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22/07/2010 00:00  por  Fernando Ulrich \  economia

Poderíamos afirmar que Bernanke contra Trichet seria uma reedição de Keynes vs Hayek?

Ok, não é para tanto, Trichet ainda está longe de ser considerado um seguidor de Hayek. Entretanto, é louvável o artigo do presidente do Banco Central Europeu, publicado no Financial Times de 22 de julho de 2010, no qual ele não só questiona, como também receita medidas totalmente opostas ao seu colega do FED, Ben Maynard Bernanke. Soma-se a isto o fato de o artigo ter sido publicado horas após o Chairman do FED ter sugerido a necessidade de novos estímulos fiscais no curto prazo.

Em seu artigo, entitulado "Stimulate no more - it is now time for all to tighten" (Estímulos não mais - é hora de todos apertarem os cintos), Trichet reconhece a inutilidade e o potencial catástrofico de mais estímulos fiscais.

Economistas austríacos foram claros e enfáticos: jamais devemos aumentar gastos governamentais financiados por dívida em uma recessão. O que, felizmente, Trichet reconhece, ainda que de maneira tardia. Em suas palavras: "hoje vemos o quão infeliz, foi a mensagem simplista de estímulo fiscal dada aos países industrializados sob o lema de 'estimular', 'ativar' e 'gastar'!"

Devo admitir que, após ler seu artigo, senti uma sensação de leveza e contentamento, pois inclusive é sabido que Trichet leu por completo a obra de Jesús Huerta de Soto (Dinheiro, crédito bancário e ciclos econômicos).

Apesar das belas palavras, Jean-Claude Trichet não pode ser considerado um austríaco. Mas atrevo-me a afirmar que no debate Keynes vs Hayek, ele está deixando o lado negro da força.


05/07/2010 00:00  por  Leandro Roque \  economia

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A mídia obviamente não perdoa a dupla Dunga-Felipe Melo, culpando-os pela saída prematura do Brasil na Copa do Mundo.  Sempre que a mídia unanimemente resolve bater em alguém, pode estar certo de que esse alguém é portador de virtudes raras. .

Este é o caso da dupla em questão.  O primeiro escalou e o segundo jogou.  No primeiro tempo, Felipe Melo fez tudo o que não deveria: marcou forte e ainda deu uma bela assistência que originou o gol de Robinho.  Já no segundo tempo, como que para corrigir as bobagens feitas no primeiro, o homem resolveu finalmente fazer tudo certinho: fez gol contra, não marcou o holandês responsável pelo segundo gol e ainda cavou brilhantemente uma expulsão (quem viu a cena notou que foi coisa de profissional).

Tudo isso, claro, não teria ocorrido sem Dunga, o maestro responsável pela escalação do mestre.

Estou sendo irônico?  Nem um pouco.  Não sou de torcer contra o Brasil em copas.  Aliás, nem haveria motivos para isso.  É verdade que tenho aversão a esse ufanismo que toma as ruas em períodos de mundial, mas isso felizmente acaba em uma semana.

Porém, em todas as copas daqui pra frente, se você preza seu esforço próprio e tem amor aos frutos do seu trabalho, você deve torcer contra o Brasil.  O motivo?  Uma lei criada por Lula, que prevê que "todos os jogadores da seleção da CBF que foram campeões nos campeonatos mundiais da FIFA receberão de "indenização" e "reparação" R$ 465 mil e uma aposentadoria de R$ 4.650 por mês." 

Multiplique esse valor pelas duas dezenas de jogadores convocados, e você terá uma ligeira dimensão do estrago.  Dá quase R$ 10 milhões por copa só de premiação, sem contar a mesada vitalícia de R$ 4.650.

Estrago esse que será integralmente pago por você, é claro.  Mais detalhes sobre esse esbulho aqui

Dunga e Felipe Melo simplesmente pouparam ao povo brasileiro vários milhões de reais que seriam confiscados a força para sustentar atletas que já ganham milhões de euros por mês.  Ambos merecem estátuas, no mínimo.  Principalmente Felipe Melo, que aceitou ser execrado pela mídia nacional em troca de uma causa maior — e tudo em detrimento dele próprio e em benefício de toda a nação.  Um verdadeiro mártir altruísta.

