. Simples, somos o problema nesse processo, não a solução. Seria mais honesto de nossa parte se assumíssemos nossa natureza egoísta e predatória, como Adam Smith escreveu. Não há lugar pra todos nesse mercado, por isso a competição. Os recursos são escassos. Muita gente pra pouca farinha. Precisamos de uma nova guerra mundial, precisamos de Thanos.
  • Antonio Jose  10/07/2019 15:39
    Esse papo de que máquinas iriam gerar desemprego em massa existe desde o começo da Revolução Industrial com os ludistas. Se déssemos ouvido a essa gente ainda viveríamos como no século XVII.
  • Conservatário  11/07/2019 00:34
    Meio que confirmando o artigo...

    www.msn.com/pt-br/dinheiro/economia-e-negocios/brasileiros-temem-inflação-mais-do-que-serem-demitidos-diz-datafolha/ar-AAE1rf7?ocid=spartandhp
  • Askeladden  13/07/2019 12:40
    Automação é boa desde que não seja o seu emprego que será cortado. Normalmente os poucos funcionários que sobram tem seu salário triplicado.

    O fato que é impossível remar contra a correnteza e cada um vai ter que se virar nos 30.

    Inflação como foi dito é problema de gente rica.
    Pobre sempre recebe o mínimo e os sindicatos e governos aumentam os salários. Em 1994 o salário mínimo era de R$ 64.
  • Askeladden  13/07/2019 22:09
    A pergunta do milhão.
    O que fazer com este povo semi analfabeto que ficará desempregado?

    Por conta da automação devo ter demitido uns 150 funcionários, como dizem se não baixar os custo saiu do mercado.
    Eu estou bem, já o povo que ficou sem emprego.
  • Guilherme  14/07/2019 01:13
    Fanfic. Tenta em outro lugar.

    Quer dizer agora que para que um incapaz (qualquer pessoa que só sabe fazer uma atividade na vida e que não tem capacidade de aprender nenhuma outra é, por definição, um incapaz) mantenha seu emprego improdutivo, 200 milhões de habitantes devem ser privados de um padrão de vida maior.

    Joinha.

    Se o sujeito é um inútil incapaz de produzir valor para alguém -- será mesmo que ele não consegue nem mesmo recolher o lixo ou trocar uma lâmpada? Duvido --, então não há nada que possa ser feito por ele.

    A única solução será ele se encostar em alguém que esteja disposto a lhe bancar sem cobrar nenhum serviço em troca.

    Aliás, esse mesmíssimo argumento vitimista já foi seguidas vezes repetidos para todo e qualquer setor que estava se tornando obsoleto.

    "Se permitirmos o automóvel (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da indústria de charretes (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    "Se permitirmos o computador (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da indústria de máquinas de escrever (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    "Se permitirmos o trator (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da agricultura (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    E por aí vai.

    Na prática, você seria contra a abolição da figura do ascensorista. "Se deixarmos as próprias pessoas apertarem os botões nos elevadores, como vamos fazer com o desemprego dos ascensoristas?! Será uma catástrofe social!"

    Essa é a dinâmica da economia. Setores obsoletos são substituídos por setores mais eficientes (não importa em qual país estejam). E sua mão-de-obra vai junto. Com efeito, é exatamente por isso (ineficiência) que esses setores e essa mão-de-obra obsoletos são substituídos.

    Dizer que toda a economia deve ser amarrada simplesmente porque algumas pessoas perderão seus empregos é um recurso meramente emocional, sem qualquer base na lógica. Na prática, você está dizendo que tais pessoas são jumentos incapazes de qualquer adaptação na vida. Isso é até preconceituoso de sua parte.
  • Emerson Luis  30/08/2019 17:03

    "A inflação faz com que seja imensamente difícil para o cidadão comum poupar dinheiro visando à aposentadoria."

    De qualquer forma, por que o cidadão comum vai pensar em economizar para quando aposentar-se uma parte do pouco dinheiro que consegue (pouco por causa da carga tributária e burocracia) se o Estado todo mês tira uma parte do seu salário prometendo-lhe financiar sua aposentadoria?

    * * *
  • 4lex5andro  15/09/2020 12:44
    O Brasil se acostumou a níveis elevadíssimos de inflação e mesmo quase 3 décadas depois do plano real, a degeneração de valor da moeda é flagrante comparada a de países civilizados - mas é a melhor em performance, em se tratando de Br, desde 1889.

