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O vírus da Zika e o retorno do DDT
por Diana Furchtgott-Roth, segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O vírus da Zika está se espalhando, por meio do mosquito Aedes aegypti ao longo da América Latina, possivelmente em correlação com defeitos de nascença tais como a microcefalia em bebês. Histórias e fotos de seus crânios anormalmente pequenos estão ocupando as manchetes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que quatro milhões de pessoas podem ser infectadas até o final de 2016.

O organismo internacional faria bem em recomendar a revogação da proibição do DDT para matar os mosquitos portadores de Zika e malária, uma parasitose provocada por protozoário e que não tem cura.

A Zika está nos noticiários, porém é ofuscada pela malária. De 300 a 600 milhões de pessoas sofrem, a cada ano, de malária, que mata aproximadamente 1 milhão de pessoas anualmente, 90% delas na África Subsaariana. Dispomos dos meios para reduzir a Zika e a malária -- e não os estamos utilizando.

Sob o Programa Global de Erradicação da Malária, que teve início em 1995, o DDT era utilizado para matar os mosquitos portadores do parasita e a malária foi praticamente eliminada. Alguns países como o Sri Lanka, que começaram a usar o DDT no final dos anos 1940, vivenciaram melhorias profundas. Casos relatados caíram de aproximadamente 3 milhões por ano para apenas 17 casos em 1963. Na Venezuela, os casos caíram de mais de 8 milhões em 1943 para 800 em 1958. A Índia experimentou uma queda dramática de 75 milhões de casos por ano para 75.000 em 1961.

Isto mudou com a publicação, em 1962, do livro Silent Spring, de Rachel Carson, que afirmava que o DDT era prejudicial. Após longas audiências entre agosto de 1971 e março de 1972, o juiz Edmund Sweeney, auditor examinador da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, decidiu que as evidências eram insuficientes para banir o DDT e que seus benefícios superavam quaisquer efeitos adversos. A despeito disso, dois meses depois, o então administrador da Agência de Proteção Ambiental, William D. Ruckelshaus, invalidou a decisão de Sweeney e baniu o DDT, com a medida entrando em vigor a partir de 31 de dezembro de 1972.

Outros países se seguiram e em 2001 o DDT foi banido para a agricultura pela Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes. Isto foi uma grande vitória para os mosquitos, bem como uma grande derrota para as pessoas que vivem na América Latina, Ásia e África.

Carson afirmou que o DDT, por ser lipossolúvel, acumula-se nos tecidos gordurosos dos animais e humanos na medida em que o composto move-se através da cadeia alimentar, provocando câncer e outros danos genéticos. As preocupações de Carson e a ação da Agência de Proteção Ambiental interromperam o programa subitamente, e as mortes por malária começaram a aumentar novamente, atingindo 600.000 em 1970, 900.000 em 1990 e mais de 1.000.000 em 1997 -- de volta aos níveis pré-DDT.

Alguns continuam a dizer que o DDT é prejudicial, porém outros afirmam que a substância foi banida em vão. Ainda não há evidências convincentes de que esse produto químico tenha produzido quaisquer efeitos deletérios à saúde pública. De acordo com um artigo publicado no periódico médico britânico Lancet, de autoria do professor A. G. Smith da Universidade de Leicester,

As informações toxicológicas iniciais sobre o DDT eram tranquilizadoras; parece que riscos agudos à saúde eram pequenos. Se as grandes quantidades de DDT utilizado forem levadas em consideração, o histórico de segurança para os seres humanos é extremamente bom. Nos anos 1940, muitas pessoas foram expostas deliberadamente a altas concentrações de DDT por meio dos programas de pulverização ou pela impregnação das roupas, sem qualquer efeito nocivo aparente [...]. Em suma, o DDT pode provocar efeitos toxicológicos, porém os efeitos sobre os seres humanos na eventual exposição são muito brandos.

Embora nada seja tão barato e eficiente quanto o DDT, ele não é uma panaceia para a malária. Porém, um estudo realizado pela Universidade de Serviços Uniformizados de Ciências da Saúde concluiu que pulverizar as cabanas na África com DDT reduz o número de mosquitos em 97% em comparação com as cabanas que recebem um pesticida alternativo. Os mosquitos que entram nas cabanas (que recebem DDT) são menos propensos a picar.

Ao proibirmos o DDT e basear-nos em métodos de prevenção mais caros e menos eficientes, estamos provocando sofrimentos incomensuráveis. Pequenas perdas ambientais são menos importantes do que salvar milhares de vidas humanas e aumentar, potencialmente, o crescimento econômico de nações em desenvolvimento.

Ainda não possuímos dados sobre os efeitos econômicos do vírus da Zika, porém sabemos que os países que apresentam uma alta incidência de malária podem sofrer perdas anuais de 1,3 ponto percentual em seu crescimento econômico. De acordo com um estudo realizado por Harvard e a OMS, o Produto Interno Bruto (PIB) da África Subsaariana poderia ser maior em 100 bilhões de dólares caso a malária houvesse sido eliminada há 35 anos.

Rachel Carson faleceu em 1964, porém o legado do Silent Spring e sua defesa do banimento do DDT permanecem conosco até os dias de hoje. Milhões sofrem com a malária e incontáveis outros estão contraindo o vírus da Zika como resultado do banimento do DDT. A essas pessoas nunca lhes foi dada a escolha de viver com ou sem o DDT. A OMS deveria reconhecer que o DDT apresenta benefícios e encorajar seu uso para combater as doenças da atualidade.

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