De agora em diante, meu lema copeiro será em ritmo de samba ao estilo Pra Frente Brasil:

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"São mais de R$ 10 milhões em ação,

sou contra o Brasil,

poupem-me do mesadão! 

Todos juntos vamos,

pro bem da nação,

perde, Seleção!"



25/06/2010 00:00  por  Klauber Cristofen Pires \  economia

Você quer saber por que os preços nas feiras ou nos supermercados não têm baixado? Quer saber por que há inflação sobre os alimentos no país que mais e melhor os produz no mundo? Agradeça ao Lula, à Dilma e à equipe da estrela vermelha.

Lógico, a propaganda lulo-dilmo-petista não se exibe com estas tintas. Isto porque ela não é voltada para você, cidadão consumidor, mas sim para o benefício de grupos de interesses particulares. O nome do dragão inflacionário com que o governo se exibe agora se chama "Programa de Garantia de Preços Mínimos", e consiste na aquisição pelo governo de vários tipos de alimentos  - especialmente cereais - com o propósito de formar estoques reguladores. Mas espere, que volto ao assunto.

Não há muito tempo escrevi um artigo comentando sobre o revolucionário progresso na agricultura cubana. Pois eis que, depois de dez mil anos, os antilhanos dos Castro, enfim, descobriram as vantagens...da roça! Se o texto proporcionou ao leitor boas risadas, é hora de se preocupar: o nosso governo anda admiradíssimo com os resultados. Logo, logo, se Lula e Dilma quiserem, estaremos trocando a nossa vexaminosa produção de arroz, cuja produtividade mal passa de 7000 kg/hectare para estonteantes...1200 kg/hectare! E assim tanto quanto com os demais tipos de culturas...

Não por menos, decidiu o governo aumentar os investimentos no que chama de "Pronaf  - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar", desta vez com aumentos nos recursos reservados para financiamentos que desta vez ultrapassarão, pasmem, quinze bilhões de reais!

O termo "agricultor familiar", por sua vez, nada mais é que um posto de promoção ao antigo "assentado" do MST. Como se vê, gente que na maioria da vida nunca soube o que era uma enxada, até à hora de descobrir que serve para destruir cercas e benfeitorias. Mas é para indivíduos assim que o dito programa pretende emprestar até cerca de oitenta mil reais, a juros camaradíssimos. Bem conveniente, para estes tempos em que os milionários repasses de verbas ao MST via ONG's de fachada andam sendo questionados. O PT sempre tem um plano B, C, D...

Agora, os dois fatos se encontram. Não bastante as terras esbulhadas de algum pobre agricultor de verdade - deste que produz cinco a sete vezes mais do que a nossa metrópole caribenha; não obstante as infindas cestas básicas pagas com dinheiro suado de quem não recebe nada de graça, ainda mais para não fazer nada; não obstante tal gorda linha de crédito a fundo perdido; vem o estado garantir um preço mínimo ao novos "produtores". É a tal da manutenção do equilíbrio econômico-financeiro em sua forma rural.

Recorrendo a Henry Hazlitt, o que podemos esperar de tudo isto? Primeiro, os cidadãos urbanos vão pagar por isto. Ao trocar o agricultor autêntico - aquele que produz muito e se sujeita às regras do mercado -  pelo assentado metido a besta, vai pagar mais caro por menos e pior produto. Do dinheiro que escorrer do consumidor urbano, muitos e muitos investimentos serão drenados de oportunidades de negócios mais eficientes para a incipiente e nada promissora produção enxadista. O Brasil como um todo vai empobrecer.

Mas há mais para se lamentar: banqueiros privados cedem empréstimos com base em estimativas econômicas baseadas em complexas variáveis acompanhadas diariamente por anos e anos. Servidores públicos cedem empréstimos com base nos conceitos de justiça social que decoraram nos tempos em que eram concurseiros. O resultado para tais operações destituídas de garantias reais é um tremendo e inexorável calote, que todos nós pagaremos, mais uma vez. De Quanto? Eu falei 15 bi? É pouco ou querem mais?