    De 1° de julho de 1994 até maio deste ano, o real acumulou inflação de 508,1%, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial do país. Em uma comparação simples, hoje 6,08 reais equivalem o que há 25 anos vinha estampado na nota de 1 real, já extinta da circulação no Brasil.

    Quer dizer, a cédula que substituiria o que representava a face de 1 real, há 26 anos, seria uma cédula com valor de face de 6 reais, praticamente.
  • Ex-carioca  10/10/2020 10:45
    E o estado brasileiro, por sua vez, criou o vício de se financiar com a inflação. É mais fácil do que fazer reformas para reduzir o estado, pois 99,99% dos brasileiros não fazem ideia da causa.



  • ed  09/10/2020 20:28
    Outra observação relacionada ao artigo é que está cada vez mais difícil formar uma família e o governo é um dos grandes dos culpados.

    Com a inflação + carga tributária + regulações que detonam a economia formar uma família está ficando cada vez mais caro e inviável.

    O próprio Leandro Roque já falou isso em uma palestra. A medida que os governos foram aumentando a carga tributária as mulheres tinham que trabalhar também para ajudar o marido a sustentar a casa e ao mesmo tempo o número de filhos por família foi sendo reduzido.

    Todo casal que conheço mesmo sendo formado e ganhando bem para os padrões brasileiros só conseguem adquirir as coisas de forma parcelada a se perder de vista. Isso não é normal. Um ap mediano e um carro mediano para a família se locomover é inviável para a imensa maioria das famílias que precisam se endividar por muitos anos para conseguir adquirir esses bens. E com uma dívida imensa ninguém poupa o que compromete o futuro.

    E sabemos que quem não poupar vai se estrepar quando estiver velho pois a previdência já está falida.
  • WMZ  09/10/2020 21:14
    Não entendo o porquê da deflação ser uma benção. Ela não desestimula o crédito ,por prejudicar os devedores, congelando, assim, a economia?

    Qual é a função do crédito: investimento e capital de giro

    Menos crédito, menos investimento e mais dificuldade contábil por causa da menor oferta de capital de giro

    Ninguém fica poupando por 50 anos para construir uma fábrica ou obter algum bem de capital
  • Vladimir  10/10/2020 00:43
    Ao contrário: deflação estimula a concessão de crédito.

    Quer coisa melhor do que emprestar dinheiro e saber que, no futuro, ele vai ter um poder de compra ainda maior do que o atual?

    Neste cenário, qualquer juro baixinho já garante um lucro adicional sobre o principal emprestado.

    Não é à toa que o período de crescimento mais prolongado nos EUA foi exatamente durante o padrão-ouro de 1865 a 1913 (quando surgiu o Fed). Questão de lógica pura.

    Agora, sim, a deflação é mais complicada para o devedor. Mas é uma benção para o credor. E para o poupador. E para o investidor que utiliza o capital próprio.

    Quem foi que determinou que um arranjo deve beneficiar apenas o devedor? Qual a moral disso?
  • WMZ  11/10/2020 21:39
    "Ao contrário: deflação estimula a concessão de crédito."

    Sim, mas a minha dúvida é se existirá dinheiro para crédito.

    Peguemos o mecanismo das reservas fracionadas. Se eu deposito 1000 e o compulsório é 25%, esses 1000 se transformarão, resumindo, em 4000, ou seja, 3000 reais só para empréstimo.

    Sem essa mágica, de onde surgirá o dinheiro que os bancos utilizarão para emprestar? Das taxas de custódia? Do capital inicial do banqueiro? De investimentos ? O dinheiro será suficiente ou o crédito será algo raro?

    "Quer coisa melhor do que emprestar dinheiro e saber que, no futuro, ele vai ter um poder de compra ainda maior do que o atual?"

    Mas a questão é se vai existir esse dinheiro em suficiência. Sem o mecanismo das reservas fracionadas, como o banco vai conseguir dinheiro-para-emprestimo? Eu só consigo imaginar algumas formas:

    1) O dinheiro-para-empréstimo surgiu antes do banco ser criado (por exemplo, o banqueiro era um industrial que decidiu se tornar banqueiro.)