Pois bem: desde quando estocar é uma atividade graciosa? Sem contarmos a rede de corrupção que se formará em torno da construção e manutenção destes silos - quem já não soube pelos noticiários de tantos golpes assim?  - o custo normal da armazenagem e da fiscalização do sistema se somará ao preço dito "normal", aumentando mais ainda o dito "preço " mínimo". E quem pagará? Adivinhe...

Como a cereja no bolo, agora vem o pior: com tal política de regularização de preços, o que o governo pretende alcançar terá como resultado justamente o inverso, pois fatalmente estará dando o disparo para uma onda especulativa em tempo presente para uma grande crise futura em que milhões de toneladas de alimentos terão de virar combustível ou adubo. Senão, vejamos como se expressa Hazlitt (Economia numa única lição p.52-53):

Quando o governo intervém, o celeiro sempre normal torna-se, de fato, um celeiro sempre político. Encoraja-se o fazendeiro, com o dinheiro dos contribuintes, a reter excessivamente sua produção. Como desejam assegurar-se do voto dos fazendeiros, os políticos que iniciam essa política, ou os burocratas que a executam, sempre colocam o denominado preço justo para o produto do fazendeiro acima do preço, que as condições da oferta e da procura justificam na ocasião. Isso reduz o número de compradores. O celeiro sempre normal tende, portanto, a tornar-se um celeiro sempre anormal.

Estoques excessivos ficam afastados do mercado. O efeito é assegurar, temporariamente, um preço mais alto do que poderia existir de outro modo, mas fazê-lo será provocar mais tarde um preço muito mais baixo, pois a falta artificial que se cria nesse ano, ao retirar-se do mercado parte de uma colheita, implica um excesso artificial para o ano seguinte. O mercado pode sozinho arcar com a tarefa de regulação dos estoques, assumindo todos os riscos e submetendo-se à aprovação pelos consumidores. Mesmo importar é economicamente mais recomendável do que armazenar. A prosperidade de um país não advém da acumulação de ouro, conforme prega a teoria mercantilista, mas, em termos gerais, em realizar a ação humana com o máximo de eficiência, e isto inclui aproveitar as vantagens comparativas da importação a preços baixos.

O mercado pode sozinho arcar com a tarefa de regulação dos estoques, assumindo todos os riscos e submetendo-se à aprovação pelos consumidores. Mesmo importar é economicamente mais recomendável do que armazenar. A prosperidade de um país não advém da acumulação de ouro, conforme prega a teoria mercantilista, mas, em termos gerais, em realizar a ação humana com o máximo de eficiência, e isto inclui aproveitar as vantagens comparativas da importação a preços baixos.

Sabendo que a Terra é redonda, e que o verão em um hemisfério é contrabaleanceado pelo inverno no outro, as nações podem se beneficiar trocando a preços baratos as grandes produções umas das outras e alternando-se conforme suas safras, e isto traz a vantagem de oferecer ao público consumidor comida fresca, ao contrário da política de reserva de estoques.

Como visto, é necessário que todos denunciemos este esquema e o repudiemos ao extremo. Mostrar a verdade de suas intenções e as suas reais consequências é o primeiro passo para a compreensão por todos e uma mudança de paradigmas.


17/06/2010 00:00  por  Leandro Roque \  economia

... os deputados e funças curtem com sua cara.  Ou melhor, com seu bolso.  Segue a notícia.


Deputados aprovam reajuste do Judiciário

Benefício aprovado pela Comissão do Trabalho da Câmara representa aumento anual de e R$ 6,4 bilhões nos gastos públicos

A menos de quatro meses das eleições, os deputados da Comissão de Trabalho da Câmara aprovaram um reajuste médio de 56% para os servidores do Poder Judiciário. O benefício vai atingir em torno de 100 mil funcionários, incluindo aposentados e pensionistas, e resultará em aumento nos gastos públicos de R$ 6,4 bilhões.