    2) O dinheiro vem das taxas de custódia

    3) As pessoas investem no banco buscando uma parte dos lucros dos empréstimo

    A dúvida é, existirá esse dinheiro-para-empréstimo?

    "Neste cenário, qualquer juro baixinho já garante um lucro adicional sobre o principal emprestado."

    Ora, a oferta de crédito (que é a minha dúvida) é baixa mas a demanda é alta, por que os juros seriam pequenos?

    "Não é à toa que o período de crescimento mais prolongado nos EUA foi exatamente durante o padrão-ouro de 1865 a 1913 (quando surgiu o Fed). Questão de lógica pura."

    Mas o ouro dava conta da demanda por crédito. Agora, suponhamos que em 1865 a quantidade de ouro fosse apenas 10% daquela que existia? O arranjo daria certo?

    Mas a quantidade de ouro dava conta, a economia global era bem menor do que a atual.

    "Agora, sim, a deflação é mais complicada para o devedor. Mas é uma benção para o credor. E para o poupador. E para o investidor que utiliza o capital próprio."

    Se a benção é tão tão grande, isso não desestimula os investimentos produtivos ou o consumo?

    Vai. As pessoas depositarão mais dinheiro e esse dinheiro será emprestado, algo que responde a minha dúvida sobre a possibilidade de existir dinheiro para empréstimo, mas isso não gera um ciclo? Ora compensa mais depositar e se abster do consumo. O dinheiro poupado será emprestado e financiará os investimentos em bens de capital (fábricas, infraestrutura, etc). Ao efetuar as compras com dinheiro emprestado, o dinheiro sai do banco e volta para economia. Mas ao voltar, ou compensará mais consumir ou compensará mais poupar. Mas a pergunta é a seguinte, e se compensar mais poupar quando o investimento em bem de capital, uma indústria por exemplo, estiver pronta? Ela não sofrerá com falta de demanda e, portanto, irá falir? E a queda na demanda ocasionada por essa benção?

    "Quem foi que determinou que um arranjo deve beneficiar apenas o devedor? Qual a moral disso?"

    A moral é que parece ser impossível existir desenvolvimento num arranjo assim. Sem crédito a economia congela e existirá uma tendência cíclica.
  • Vladimir  12/10/2020 03:06
    "Sem essa mágica [reservas fracionárias], de onde surgirá o dinheiro que os bancos utilizarão para emprestar? Das taxas de custódia? Do capital inicial do banqueiro? De investimentos ? O dinheiro será suficiente ou o crédito será algo raro?"

    Isso é outro debate, e nada tem a ver com deflação, mas sim com sistema bancário.

    O dinheiro para o crédito viria da poupança genuína, ou seja, de depósitos a prazo: CDBs, LCIs, LCAs, LFs, LCs, debêntures e fundos de investimento.

    Aliás, bem parecido como já é hoje.

    "Mas a questão é se vai existir esse dinheiro em suficiência. Sem o mecanismo das reservas fracionadas, como o banco vai conseguir dinheiro-para-emprestimo?"

    Respondido acima. Chama-se mercado de capitais, cada vez mais em expansão.

    Aliás, sinceramente, eu nem entendo por que ainda dão bola para esse negócio de reservas fracionárias. É algo cada vez menos importante.

    "A dúvida é, existirá esse dinheiro-para-empréstimo?"

    Dinheiro sempre há. Em toda e qualquer circustância (até porque ele não some). A sua verdadeira pergunta é: a que preço?

    Essa é a questão.

    "Ora, a oferta de crédito (que é a minha dúvida) é baixa mas a demanda é alta, por que os juros seriam pequenos?"

    Os juros seriam pequenos exatamente por causa da (hipotética) deflação de preços. Se eu sei que, daqui a 5 anos, os preços estarão menores, eu irei cobrar juros maiores ou menores? Pense com calma.

    "Mas o ouro dava conta da demanda por crédito. Agora, suponhamos que em 1865 a quantidade de ouro fosse apenas 10% daquela que existia? O arranjo daria certo?"

    Pergunta sem nenhum sentido.

    "Se a benção é tão tão grande, isso não desestimula os investimentos produtivos ou o consumo?"

    Por quê? Por que moeda forte desestimularia investimentos produtivos e consumo? Apresente um caso coerente, lógico e sensato. Demonstre que moeda forte faria todo mundo parar de investir e consumir. Vai ser interessante…

    "Mas a pergunta é a seguinte, e se compensar mais poupar quando o investimento em bem de capital, uma indústria por exemplo, estiver pronta? Ela não sofrerá com falta de demanda e, portanto, irá falir? E a queda na demanda ocasionada por essa benção?"

    Contradição. Se a moeda é forte e houve poupança (cenário que você próprio criou), então há demanda. Por definição.

    De novo: se a moeda é forte (poder de compra alto) e as pessoas estão com renda disponível (pois pouparam), então a capacidade de consumo é extremamente elevada. É uma sociedade rica. Baixo endividamento, muita renda disponível, alta capacidade de consumo.

    É praticamente uma tautologia.

    Não há demanda, aí sim, quando houve uma bolha de crédito fácil, todo mundo se endividou, os juros subiram e aí todo mundo quebrou. Neste cenário, não há poupança, não há renda disponível e os preços subiram (em decorrência do boom causado pela expansão artificial do crédito).

    Aí sim não haverá demanda. Toda a TACE é sobre isso.

    "A moral é que parece ser impossível existir desenvolvimento num arranjo assim. Sem crédito a economia congela e existirá uma tendência cíclica."

    Quem está defendendo a extinção do crédito? Acho, sinceramente, que você não entendeu absolutamente nada do que está sendo discutido.
  • Imperion  12/10/2020 14:33
    Quem disse que crédito (que é fabricação de dinheiro falso, gerando a trapaça do dinheiro) é bom? Ao dar crédito pra todo mundo, vc gera inflação, as pessoas se acostumam a gastar o que não têm, inflaciona os bens da sociedade, e como não tem almoço grátis, alguém paga (é roubado no processo).

    E é todo esse processo que realmente produz os problemas da nossa sociedade e impede este país de ser um desenvolvido.

    O crédito não é a solução para os nossos problemas econômicos. Ele é o problema. Economia não é sobre credito. É sobre bens e serviços produzidos.

    Se houver gente produzindo, haverá economia. Não se come dinheiro, nem moeda, nem crédito. Consome-se bens e serviços. Mas estes têm que ser produzidos.

    O crédito mata este sistema. As pessoas pensam que com muito dinheiro vão poder consumir tudo o que quiserem. Nada mais falso. Isso só funciona se somente uma minoria receber muito dinheiro, e este for tirado da maioria.

    Funciona só pra quem recebeu. Mas não funciona pra quem não recebeu.

    Também não funciona dar crédito a todos. Quem vai pagar? Todo mundo com crédito pra gastar, ninguém vai produzir e este dinheiro-credito não vai valer nada.

    Por isso não dão crédito a todos e nunca darão. Eles sabem disso. Crédito é só pra os privilegiados.

    Eles recebem o crédito, vc paga. Mesmo que receba uma esmola em troca, vc paga 10, recebe um. Não compensa pra todos.

    E excesso de dinheiro e crédito não faz as pessoas produzirem mais. Senão não haveria inflação. Você já viu dobrar o dinheiro da economia e o PIB dobrar?

    Sempre aumenta o dinheiro e continuamos com crescimentos de 2 por cento. É a inflação que sobe sempre, não o PIB (bens e serviços).

    Por outro lado, cortemos o crédito, e eliminemos essa trapaça falsidade do dinheiro. De onde as pessoas conseguiriam o dinheiro?

    Conseguiriam de maneira "honesta", produzindo bens e serviços. Pois são os bens e serviços a base real da economia. Quem não trabalha não come.

    Quem recebe sem trabalhar só consegue roubando, mesmo que seja o governo roubando pra dar a ela (não há diferença se ela aponta a arma para a cabeça de uma pessoa, ou se ela vota no político para fazer o roubo para ela: ela está recebendo dinheiro tirado dos outros e é cúmplice).

    Sem crédito, obrigar-se-ia todos a virarem produtores de bens e serviços, e com a oferta explosiva destes, os preços cairiam, a moeda compraria mais (se tornaria forte), não teríamos que exportar pra conseguir divisas.

    E esse é o certo. Não é certo a pessoa receber divisas sem produzir nada.

    A pessoa que vive assim é ladra, seja ela assistencialista, seja política, seja burocrata, seja produtor rural, mutuário da casa própria, não importa qual modalidade de crédito ou subsídio: ela tira dos outros. E ao fazer assim "descontribui" com o resto da sociedade.