Com o reajuste, o salário do analista judiciário (cargo de nível superior) poderá chegar a R$ 16 mil, após somadas as gratificações previstas no projeto. A tabela prevê o aumento do salário básico do analista judiciário no fim de carreira de R$ 6.957 para R$ 10.883. O salário inicial nesta carreira sobe de R$ 4.367 para R$ 6.855, sem as gratificações que correspondem a metade do vencimento básico.

Essas são as informações que constam do projeto de lei, mas cálculos da área econômica indicam que a maior remuneração bruta poderá atingir R$ 32 mil, superando o teto salarial do serviço público, que é de R$ 27 mil, correspondente ao subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia mais aqui.

 

E a única mobilização nacional é para mandar Galvão Bueno calar a boca...



16/06/2010 00:00  por  Eduardo Foss \  filosofia

Ao amigo leigo,

Você já deve ter ouvido falar nesses monstros indefinidos, a classe média, a burguesia, o proletário, a sociedade, o mercado, o estado.  Já deve ter ouvido falar que eles têm vida própria, que ser a favor de uns é bom, ser a favor de outros é sinal de ganância...

Você já ouviu falar que eu defendo o mercado em detrimento da sociedade.

Deixa-me ser claro e definir o que os outros preferem deixar indefinido: a sociedade, toda sociedade, cada homem quando lida com outro homem, é o mercado.

Sociedade = Mercado

Você conseguiria negar que a nossa amizade é uma troca?  As idéias e experiências que trocamos são vazias, sem repercussão na nossa vida, ou enriquecem a gente e melhoram nossas decisões?  E você acha que há algum produto material que não seja feito com idéias e experiências?

Todo homem está em uma troca espiritual e física com a sua namorada.  Trocamos beijos, trocamos carinho e conselhos... Quando nos casamos trocamos serviços: a mulher cozinha, o homem cuida do carro, a mulher ajeita a cama, o homem cuida do encanamento.  E ambos estão sempre pedindo que o outro dê de si o proporcional, que pague com o preço justo o que recebe.

Já os pais trocam apoio e produtos por notas escolares e sinais de maturidade.  Isto é tão costumeiro que já se tornou uma lei não escrita, se tornou tácito.  Ninguém fala porque é óbvio.

Quando viajamos juntos ou vamos pra uma balada servimos um ao outro de seguro.  Quando sentimos que algo na vida vai nos enlouquecer, temos o amigo para nos servir de psicólogo etc.  Isso cria um débito e um crédito.  Ele sabe quem um dia iremos pagá-lo com um serviço semelhante.

Namoradas, pais e amigos são credores e devedores.  Esforçamo-nos para "ficar quites" o tempo todo, e quem é preguiçoso nisso, quem não dá o amor e a amizade que recebeu, vai ficando sozinho.  Ninguém quer mais trocar com ele.

Quer saber como ficamos amigos de alguém bem rápido?  Quando essa pessoa tem algo muito grande para nos dar, seja uma idéia, um serviço ou um bem material, e quando temos também algo bem grande para dar em troca.  Se ambos percebem que a troca é boa, e permanecem trocando com exatidão.  Com esses sinais periódicos de respeito daqui a pouco estarão trocando e emprestando a prazos de crédito tão largos, indeterminados, que mais parecerá que estão dando!

Esse é o lugar onde todos queremos chegar.  Quando todos trocarem como "amigos e irmãos".

Mas ninguém chega aí à toa.  Leva tempo e perseverança nesse comércio.  Ainda não tratamos o desconhecido que passa na rua como o amigo ou o irmão, porque há muita gente que dá moratória, que não quita, que toma o que recebeu e nunca dá o proporcional, que pega emprestado e não devolve.  Não adianta fechar os olhos para essa realidade.

Essa justiça comercial, que um bem vale um bem proporcional e nada vale nada, te acompanha desde a infância e quando você for trabalhar permanecerá a mesma, somente aumentará em magnitude.

É disso que eu sou a favor: do Mercado!

Eu sou a favor que todo homem possa trocar com outros homens. Sejam idéias, serviços, bens ou sentimentos.  Eu acredito tanto nos meus amigos e nos desconhecidos, eu acredito tanto em cada um e todos em comunhão, que acho que ninguém deveria impedi-los de trocar entre si.