    O crédito bancário, reservas fracionadas, é dinheiro que não existe. Não é poupança real.

    O dinheiro só é saudável se estiver lastreado em bens e serviços . O problema do país e esse: produz-se pouco. Por isso nosso dinheiro vale pouco.

    E emissão de crédito não resolve esse problema. É apenas suborno, que não é pago a todos.

    As pessoas que pagam esse sistema fajuto, ao serem roubadas, vão ter menos recursos pra produzir bens e serviços. Não vão investir em si mesmas, nem nos seus negócios. E com isso não vão contribuir com a economia, sociedade, proporcionalmente ao que lhes foi tirado. Vão se tornar assistencialistas, dependentes (mais gente pra tirar do sistema).
    Pois o crédito tira de uns e destrói esse lado da sociedade, e estimula outro (o lado errado). Você vê o lado que cresce e não vê o que encolhe. E na maioria dos casos o que cresce é tão pouco que não compensa destruir o outro lado (o sacrifício não vale a pena).

    Os subsídios (crédito) à agricultura, por exemplo. Estimulam esse lado da economia, mas empobrecem que pagou o subsídio. E isso não faz os alimentos ficarem mais baratos, não recebem descontos na compra de alimentos: apenas pagam o crédito para os produtores, têm que trabalhar mais pra pagar os impostos, a inflação resultante.

    Por isso: corte-se o crédito. E as pessoas serão obrigadas a produzir renda do trabalho, da produção, da oferta, dos projetos, das invenções de coisas que elas criaram, como era antes de começarem a fabricar dinheiro e trapacear a "economia real".

    Inclusive, corte-se o crédito do governo e o obrigue a viver dentro de suas contas reais. É ele o principal tomador de crédito, que faz escassear todo o sistema. Não faltaria crédito a juros baixos, mesmo sem reservas fracionadas, se o governo não fosse um monstro consumidor de recursos da sociedade.

    Concluindo: o problema não é a falta de crédito; é fazer as pessoas e o governo viverem dentro da economia real (produção de bens e serviços pra ter renda real) e não da fantasia de que dá pra ficar imprimindo dinheiro e crédito a rodo.

    Em outras palavras, fazer os parasitas (voluntários e involuntários) se tornarem produtores e servidores da sociedade e não mais "tomadores de bens da sociedade".
  • Imperion  10/10/2020 13:05
    Função do crédito: fazer a pessoa acreditar que tem dinheiro real pra gastar. Crédito é impressão de dinheiro.
    Dinheiro não oriundo de produção e poupança é apenas tirar de uns pra dar pra outros.
  • Igor  09/10/2020 21:56
    Por que o pessoal do mainstream e a mídia resmungam da deflação, como se as pessoas fossem deixar de comer e comprar papel higiênico imaginando que no dia seguinte os preços seriam menores e que isso ( o menor consumo) acarretaria em demissões e crise? Que outros argumentos anti-deflação existem e qual a lógica deles, se é que há alguma?
  • Estado máximo, cidadão mínimo  10/10/2020 01:40
    Simplesmente não há lógica alguma. Todo país sério e desenvolvido têm baixos índices inflacionários. É puro papagaísmo keynesiano "foi a deflação das commodities que gerou a depressão de 29". Engraçado que volta e meia as commodities oscilam bem para baixo em seus preços e nem por isso temos um novo crash.

    É lobismo político puro (em uma economia sobretaxada no sistema produtivo, a arrecadação tenderia a diminuir após um tempo e eles sabem muito bem disso mas não assumem). Isso sem contar que a inflação é externalidade negativa da política de imprimir dinheiro a rodo pra financiar os gastos públicos (que eles também sabem muito bem mas pintam como a solução da lavoura).
  • Lucas  10/10/2020 03:53
    Por que o pessoal do mainstream e a mídia resmungam da deflação? Que outros argumentos anti-deflação existem e qual a lógica deles, se é que há alguma?

    Tudo parte da premissa que "consumo/demanda faz a economia crescer", logo, vale tudo para estimular o consumo, inclusive fazer com que o dinheiro perca valor ao longo do tempo para fazer com que as pessoas o gastem logo.