O dia em que cada um puder trocar tudo que pensou, desenvolveu, serviu, produziu e sentiu com todos, é o dia em que a humanidade estará direcionada à amizade.

Tendo dito isso, eu vou finalizar contando que existe gente que é contra a amizade, o amor e a troca.

São pessoas que tomam parte do que é seu, do que você criou, contra sua vontade.  Toda troca é voluntária.  A pessoa que toma o que é seu impede assim que você troque com aquilo, impede que aquilo seja um veículo de amizade com os outros.  É um saqueador.

Imagine um país onde você é impedido de conversar idéias, de servir, de dar um bem e de expressar sentimentos em torno dos outros.  Esse é um país no qual alguém bloqueia a irmandade natural entre os homens.

Eu não vou te mentir que esse país existiu no passado.  Esse país existe agora, e você está nele.

O saqueador, no entanto, sempre age com o argumento mais sujo e mais contraditório.  Ele pilha nossa amizade, pilha nossa troca natural, dizendo que tomou o que é nosso pelo "bem de todos, da sociedade, do coletivo, ou de uma classe indefinida".

Ora, não trocamos com classes!  Não somos classes!  Somos pessoas.  Como podem meus bens gerar respeito mútuo se vão para alguém que nunca vi na minha frente!

Agora, há um lugar onde muitos saqueadores estão reunidos.  Como a causa deles é injusta eles se munem da força.  Como eles são muitos, estão o tempo todo ao seu redor tomando o que é seu.  Diria que 4 a cada 10 coisas que você faz vai para eles.  O nome deles reunidos é estado.

E por isso eu sou a favor da Sociedade e contra o estado.



08/06/2010 00:00  por  Cristiano Fiori Chiocca \  economia

No final de outubro do ano passado postei nesse blog um artigo em que eu apostava contra o Ministro Mantega que o dolar estaria abaixo de R$ 1,30.

Malandramente não disse quando (apesar da put pra janeiro de 2011), mas devo admitir que eu esparava que fosse logo. Dólares eram impressos numa velocidade espantosa e não eram acompanhados pela impressão de reais e menos ainda pela produção de commodities que, devido à crise, diminuiam até.

Dada a situação de pouco produto e muito papel moeda, a lógica era uma queda no valor do dólar em relação à moeda lastreada em minério de ferro, grãos, etc.

Não estava sozinho. Jim Rogers e Peter Schiff apostavam (e apostam contra o dólar) e me parecia irrelevante a média de aumento do IOF para brecar o fluxo de capitais para o Brasil.

O problema é que ainda continuo achando que meu erro foi só no timing mesmo. Com o euro condenado, o dólar ganhou uma sobrevida.  Pessoas veem o euro cair e realmente acham que o dolar é um porto seguro, mas, se de fato, como dizem, a Europa é os EUA amanhã, o que esta acontecendo com Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e mais tarde vai acontecer com Itália, Inglaterra, Fraça e Alemanha é o mesmo que vai acontecer com Missouri, Dakota, Nevada e mais tarde com California, Texas, New York.

A situação fiscal americana é uma bomba relógio como a que explode pela Europa agora. Nova rodada de impressão de dólares desenfreada virá pela frente.

Não acho porém que essa atual situação do dólar seja o "repique" que Schiff dizia que aconteceria antes da derrocada geral. Esse preço atual é mais fruto do derretimento do euro mesmo.

Aí, sim, o real entra nesse jogo e as commodities sobram como opção de proteção frente às inflações engatilhadas.

O simples não acompanhamento da impressão dos americanos e europeus fará o real se valorizar e ficar no teto que estipulei (R$ 1,30).

Apostas na mesa, dobro ou nada?

01/06/2010 00:00  por  Equipe IMB \  economia

Nota do IMB: extremamente informativa a reportagem de capa do jornal Valor do dia 31/05/2010.  Esse demonstrativo de valor agregado é bastante útil para mostrar, em bases completas, quanto é confiscado pelo fisco — ou seja, inclui tudo, desde pequenas taxas até os impostos mais relevantes.