    Não, não tem lógica, como demonstrado no artigo a seguir:

    "Para a economia crescer, temos de aumentar a demanda!" - eis um mito sem nenhuma lógica
  • Imperion  15/10/2020 05:05
    Eles não têm nenhuma vantagem com a deflação. Eles controlam o sistema e só ganham emitindo dívida através da inflação do dinheiro. Eles gastam os tubos, têm déficit e têm que emitir títulos de dívida através de inflação creditícia pra que comprem esses títulos.

    Eles têm que imprimir dinheiro pra gastar. Inflação é melhor que deflação, mas convenientemente, não dizem pra "quem". Quem paga pelo sistema não tem vantagem.

    Eles ganham nos gastos governamentais, que chegam a 50 por cento do PIB (gastam em torno 3 trilhões de reais).
    São gastos liberados, na lei, pra falar que esse roubo é legal. Por isso, nenhum deles falará mal da inflação. A hiperinflação sarneyana era excesso de gastos e impressão de dinheiro pra conseguir divisas. E tudo começou com endividamento.

    Quando não se conseguiu pagar, os gastos explodiram. O governo não se endivida. O dinheiro é seu; ele endivida você.
    O político coloca a si próprio um salário pra vida toda, nem quer saber quem vai pagar a dívida.

    Ele quer garantir entrar na bocada do direito adquirido.

    Então o jogo ideológico, pra convencer as pessoas que é melhor assim e dizer que o país "cresce com inflação e encolhe com deflação".

    Afinal desinformação impede que os leigos aprendam a "real".

    Dizem que deflação gera desemprego.
    Dizem que o padrão-ouro impedia a economia de crescer.
    Dizem que se o governo não der crédito a economia não cresce.
    Dizem que a automação e o desenvolvimento tecnológico trazem desemprego.
    Dizem que se o governo não gastar, a economia para.
    Dizem que a impressão de dinheiro não gera inflação.
    Dizem que exportar e impedir importar é bom pra economia.

    Na deflação, os preços caem e a moeda fica forte. Eles falam que isso mata a indústria nacional e gera desemprego.
    Os salários caem, mas eles escondem que cada unidade monetária compra mais e isso é a verdadeira riqueza: comprar mais. Mas a falácia diz que as pessoas ganhariam menos. E isso joga os trabalhadores contra a moeda forte, por puro desconhecimento. Afinal, ninguém quer ganhar menos. Preferem ganhar mais nominalmente no contracheque, comprando muito menos, do realmente estar ganhando mais, comprando mais, e nominalmente estar recebendo menos. É melhor receber 200 reais em 1994 que 1045 em 2020.

    E a clássica: dizem que na deflação as pessoas teriam que trabalhar mais, pra produzir mais e manter o valor da moeda alto. Pois o melhor é imprimir dinheiro e as pessoas poderiam sem esforço comprar tudo o que quiserem.

    Afinal, com a oferta monetária congelada, só a produtividade garantiria o lastro da moeda. Então, pasmem, as pessoas que não trabalham teriam que trabalhar! Escravidão! Chama os fiscais!

    O sistema keynesiano inflacionário assistencialista existe pra extorquir o setor produtivo. Eles produzem, nóis toma.
    Mas só tomam o quanto o setor produtivo permite ser tomado. Tem horas que o produtor faz greve: desiste de produzir e a economia entra em colapso, como na Venezuela. Agora quem produz só produz pra subsistência e o resto da economia está sendo forçado a produzir sem saber, pois o produzido não dá pra todos e os "todos" não estão produzindo, pois não sabem fazer.

    O Brasil na covid seguiu o caminho da mais impressão de dinheiro. Vamos ver se os nossos produtores vão sair da falência ou cruzar os braços falidos. É isso que vai determinar se esse país em 2021 vai sobreviver.