 

Autor: Fernando Torres, de São Paulo

Valor Econômico - 31/05/2010

 

Da riqueza gerada pelas cem maiores companhias abertas do país por valor de mercado em 2009, que somou R$ 558 bilhões, as três esferas de governo abocanharam 45% na forma de impostos, contribuições e taxas. As empresas retiveram 13,5% do total para engordar seu patrimônio e distribuíram 9,5% aos acionistas na forma de juros sobre capital próprio e dividendos. Os funcionários ficaram com 20% e os credores, com 12%.

A disparidade é grande quando se analisa o peso da carga tributária em diferentes setores da economia, conforme levantamento feito pelo Valor com as cem maiores companhias abertas por valor de mercado. No topo do ranking, as empresas de telecomunicações destinaram 64% da riqueza gerada em 2009 para o pagamento de impostos, taxas e contribuições.

Os segmentos de bebidas e fumo, petróleo e gás e energia elétrica aparecem em seguida na lista dos que recolhem mais tributos. Em todas essas áreas, União, Estados e municípios se tornaram sócios preferenciais das companhias e ficaram com mais de 50% do valor adicionado por elas.

A medida do valor adicionado de uma empresa, que é a contribuição dela para a formação do Produto Interno Bruto (PIB), tem como base o faturamento bruto, descontados os custos com insumos comprados de terceiros.

Apesar do peso importante dos impostos em todos os segmentos, não é possível dizer que todas as empresas de grande porte possuem uma carga tributária acima da média do país, de 35%.

No ano passado, as empresas de mineração e siderurgia destinaram 29% do valor adicionado para o pagamento de impostos, enquanto nos segmentos de construção, aviação e papel e celulose a taxa ficou abaixo de 25%.

Na Embraer, por exemplo, que tem benefícios fiscais pelo fato de destinar praticamente 100% da produção para o exterior, o peso dos tributos sobre o valor adicionado foi de 2% em 2009. O índice foi puxado para baixo por conta de um diferimento de Imposto de Renda e CSLL.

Segundo o professor Ariovaldo dos Santos, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), a análise de dados setoriais permite notar que a estrutura de tributação brasileira pesa mais sobre a produção do que sobre o lucro. "E isso não é uma coisa deste ou dos últimos governos, é algo que se construiu ao longo de 50, 80 anos", diz o especialista, que destaca que, na média, os bancos têm uma carga menor que indústria, comércio e serviços.

No levantamento feito pelo Valor, o peso dos impostos no valor adicionado das empresas do setor financeiro - o que inclui bancos, seguradoras e empresas de cartão de crédito - foi de 32%.

Na mesma linha, um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que, da carga tributária de 35% do PIB, 16,8 pontos percentuais referem-se a tributos sobre a produção de bens e serviços e 9,5 pontos sobre os salários.

Com peso bem menor, equivalente a 5,7 pontos percentuais na carga total, estão os impostos sobre o capital e outras rendas, enquanto os tributos sobre o patrimônio participam com 1,2 ponto. Ao todo, são 61 tributos no Brasil.

Segundo João Eloi Olenike, presidente do IBPT, esse tipo de estrutura favorece a aplicação no mercado financeiro, em detrimento da produção, que poderia gerar mais empregos. "Ao tributar o faturamento, o Brasil não deixa as empresas criarem riqueza", diz.

A Demonstração do Valor Adicionado, que passou a ser obrigatória para as companhias abertas em 2009 e foi usada como base no levantamento do Valor, permite também que se observe a remuneração do capital próprio, dos funcionários e dos credores.

Na média das cem empresas observadas, os detentores de capital ficaram com 23% do valor adicionado. Desse montante, pouco menos da metade, ou 9,5% do total, foi distribuído na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio aos investidores.

Mas, da mesma forma que os impostos, há bastante variação em outros itens na análise por setores. Mais penalizados em termos de tributos, os sócios das empresas de telecomunicações ficam apenas com 8% do valor adicionado. Na ponta de cima do ranking, as incorporadoras imobiliárias conseguiram reter 44% do valor para remunerar o capital dos acionistas. Em segundo lugar surge o setor de mineração e siderurgia, com 40%, e em terceiro o financeiro, com 32%.

Os funcionários dessas cem empresas ficaram, na média, com 20% da riqueza gerada em 2009. As empresas de saúde e saneamento foram as que destinaram maior parcela às despesas com pessoal, com índices de 43% e 42%, respectivamente. Entram nessa conta os salários, benefícios, FGTS, décimo terceiro etc., mas não os tributos que incidem sobre a folha, como INSS.

Completando a distribuição do valor adicionado, a menor parcela, de 12%, é destinada à remuneração do capital de terceiros, por meio de juros e aluguéis, incluindo leasing. Esse índice é um sinal do baixo nível de endividamento das empresas brasileiras, diz Ariovaldo. Ele ressalta que dívida não é algo ruim, contanto que o custo seja menor que o retorno do negócio.


30/05/2010 00:00  por  Equipe IMB \  política

O texto a seguir é um editorial do jornal O Estado de S. Paulo, do dia 30 de maio de 2010.


Carros e motos formaram filas quilométricas diante de postos de gasolina em oito cidades, na última terça-feira. O motivo não era nenhuma emergência ou temor de falta de combustível. Não era também promoção comercial e, sim, uma extraordinária manifestação de protesto. Alguns postos venderam gasolina a R$ 1,18 o litro, com um desconto de 53% (o preço do litro está girando em torno de R$ 2,49), como parte de um movimento organizado por entidades que buscam conscientizar as pessoas sobre os impostos absurdamente altos que pagam não só para abastecer os seus carros, mas em qualquer compra.

O Dia da Liberdade de Impostos foi idealizado por cidadãos gaúchos e sua primeira manifestação foi realizada em 2003 pelo Instituto Liberdade. Desde então, o movimento se ampliou por municípios do interior do Rio Grande do Sul e, no ano passado, chegou a quatro capitais brasileiras. Neste ano, começou no Rio no sábado e terça-feira se estendeu a outras oito cidades (Porto Alegre, Lajeado, Novo Hamburgo, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Vitória e Colatina), que aderiram com entusiasmo ao protesto. Não será surpresa se o movimento vier a se alastrar pelo País, patrocinado por associações empresariais que se queixam com razão da pesadíssima carga tributária.

É claro que os impostos devidos pela venda da gasolina, durante o protesto, foram pagos, mas quem arcou com os custos foram entidades como o Instituto Ludwig von Mises Brasil, em parceria com o Movimento Endireita Brasil, em São Paulo; o Instituto da Liberdade, em Porto Alegre; e outros que compram cotas dos postos. Assim, os consumidores finais ficaram livres do pagamento de ICMS, Cide, PIS e Cofins. O número de postos que forneceram gasolina a preços muito abaixo do mercado era limitado, assim como as cotas de combustível. Em São Paulo, um posto esgotou o seu estoque desonerado da carga fiscal em quatro horas e meia.

O impacto sobre o consumidor, que sente quanto está deixando de economizar para pagar um caudal de impostos, é muito forte. Ele fica sabendo exatamente quanto lhe é subtraído pela mão do Fisco na compra de combustível. Não são somente os tributos sobre os combustíveis que são abusivos, mas também o são os que pesam sobre a casa própria (49,02%), automóvel (43,63%), refrigerador (47,06%), conta de telefone (46,65% ), açúcar (40,50%) e até sobre o xarope contra a tosse (36%).

Essa tomada de consciência é importante e a Associação Comercial de São Paulo, como parte do mesmo esforço, instituiu o "Impostômetro", bem à vista dos que passam pelo centro histórico de São Paulo, e que pode também ser consultado pelo site da entidade. Sem parar nunca, somando números em frações de segundo, o "Impostômetro", na noite de 27 de maio, acusava que o total de impostos pagos pelos cidadãos brasileiros aos municípios, aos Estados e à União, desde 1.º de janeiro deste ano, superava R$ 480,836 bilhões.