    Quem não trabalha já recebeu o seu. Agora eles vão colaborar com a conta ou vão achar que tem produtores pra continuar sustentando eles?
  • Estado máximo, cidadão mínimo  09/10/2020 22:19
    Sem contar que um aumento da produtividade que a automação poderia gerar já derrubaria um dos pés da inflação, que é o descompasso entre oferta e demanda. Mas querem apostar que logo, algum iluminado em Brasília vai querer taxar a automação? Já tiveram a ideia de taxar o vento, vejam vocês...

    www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=www.infomoney.com.br/economia/nordeste-propoe-taxa-sobre-energia-do-sol-e-do-vento/amp/&ved=2ahUKEwjZ3Pj_xKjsAhX0H7kGHd7NDTcQFjAJegQICRAB&usg=AOvVaw04rlqqgPi_wXTJrZaB1gK3&cf=1
  • anônimo  10/10/2020 01:53
    Agradecemos as feministas por quebrarem a previdência sem perceberem.
  • Felipe  10/10/2020 11:34
    Se houve o aumento no padrão de vida, então por lógica os filhos deveriam ser mais numerosos, e não o contrário.

    Acho que houve outros fatores, além da profusão de métodos anticoncepcionais e mudanças culturais. Se a carga tributária pôde ser aumentada, é porque justamente o padrão de vida aumentou em conjunto com a produtividade. Isso aconteceu na Escandinávia. Ou seja, são necessárias menos horas para se adquirir os mesmos bens. Mesmo no Brasil isso aconteceu, principalmente com geladeiras e outros eletrodomésticos e eletrônicos. Aconteceu também nos EUA.

    Agora, se for falar de setor imobiliário, saúde de ensino (tanto no Brasil quanto nos EUA), é outra discussão, já que por serem extremamente regulados, eles sofrem mais inflação de preços. Não sei se hoje são necessárias mais horas de trabalho do que décadas atrás para esse setor.
  • Jairdeladomelhorqptras  10/10/2020 16:59
    Caro Felipe,
    "Se houve aumento do padrão de vida, então por lógica os filhos deveriam ser mais numerosos, e não o contrário". Vc afirmou isto.
    Vejamos,
    Por lógica com um padrão de vida baixo e mortalidade infantil alta (era o q de fato ocorria, vide a família real portuguesa e brasileira que jamais um primogênito assumiu o trono pq morreram na infância) para deixar descendência tinha q ter vários filhos.
    Por lógica, sem mecanização, a família necessitava de vários braços (especialmente no meio rural onde viviam a maioria da população) para conseguir uma produtividade capaz de manter um certo padrão de vida.
    No meio rural, mulher com filhos (e pouco importava se solteira ou viúva) conseguia casamento fácil. Pois o marido, alem da mulher, já ganhava de graça uns "peãozinhos".
    E por fim, sem uma previdência estatal estabelecida, muitos confiavam no amor filial como suporte na velhice.
    Abraços
  • anônimo  10/10/2020 22:21
    eletronico hj custa o dobro de 10 anos atras
    com 1000 eu montava um pc
    hj 2000 mal pagam um positivo fuleiro
    minha avó teve uma tv que foi aposentada com 20 anos e ainda funcionava ... hj uma tv moderna com 1 a 2 anos ja ta dando problema

    ate a geracao dos meus avos era normal ter filhos para ajudar na casa, na roça ou no escritorio

    recentemente o stf decidiu que jovem nao pode trabalhar, registrado bonitinho, mas pode ficar o dia inteiro no semaforo pedindo dinheiro , trabalho infantil eh errado bom mesmo eh crescer sem responsabilidade

    nao tem escola em tempo integral e tambem nao pode trabalhar... ai depois nao sabem pq o jovem nao consegue emprego por nao ter experiencia

    o pobre coitado do jovem ve um tenis ou celular mas nao pode fazer algo e juntar dinheirinho pra conquistar... so pode desejar e ficar com raiva de quem tem como comprar

    quem tem menos filho eh soh quem tem consciencia.. a gente sustenta o filho dos outros entao sobra pouco pra nossa familia

    criar uma criança vai muito alem de pagar escola e pediatra, voce quer que a familia seja bem sucedida e nao somente gasto / despesa com um jovem encostado ate a vida adulta

    nos paises do norte com 15 anos a mulecada ja ta abrindo startup de tecnologia ... programacao de computador faz parte do ensino basico

    15 anos no brasil mal sabe tirar porcentagem e separar silabas ... mas ja sabe tudo sobre sexo e putaria
  • Ex-microempresario  11/10/2020 16:08
    O preço do pc e de tudo o mais só subiu em reais, por conta do governo imprimindo dinheiro.

    Em dólares, o preço no longo prazo de qualquer eletrônico só cai. Claro que lançamentos badalados tem preços momentaneamente maiores.

    Dê uma olhada nisso:

    1977: lançamento do Apple II - 2700 dólares, 16K de memória, sem monitor, sem disco.
    1987: um PC com 640k de memória e disco de 20MB custava uns 2000 dólares.
    1997: um Pentium II com 16 MB de memória e disco rígido de 1.2 GB custava uns 1000 dólares.
    2007: um Celeron ou Semprom com 512 MB de memória e disco de 80 GB custava uns 500 a 600 dólares.

    Quanto à durabilidade, é verdade, mas o negócio é que os produtos ficam velhos em menos tempo e não adianta gastar mais para fazer algo que vai durar mais tempo do que as pessoas querem.

    Exemplo: eu tenho uma TV de plasma 42" que comprei em 2012. Na época era uma maravilha. Hoje em dia é quase obsoleta, porque não é nem full HD (quanto mais 4K), não é "smart", não tem porta USB, não liga na internet. Imagine daqui a doze anos. Vai ser peça de museu, se durar até lá.


    Mas no restante, concordo totalmente com você.
  • Felipe  12/10/2020 14:37
    O preço nominal sim, mas e o preço real? O setor de informática é um dos mais competitivos do mundo e, mesmo que o preço nominal suba, isso é amenizado (ou até eliminado) quando o computador e seus componentes ficam mais sofisticados e avançados.

    O que certamente atrapalha é que, especialmente nesse período de julho de 2019 até o momento, tivemos uma forte desvalorização cambial, digna de uma moeda porcaria.
  • Feto  10/10/2020 22:54
    "então por lógica"

    E aí que está seu erro. Nem tudo se guia pela lógica.
  • anônimo  10/10/2020 20:46
    Caros, dado a expansão do m1,m2, e o nosso câmbio, vocês ainda acreditam que fecharemos 2021 na meta de inflação 3,75% ?
    Não consigo vislumbrar algum fator que justifique o mercado estar esperando inflação na meta com a atual Selic.. Ou o BC vai subir juros , mas o problema é que ja tivemos o impacto desse ano
  • Perifento  11/10/2020 14:41
    A meta da inflação Br é 3,75% +/- 2%. Isso no IPCA. E se a inflação der mais que 5,75% o presidente do Bacen faz uma cartinha pedindo desculpas e só.

    Não tem condições de emigrar pra um país de primeiro mundo mas não aguenta mais inflação de 2 dígitos boa alimentos? Mude-se para países com bancos centrais sérios como Paraguay e Perú.
  • Imperion  12/10/2020 02:47
    Não, e olha que a meta de inflação é alta demais. As contas vão fechar com endividamento de 100 por cento do PIB. Subir os juros vão aumentar ainda mais os gastos. E a diferença virá em mais desvalorização da moeda.
  • anônimo  12/10/2020 14:36
    além da desvalorizaçao da moeda e depender do dolar como praticamente todo o resto
    ainda teve que em 2016 o preço de um componente passou a custar o dobro depois dessa aqui

    canaltech.com.br/governo/lei-que-acaba-com-isencao-fiscal-de-eletronicos-e-sancionada-55353/

    certas coisas fabricadas no brasil, do playstation da sony aos carros da honda e toyota, as peças vem de fora , montam , colam , embalam e vendem , o que salva um pouco o nivel de alguns produtos no mercado

    mas o ouro que é o melhor condutor eletrico e deveria estar em qualquer cabo ou conexao é trocado até por latão, a solda usada é com estanho , por serem de baixa qualidade comprometem a vida util, um produto que deveria durar 10000 horas mal aguenta metade disso

    antigamente nao se fazia substituiçao o que resultava em produtos mais confiaveis, o consumidor nao percebe essa deterioraçao pois nao é aparente

    e pior que o que pagamos acaba nao se limitando a uma unica aquisiçao , se algo logo vai estragar entao pagamos 2, 3 vezes so pra continuar tendo um unico equipamento funcionando

    muito dificil criar um pais competitivo dessa forma , capital que vai todo pelo ralo ao inves de servir pra aumento de qualidade / produtividade , eu sempre fui de fazer recomendaçoes para amigos, familiares e clientes e o normal hoje é responder que o que a pessoa precisa e quanto ela esta disposta a pagar nao casam mais , ela tem que juntar mais dinheiro pois senao vai somente passar raiva


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