27/05/2010 00:00  por  Klauber Cristofen Pires \  economia

Quem teve a oportunidade de assistir aos telejornais, deparou-se provavelmente com as recentes declarações do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Stauss-Kahn, que tem afirmado a sua preocupação com o risco de haver "bolhas de superaquecimento da economia" dos emergentes, devido ao fato de os investidores levarem mais capitais a esses países.

Notem os leitores como se processa a linguagem dos burocratas de carreira. O que significa um "superaquecimento" da economia? Objetivamente, nada, e por esta mesma razão é que é tomada como um profundo raciocínio por parte da imprensa e da comunidade em geral. É o princípio do rei nu...

Em uma sociedade onde vige um mercado livre, oferta e demanda são os dois lados de uma moeda só. A produção de serviços se dá à medida do atendimento à demanda, e esta, por sua vez, é possibilitada pela progressiva criação de riqueza - ou em outros termos - pela produção de bens e serviços cada vez maior, por mais eficiente e especializada.

Preocupações de burocratas internacionais - mormente o chefe de uma instituição criada por Lord Keynes — somente se justificam em face das intervenções precedentes que o próprio estado protagonizou, seja facilitando o crédito para além do que o mercado permitiria, seja em face das incompetentes áreas que, postas a cargo do estado, nunca acompanham a iniciativa privada: energia elétrica, estradas e ferrovias, portos e aeroportos, comunicações, água e esgoto, e similares.

Qual, pois, o conforto que nos traz o ministro Guido Mantega? Afirma que o superaquecimento está "sob controle", mesmo porque os incentivos oferecidos por conta da crise desencadeada pela bolha imobiliária dos EUA estão sendo retirados. Quem pode entender o que se passa, terá ouvido: "Fiquem despreocupados: até hoje a nossa política energética não disse a que veio; nossas estradas continuarão tão esburacadas quanto sempre foram, e mesmo que os caminhões abarrotados não quebrem as molas no meio do caminho, seguraremos o superaquecimento da economia nas filas dos nossos ineficientes portos públicos. Ahh, e mais - aquela facilitadazinha na vida que havíamos dado, podem esquecer!". Com isto, convocam-nos a comemorar o arrefecimento dos negócios e o empobrecimento relativo da população...


13/05/2010 00:00  por  Leandro Roque \  política

O governo está alardeando que vai cortar R$10 bilhões nos gastos orçamentários.  A mídia, obviamente, caiu no conto e o divulga com fidelidade canina.  Ninguém questiona nada, ninguém comenta nada.  Vida que segue.

A notícia é boa?  Seria ótima se fosse verdade.  O fato é que estamos diante de uma empulhação grotesca.

Até onde se sabe, a palavra "corte" deveria significar exatamente isso: cortar gastos, reduzir o nível das despesas, fazer com que o orçamento deste ano seja menor que o do ano passado.  Um sujeito acostumado a gastar R$ 3 mil por mês estará cortando gastos caso passe a gastar R$ 2 mil reais por mês.  Isso, sim, é um real corte de gastos.

E o que o governo propõe?  Simples.  Reduzir os gastos previstos para esse ano, que são maiores que os do ano passado.

A vigarice funciona assim: no ano passado, a despesa total foi estimada em R$ 1.664.747.856.320,00.  Para esse ano, o orçamento previsto é de R$ 1.832.823.010.022,00.  Ou seja: um aumento de módicos R$ 168.075.153.702 de um ano para o outro.

E o que o governo está dizendo? Que vai cortar 10 bilhões desse aumento de 168 bilhões.  Ou seja: o tão propalado corte de gastos significa na verdade um aumento de gastos um pouquinho menor que o previsto.  E a mídia cai na conversa!

Ora, já que é assim, fica aqui a minha dica para o governo: planeje um orçamento de 5 trilhões e, logo em seguida, diga que vai fazer um corte de gastos de 3 trilhões, ficando, no final, com um orçamento ainda maior que o original, que é de 1,8 trilhão.  O governo estará aumentando os gastos e, de quebra, ainda ganhará a fama de ser fiscalmente responsável e inflexível com os gastos públicos.




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